segunda-feira, 22 de maio de 2017

TESOURO EM VASOS DE BARRO...


Inspira-me pensar num Cristo que reúne estranhos e diferentes em prol de Seu Reino e os faz avançar por um único senso, propósito e paixão… Esse é o Evangelho que amo, que proclamo e que me desfaz!
Foram dias de intensidade: Intensos no chorar, intensos no risos altos (grifando MIGUEL, O BELO aqui!), nas histórias, nos constrangimentos, na comida (ahhhh, calabresa e bacon que não desgrudam da nossa lembrança, rsrsr), no silêncio perante a fome, na disposição diante ao serviço. Intensos na riqueza de cada um de vocês, que vencendo seus medos e agonias, confiaram-se às mãos do AUTOR:

MAYARA, nossa “MELANCÓLICA PREFERIDA”, cujo coração quer abraçar todo o sofrimento de uma geração, e ela o fará, ahhh, o fará, pelo fato de que QUEM a inspira é perfeito em surpreender-nos sempre! Essa menina vai longe!!!

LETÍCIA: LELÊ, disperta, disposta, feliz! Eita menina da TERRA DA GAROA que se tornou necessária. Consegue ver ao longe e pensar em pontos que ninguém ainda pensou. Você se tornou uma coluna para nós!

MARCINHA, nossa doutora. A prontidão para curar é semelhante a de nos servir; tem seus próprios planos, mas os coloca à parte afim de que o CRISTO tenha prioridade. Não se entrega pela metade, sua palavra é INTEGRIDADE!

ADRIANO, NOSSO USSO, (esse menino é uma moça!!!rsrsr), força e sensibilidade, ternura e coragem, músculos e lágrimas - um paradoxo Divino que nos enriqueceu e encorajou. Amamos o seu coração!!!

DEBINHA, do USSO, quem a olha "sapeca" não imagina o tesouro que carrega em si. Sóbria, intensa, compadecida e presente - nos fez lembrar que o Cristo extrai força de corações quebrantados! Você é INSPIRADORA.

MARIVA, é forte vaso!!! Como pode um “bruta-montes” chorar feito criança diante da dor que não lhe pertence? Sim, um homem possuído pelos afetos de Cristo empresta os braços para o cimento e os oferece também para acalentar! Você é assim!

MARCINHA, MISS ITABIRITO, derrama alegria por onde passa, doa-se com intensidade, olha profundo na ausência e diz: FAREI ALGO! Esse seu coração ainda abraçará a muitos e Cristo será amado através de você. Sou sua fã!!!

EMÍLIA, ahhh, EMÍLIA, ora menina, ora mulher! Missão de vida: riscar qualquer tipo de monotonia presente, seja a monotonia de dias difíceis ou a monotonia de corações sem esperança! Essa é você, observando-a, aplaudo o sorriso, a beleza (você é linda!), mas sobretudo a humildade.

DEBORRAAAA, quem, senão você, é capaz de recompôr-se em 20 minutos?! Quem pode abraçar a meninada como uma mãe e oferecer colo a todo mundo? Quem observa frutas e verduras, bodes e cabras e no final do dia ainda sorri dizendo: Não vejo a hora de voltar!!! Mantenha esse interior simples e terno!!!

JORDANA: nossa mascoste!!! Pega menino no colo, empresta o cabelo a trançar, sorri, lacrimeja, guarda silêncio, mas sabe, que no fundo de seu mundo, há paixão, entrega e bondade. Você provoca alegria em Jesus!!!

RODOLFO: Quem disse que homem não chora? Escuta as histórias e inclina-se na lona da casa prestes a cair, lamenta pela ausência que não é sua, pela fome que não o consome; enxuga os olhos e torna-se filho, um filho que dá de si a um pai que acabou de conhecer! Nunca esqueceremos esse momento.

SÍLVIO: Servo, prestativo, quebrantado e entregue. Um homem que fez de seu interior um lugar de descanso ao cansado. Discípulo, ouvinte, amante do Cristo.

