segunda-feira, 24 de julho de 2017

A EPIFANIA DO DESVINCULAR


Em sua busca cautelosa de ambientação, Ruana prosseguia lenta e desencorajadamente. Diferentes reações faziam parte de sua procura: barulhos excepcionais, risos altos, olhares afetuosos, dias cálidos, noites sombrias, desconfiança, medo, cautela...
As vezes tomada de êxtase e daquela antiga sensação de solo conhecido, recompunha-se e extenuava.
Tudo agora parecia oferecer um certo risco, até mesmo a CASA onde as paredes e assoalho deveriam exalar graça.
Como retomar? 
Sim, Dostoievski tinha razão quando afirmou: "...pessoas pareciam ter sido diluídas, correndo e passando por nós todos os dias, mas num estado de diluição".  
Ruana sentou-se à beira do caminho, sob o mito da sobrevivência, tomada de sentimentos insípidos. 
Perdida em seus devaneios, percebeu-se desinteressada por vidas anêmicas da verdade e possuídas pela religião.
Preferia o silêncio aos contos pessoais,
A superficialidade de histórias à narrativa de suas salas preciosas,
O olhar observador às explicativas.
Embriagou-se de epifania.
Naquele momento, exatamente naquele momento soube que ninguém, a não ser ELE poderia reativá-la. 
Resignou.

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