quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

BENEFICIUM



De alguma forma sobrevivi à noite e ressurgi com o Dia...
(Emily Dickinson)


Estou lendo Kathleen Norris, minha leitura leve de férias. Leve no sentido de que, a cada linha, sinto-me envolvida por uma brisa literária de esperança e recomeço. Suavizou-me.
É aquela crescente sensação de que a NOITE tem em seu alforje uma lente de aumento e uma sovela sempre afiada, cortante e diretiva à nossa alma. Ela se veste assim, por isso é temida e sabe o que desperta. Pergunto-me (nauseada) se ela, a NOITE, regozija-se em suas canções entoadas?!
Suponho que sim.
O fato irrefutável e presente na NOITE é que ela sabe que não é permanente, ela sabe muito mais do que nós, suas vítimas recorrentes.
Então, abrigo meu esqueleto cansado na poltrona vermelha do meu lugar de pensar e entrego-me à descrição de Norris, que com excelente retórica (sim, eu posso vê-la falar...) descreve a mim mesma:

Não sei ao certo quando ou como a mudança se deu, mas agora, ao emergir da noite, tenho mais uma sensação de esperança do que de medo. Procuro sair o mais cedo possível e procurar pelos sinais da primeira luz do Dia, do vermelho pálido da aurora.

Ahhhh, os doces benefícios do claustro...




3 comentários:

  1. Me adoça a alma e espanta o medo que gosta de aparecer a noite.

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  2. Me adoça a alma e espanta o medo que gosta da noite.

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