FIL: O melhor conceito entre performance e entrega, nossa casa é completamente apaixonada por voce! Não bastou oferecer-se somente a si mesmo a um povo, mas trouxe consigo outros corações. Esse é o papel do MOBILIZADOR! (Ez.40:4)

ANNA: O que falar de alguém que vi crescer em todos os aspectos?! Ocorre-me um pensamento: Deus, o nosso ABBA, não esquece de nossas conversas e sonhos, por isso, deu-me o presente de vê-la entregue às nações. Há muito ainda a ser extraído em sua jornada, filha.

BRUNO: Dois retratos seus: chorando e sorrindo, não o guardei de outra maneira. Só o Evangelho pode tomar um sobrevivente e fazê-lo caminhar em terras longínquas, dando clareza de sentido de vida e CAUSA! É SÓ O COMEÇO. 

ABRAÃO: Quem não sabe ouvir o barulho do silêncio, não afinou sua audição. Você fez barulho, muito barulho!!! Não no corte da madeira ou na condução do drone, mas o barulho que abraçou órfãos e beijou infantes, o barulho que não será esquecido.

VAL: A melodia que escapa de seus olhos é mais bela do que o seu canto, por isso voce se destaca. Toma a viola, toma o menino; abraça as notas, abraça a mulher; canta a canção, canta o CRISTO!

DI: “negla”, Obama, fortaleza e ternura. Um amontoado de adjetivos que sopram a criatividade do ABBA em nós. Sigamos pelos CAMPOS DO SENHOR…

BRUZACA: Sempre atento e disponível. Quantas vezes percebi seu coração quebrado por tudo que viu e ouviu… Acredito que essa marca deixada por Cristo em voce dará frutos, frutos que permanecerão! SEMPRE AVANTE!!!

JOÃO e ALÊ: A tampa e o balaio, rsrsrs. Tanta serenidade envolvida. Esses olhos atentos às histórias provadas e a calmaria de Alê em pontuar tudo com uma bondade extravasada, foram dias preciosos ao lado de vocês!!!

ANDERSON E RENATA: Quem foi que inventou gente “bunitaaaa” que decidiu se gastar pelo Eterno???!!! Vocês tornaram os dias mais leves, pelo sempre sorriso de Renata e as lentes intrusas de Anderson, nos motivando e me levando a pensar (pensamento meu…) que Deus também andou fotografando por lá!!!

OSÉIAS E ALICE: feijão com arroz, queijo com goiabada, arranca e coloca - vocês, conjunto maravilhoso de se ver e conviver. Pela entrega, pela renúncia, pela satisfação dos dentes tirados e colocados, até pela conjuntivite (casal que adoece juntos, permanecem juntos forever!!!) recebida com graça, nossa gratidão a vocês!

GUSTAVO E GABI: a prova perfeita de que opostos realmente se atraem! Silêncio e barulho, seriedade e bobeira, quietude e bagunçaaaaaa… Porém, algo em comum: um desejo ardente de fazer o Filho de Deus feliz!!!!

ANINHA do BRUZA: Ohhh M’irmã, tu é bela! Bela por fora (adooooro), bela por dentro (aplaudoooooo). Uma poliglota discreta e cheia de vida, alguém de pouca fala e atitudes coerentes, apaixonante, visionária, encorajadora. Ganhamos muito com voce!

FERNANDO: uma palavra: generosidade! Acho que se ficássemos mais 10 dias no Haiti, você empenharia seus rins…rsrssr Que cada semente plantada por você naquele país fecunde de forma abundante. Só mais uma coisinha: POR MAIS MULHERES NOS PÚLPITOS DAS IGREJAS!!!!!!!!!

ODETE, DEDÉ: Mulé, mulé, você ja perdoou??? rsrsrs Dedé, você nos conduz a lugares inexplorados com sua alegria, dinâmica e CRIATIVIDADE!!! Aplaudo o fato de usar tudo isso para marcar uma nação! AMO TUDO ISSOOOOO!!!

LETÍCIA, nossa maranhense linda: Sua decisão em vir e viver cada experiência promovida pelos TRÊS nos enche de novo fôlego. Sei que seu coração foi marcado e muitas decisões e valores serão revistos, obrigada por se permitir ao HAITI!

MIGUEL: O que dizer de MIGUEL??? Tão calmo, discreto e silencioso??? Hã???? Amigo, seu papel foi de extrema importância para o bom andamento da equipe, estar na logística nem sempre parece ser exultante (Claro que todos sabemos que você amou cada momento no CASSANDRA e seu amigo DAVI), mas lembre-se: um copo de água dado a um desses pequeninos em Meu Nome… Você nos permitiu muito mais que copos de águas!!! Obrigada de todo coração.

