terça-feira, 31 de janeiro de 2017

DIÁLOGOS COM BENTO E SUA REGRA



O simples fato de ter sido escrita no século sexto já exerce sobre mim um tipo de sedução literária.
A REGRA DE SÃO BENTO destinada a promover um impacto prático e profundo no aspecto de vivência comunitária trata do corriqueiro com uma força tão coloquial que tende a ser desprezada de início, contudo, em meio aos seus apontamentos, é possível ver emergir riquezas para esse nosso momento da história. Muito mais que profético, isso implica no fato de que, seja no século sexto, seja em nosso tempo, nós, humanos, continuamos nos esbarrando em problemas relacionais idênticos.
Logo no prólogo, Bento nos lembra:

"Qual é o homem que quer a vida e deseja ver dias felizes?" 
 Se, ouvindo, responderes: "Eu", dir-te-á Deus: "Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, guarda a tua língua de dizer o mal e que teus lábios não profiram a falsidade, afasta-te do mal e faze o bem, procura a paz e segue-a". 
E quando tiveres feito isso, estarão meus olhos sobre ti e meus ouvidos junto às tuas preces, e antes que me invoques dir-te-ei: "Eis-me aqui". 

E a língua está presente e, com ela, todas as suas nocivas possibilidades destrutivas. Usando-a, disse Tiago, bendizemos o Autor e caluniamos a obra criada à Sua imagem e semelhança.
Triste, de tom funesto.
Compreensível é o desespero silencioso dos "pais do deserto", que partiram, antes de qualquer coisa, para se livrarem de si mesmos, digo, de seus homens adâmicos.
Espero que, ao sair do prólogo, encontre esperança no humano, porque, aqui dentro, já não a posso ver.






Nenhum comentário:

Postar um comentário