POLACO: O baixinho que todos nós amamos!!! Ligado no 220 V, meio ranzinza, meio feliz, um verdadeiro PERSONAGEM de histórias eternas que Deus inseriu em nossa vida!!!  Você faz o melhor berço do mundo!!!!

EDU: Sempre de bem com a vida, de palavra rica, de sorriso acolhedor. Um pai para as crianças, um encorajador para a equipe. Que DEUS o consuma a ponto de inflamar seu coração aos povos dessa terra!!!

E POR FIM…

O melhor de mim, o homem da minha vida, o SIM que desencadeou tudo isso, meu MARIDO, AMIGO e INSPIRAÇÃO: Amor, obrigada por sua obediência ao convite de Jesus em envolver-se com esse povo, você abriu o caminho para que muitos outros viessem e experimentassem mais de Cristo nesse lugar! Sou sua admiradora, sua companheira, lado a lado em seus sonhos e aspirações. Conte sempre comigo e nossos filhos, sabemos quem você é e o quão íntegra tem sido a sua jornada. Amo você, meu PRÍNCIPE HAITIANO.

Uma expressão resume todos vocês: AQUI TEM CORAGEM!!!!!!!!!





quarta-feira, 5 de abril de 2017

SOBRE O RESGUARDAR DE CORAÇÃO



Estou sempre surpresa com a atualidade das Escrituras. Escrita há tantos séculos e tão cortante, contemporânea, realista. Um livro para hoje de um AUTOR FORA DO TEMPO.
Estou pousada em SANSÃO (Juízes 13 a 16).
Os pais ouviram sobre o DESTINO EM DEUS do menino quando ainda no ventre: "porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar a Israel do poder dos filisteus."
Sansão, cujo nome significa COMO O SOL, cresce e tem um encontro com o seu DESTINO (Jz.13:25).
- À semelhança de Sansão, TODOS NÓS, sem exceção, fomos criados para um DESTINO EM DEUS. A nossa história, personalidade, temperamento e experiências fazem parte de um caminho construtivo para alcançarmos e conhecermos o que Deus planejou para nós.
- Em algum momento de nossa jornada, o nosso DESTINO EM DEUS se tornará claro e legível, seremos INCITADOS (impelidos, "perturbados"- os que me conhecem sabem o quanto gosto dessa palavra no sentido de espiritualidade!!!) pelo Espírito a fim de nos conscientizarmos da nossa TAREFA.

As próximas narrativas sobre Sansão são tristes e dignas de muita atenção:
Sansão, como cada um de nós, possuía fragilidades. A história parece apontar o fato de que suas fraquezas não lhe eram claras, ainda que as fossem para seus pais (Jz.14:1 a 3). Ele possuía uma VONTADE FORTE, INCLINAÇÕES para pecados repetitivos e não tratados (Jz.16:1, 4) e por ignorar isso, vivenciou um desfecho terrível. 
O que aprendemos com isso?
- Todos nós, sem exclusão, nascemos com um coração obstinado e precisamos ter NOSSAS VONTADES QUEBRADAS, aprendermos a ouvir NÃO, habituarmos ao caminho da entrega, rendição, morte diária... Os que, dentre nós, não foram ensinados por seus pais terrenos, devem se abrir imediatamente ao DIDAQUÊ vindo do ABA.
- A fraqueza não tratada de Sansão levou-o à ruína. Num primeiro momento, ele passeia entre uma situação e outra, dando sempre alimento a sua fome carnal; o cenário agrava-se, e aquilo que o satisfazia torna-se objeto de sua destruição. Não brinque ou trate com afetos fraquezas que lhe são existentes. Coloque-as honestamente diante do Pai, confesse-as, lute para que sejam tratadas e permita-se ser corrigido sempre que necessário!

- Para Dalila, Sansão DESCOBRE TODO O SEU CORAÇÃO. A expressão é de forte impacto, significando que ele não teve prudência e expôs, anunciou, tornou conhecido suas inclinações, resoluções, paixões e destino. Aquilo que de Deus ouvira, por intermédio de seus pais, compartilhou de forma leviana e descuidada. UM ERRO POSSÍVEL A TODOS NÓS!
TERESA D'ÁVILA escreveu que "dentro de nós há um santuário que não pode ser violado, no qual passam as coisas mui secretas entre Sua Majestade, o Rei e nós." Devemos ser prudentes no que compartilhamos, com quem compartilhamos e no tempo de compartilhar. Estou convicta que haverão momentos, palavras e experiências vividas em SOLITUDE que JAMAIS DEVERÃO SER REPARTIDAS, mas mantidas em secreto.
Eu fui vítima de mim mesma nesse aspecto e posso afirmar com vivência: todo o cuidado é pouco.
Temo quando observo em redes sociais, experiências profundas advindas de momentos com os TRÊS, escritas e abertas a todos, confesso que por opção pessoal, retenho-me de lê-las, por respeito ao LUGAR SECRETO daqueles que as viveram. 
Nosso CORAÇÃO DEVE SER RESGUARDADO, mas precisei sofrer uma terrível (e marcante) dor para aprender o caminho. 
- A expressão letal de toda a narrativa de Sansão está em Jz.16:20,  "porque ele não sabia ainda que já o Senhor se tinha retirado dele." Sinto uma fincada interior só de pensar nisso. A palavra hebraica correspondente ao verbo RETIRAR fala de AFASTAMENTO, SEPARAÇÃO, REMOÇÃO.
Com a retirada de Deus, todo o resto é fatalidade e a morte (seja física ou espiritual) é certa.

Que Deus nos ensine com suavidade o RESGUARDAR de nosso coração, que saibamos ser prudentes no que dividimos e aprendamos a manter em secreto o que deve ser preservado.










segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

LIMÍTROFE


Recordo-me do médico falando sobre as duas anestesias que seriam aplicadas ao meu caso: peridural e geral. Tenho firme na memória um enfermeira cantarolando no centro cirúrgico: "ALELÚIA, PODEROSO É O SENHOR NOSSO DEUS" e um líquido amarelo claro (mais uma razão para abominar essa cor!!!) descendo em minha veia... e PUFF... acordo 5 horas depois com três cortes no abdômen, uma crise fortíssima de vômitos e a terrível certeza da fragilidade humana.
Hoje, 06 dias depois, descubro uma crescente e quase indomável reação que vou chamar aqui de PARTICULARIDADE DE COMPORTAMENTO: uma impaciência com uma série de coisas que antes não provocariam tanto em mim. Como forma de alívio terapêutico, escrevo, para salvar a mim mesma do meu próprio ataque, e os agentes que me tornam reativa.
Escrevo com a esperança de não ofender a ninguém, até mesmo porque aqueles que lerem esse meu desabafo, o farão por mero acaso, visto que não pretendo divulgá-lo, como já fiz com outros textos.
Escrevo com a compreensão do risco de, mais tarde, sentir aversão a mim mesma, pelo que rascunhei aqui, mas não é o caso, nesse momento...
Vamos as minhas particularidades:

Estou completamente impaciente com pessoas que se auto-promovem. Explico. Pessoas que falam de si mesmas na terceira pessoa, promovendo seus atos, discursos e habilidades. Será que elas não percebem que seus leitores/ouvintes estão assustados com essa oratória de SAIBAM O QUANTO EU SOU BOM?! Irritada, pergunto a mim mesma se sou assim e oro, quase clamo, que não me torne!

Sinto-me irritada com falta de originalidade. Claro que todos nós nessa terra recebemos influência de outros, em todos os aspectos de vida, mas acredito que podemos desenvolver nossa própria forma, Deus nos deu inteligência para tal. Quando me deparo com essa ausência de identidade original, retraio. Pessoas que começam a falar exatamente como outros, escrevem numa arte copista, desenvolvem seus tiques corporais e de expressão imitando gente com quem convivem... Lembro-me de estar numa reunião em terras nordestinas e ouvir o preletor falar com sotaque nordeste-americano. Estranheza a parte, indaguei a nacionalidade e a resposta foi:
- Ele fala assim porque recebeu a imposição de mãos de um grande pastor americano e desde então, tem esse sotaque.
Sinto pasmar-me até hoje.
Gente, construam quem vocês são!!! Afirmem gostar de algo porque realmente provaram e é bom, não porque outras pessoas disseram ser.
Pelo amor aos outros mortais pensantes, adquiram sua própria forma de escrita e fala, ainda que o processo pareça longo e demorado, originalidade é sempre um fator saudável.

Estou mais questionadora que o normal. Há dois dias faço perguntas a mim mesma e aos TRÊS sobre assuntos que antes não me atiçavam. E como todo questionamento remete a mudança, estou sobre solo perigoso e junto com o meu pensar interrogativo, clamo por resgate.

Sinto-me desvinculando, lenta e diariamente, de opiniões, pessoas e ambientes que antes eram significativos. A princípio, essa afirmativa causa espanto, mas dissecando-a, percebo que nem tudo o que eu julgava ser, é de fato, então...

Não ando suportando diplomacia comportamental. Por favor, não falem comigo querendo usar de indiretas para chegarem a um objetivo, sejam claros e obtenham estrutura para ouvirem respostas mais claras ainda. 

É isso, pelo menos hoje. Despeço-me de mim mesma e de minha PARTICULARIDADE DE COMPORTAMENTO PÓS ANESTESIA (andei lendo sobre os afetamentos psíquicos da mesma) com uma suave sensação de que escrever já executa seus efeitos.







domingo, 12 de fevereiro de 2017

Dúvidas

                                       
  
As paredes tomadas de frio tom
Esmaecem os dias festivos vestidos de cor.
Pontos que interrogam, que finalizam ou exclamam
Rascunham buscas e decisões.
O palácio está em meia luz...
Sem música, sem flores, quase desnudo de esperança.
O silêncio está tão repleto de gritos que ensurdeceria o que de longe passa e atenta.
Não se vê o paterno em límpido som,
Nem as núpcias da filha do Rei;
Quem precisa convencer o amigo a falar?
Quem insiste com o mentor?
Na sombra, um vulto pequeno,
Sobrecarregado e confuso
Clama pelo resgatador.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

RAIZ DE VENTO (?)




Somos, por natureza, seres "APEGADORES". O seio materno, nossa mãe (que é só nossa, grita a primeira infância!), nossos brinquedos, nossos amiguinhos, nossa cama, nosso quarto... a lista vai amadurecendo com o tempo (não se anime, estou sendo sarcástica), nosso primeiro amor, nossas escolhas, nosso LIVROS (pisando em terreno sagrado), nossas relações, nossos, nossas, meus, minhas, eu... enfim, um oceano de propriedades que nos tornam possuídores de "gentes", objetos, projetos e anseios.
Mal sabíamos nós, que quando sorvemos os primeiros segundos de vida nessa terra de peregrinação, seríamos ensinados a ABRIR MÃO voluntária, forçosa, alegre ou dolorosamente. Nenhum de nós manterá consigo TUDO o que já chamou de SEU. Fato!
Se é assim, porque sofremos?
Numa geração de valores alterados, TER é sinônimo de SUCESSO; mas os caminhadores não funcionam nessa vibração. Aprendemos que DIVIDIR é nobre; que repartir é COMPAIXÃO e que DAR é MANDAMENTO.
Ter TUDO, estar preso a NADA.
Outro aspecto aflitivo ao aprendizado é que em nossas vidas, assim como no KRONOS, existem estações: as flores em perfume nas primaveras serão tomadas pelas folhas secas dos outonos, a leveza e o frescor dos verões vestir-se-ão das cinzas e gélidas manhãs dos invernos. 
É assim, desde o GÊNESIS.
Claro que há um ponto ressonante em nós, filhos do ABA: estamos sob um governo. O mesmo que deu ordem ao caos determina nossas estações, bem como o que fica e o que deve sair. Talvez meus turbilhões escritos soem frios (por influência do último inverno pessoal), mas acredito na canção profética do RAIZ DE VENTO (ha ha ha, quem vai tentar enraizar o vento, meu povo?!):

DE TANTA COISA QUE PASSA COM A GENTE
O QUE FICA MESMO 
É O QUE É!


Então, permita-se PERDER.


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

DIÁLOGOS COM BENTO E SUA REGRA



O simples fato de ter sido escrita no século sexto já exerce sobre mim um tipo de sedução literária.
A REGRA DE SÃO BENTO destinada a promover um impacto prático e profundo no aspecto de vivência comunitária trata do corriqueiro com uma força tão coloquial que tende a ser desprezada de início, contudo, em meio aos seus apontamentos, é possível ver emergir riquezas para esse nosso momento da história. Muito mais que profético, isso implica no fato de que, seja no século sexto, seja em nosso tempo, nós, humanos, continuamos nos esbarrando em problemas relacionais idênticos.
Logo no prólogo, Bento nos lembra:

"Qual é o homem que quer a vida e deseja ver dias felizes?" 
 Se, ouvindo, responderes: "Eu", dir-te-á Deus: "Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, guarda a tua língua de dizer o mal e que teus lábios não profiram a falsidade, afasta-te do mal e faze o bem, procura a paz e segue-a". 
E quando tiveres feito isso, estarão meus olhos sobre ti e meus ouvidos junto às tuas preces, e antes que me invoques dir-te-ei: "Eis-me aqui". 

E a língua está presente e, com ela, todas as suas nocivas possibilidades destrutivas. Usando-a, disse Tiago, bendizemos o Autor e caluniamos a obra criada à Sua imagem e semelhança.
Triste, de tom funesto.
Compreensível é o desespero silencioso dos "pais do deserto", que partiram, antes de qualquer coisa, para se livrarem de si mesmos, digo, de seus homens adâmicos.
Espero que, ao sair do prólogo, encontre esperança no humano, porque, aqui dentro, já não a posso ver.






sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

LECTIO DIVINA


                                   
   
Talvez concordem comigo acerca de uma necessidade quase visceral de nostalgia.
Sim, sou uma dependente sem negativas.
Exulto com discrição quando sou tomada de nostalgias e meu senso de estar aqui é dilatado, percebo uma sensação de destino.
Apesar do prazer do vício, ele não é de fácil encontro e quando o toco, todos os meus sentidos são aguçados e novamente percebo o quanto preciso "nostalgiar". O tempo para e tenho a exata impressão que mudei de lugar, datas e pessoas...  aquela deliciosa estranheza do dependente que pode suprir sua necessidade.
Nesses últimos dias, vi-me assim. Primeiro pelo olhar de Frank Laubach em suas tentativas de PRATICAR A PRESENÇA DE DEUS, mas o êxtase maior veio de Kathleen Norris em seu CAMINHO PARA O CLAUSTRO. No primeiro, vejo minha incansável (e às vezes frustrada) busca, no segundo, vejo o lugar onde meu coração anseia habitar; seja em ruas de Agostinho de Hipona ou em mosteiros de Gregório, o Grande.
Outros lugares, datas e pessoas. Estou no pico da minha anfetamina literária.
Percebo-me feliz. Não a felicidade descoberta, mas a íntima, que me impulsiona a escrever linhas que somente dependentes como eu compreenderão; e no cruzamento entre as batalhas aqui travadas e a LECTIO DIVINA, meu interior tem a plena convicção de liberdade.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

BENEFICIUM



De alguma forma sobrevivi à noite e ressurgi com o Dia...
(Emily Dickinson)


Estou lendo Kathleen Norris, minha leitura leve de férias. Leve no sentido de que, a cada linha, sinto-me envolvida por uma brisa literária de esperança e recomeço. Suavizou-me.
É aquela crescente sensação de que a NOITE tem em seu alforje uma lente de aumento e uma sovela sempre afiada, cortante e diretiva à nossa alma. Ela se veste assim, por isso é temida e sabe o que desperta. Pergunto-me (nauseada) se ela, a NOITE, regozija-se em suas canções entoadas?!
Suponho que sim.
O fato irrefutável e presente na NOITE é que ela sabe que não é permanente, ela sabe muito mais do que nós, suas vítimas recorrentes.
Então, abrigo meu esqueleto cansado na poltrona vermelha do meu lugar de pensar e entrego-me à descrição de Norris, que com excelente retórica (sim, eu posso vê-la falar...) descreve a mim mesma:

Não sei ao certo quando ou como a mudança se deu, mas agora, ao emergir da noite, tenho mais uma sensação de esperança do que de medo. Procuro sair o mais cedo possível e procurar pelos sinais da primeira luz do Dia, do vermelho pálido da aurora.

Ahhhh, os doces benefícios do claustro...