terça-feira, 27 de setembro de 2016

FORA DE "SÉRIE"



Perturba-me esse mundo em série! Explico.
As vezes sou tomada da sensação de estar residindo num círculo de repeticões, um quase DÉJÀ-VU contínuo no que diz respeito a padrões, valores e pessoas!!! Sou remetida a uma grande fábrica de manufaturar e isso me deixa atônita.
Sabe aquela visão que soa exatamente igual com pessoas diferentes, em lugares e momentos diferentes?  O peso ideal, a cor do cabelo, o corte da barba, as gírias, o coloquial, o tipo de roupas, sapatos, valores??!!!Quase uma teoria da conspiração.
Há alguns dias estava sentada no aeroporto aguardando e comecei a observar que o estereótipo feminino funciona em série. Humanos diferentes com buscas físicas idênticas, cabelos do mesmo corte, da mesma cor, biotipo ideal, estilos de roupas e comportamento. Experimentei uma ligeira crise de topofobia.
Lembrei-me dos natais, onde nossa filha entrava no corredor de BARBIES e escolhia aquela, da caixa diferente, azul brilhante ou rosa choque, mas a boneca... em série!
De repente, nos pegamos acostumados e abominando a diferença, e o que não se enquadra é um sujeito "démodé".
O mais grave disso é quando a nossa espiritualidade começa a ser influenciada:
- Se voce não estiver nesse "mover"... Se não participar de... Se nunca ouviu o/a... Se não sabe o significado de... Se nunca foi a...
Somos todos nós vítimas em potencial dessa pesada e real atividade do universo em série.
Uiiiii, Deus nos livre!
E o DEUS DA DIVERSIDADE, como enxerga isso?
Podem até discordar de mim, mas quando leio o LIVRO encontro um amontoado de atípicos como Seus representantes, é impressão, ou Deus realmente ama a singularidade??? Ops, parece que veio Dele o conceito.
Então um VIVA aos que avançam lutando para se libertar dos padrões impostos por essa era! Vocês me inspiram!
Aos que não se importam de serem "ridos" e "caçoados" por razões que até Kurt Lewin coraria.
Aqueles que já compreenderam que individualidade é GRAÇA DIVINA e não deve ser negociada, a despeito da pressão.
Um saudável e exultante BRINDE DE LEGITIMIDADE aos FORA DE SÉRIE.





sexta-feira, 23 de setembro de 2016

44



São dias de avaliação.
Passando pela idade - em avarias e benefícios que traz consigo - encontrando escolhas, decisões e aprendizados.
Dos meus 44 tenho novas percepções:

- Vejo minha miséria de forma mais clara e quase sempre, desesperadora, tal ótica me remete à CRUZ e repentinamente, ouvindo Sua melodia, ponho-me a dançar.

- Exercito a SOLITUDE e o SILÊNCIO, não mais como disciplina, mas como nascente de vida e nutriente a sobriedade.

- Graduo-me no processo de que ninguém é para sempre, exceto os que de fato nos são dados pelo Eterno e resigno-me porque sei que também sou o "deixar" de muitos. 

- Regurgito em sinal de saúde. Saúde que compreende a mente, minha alma em estado de "obras" e a minha espiritualidade agonizante pelo LAR.

- Os sentimentos perdem a força lentamente e a Palavra toma a regência da orquestra. Orquestra de uma só canção.

- Dilato-me no DESTINO, agora mais madura, seletiva e atenta, características que só uma forte tempestade pode despertar num coração.

- O "desaproximar" oferece novo conceito, e subitamente sou tomada de afetos pelos PAIS que saíram ao deserto, compactuo-me com eles.

- Os músculos de minhas buscas estão ofegantes por sapiência, ternura e verdade; verdades sobre mim mesma, sobre o Cristo e Sua querência, e os ESCRITOS DE MEU ABA são os meus halteres.

- O verbo ATIVAR entrou em minha história com uma nuance que eu jamais imaginaria.

- Admiro-me de iguais com semelhantes dores e ainda maiores, que não negociaram a lealdade, a nobreza e a humildade. Urgêncio-me em vê-los triunfar.

- Mudei de estação, de pessoas, de lugares e credos; porém, permanecem as folhas secas, a compaixão, algumas memórias e as certezas plantadas em mim pelo Espírito.

- Em meus diálogos com os TRÊS, peço o que nunca antes pedi, com outra intenção, que de infante que era, não o suportaria.

- Expando-me em criatividade.

- Alegro-me nos filhos que temos.

- Vejo o homem da minha juventude com um misto de admiração, gratidão e amor maduro que me faz sorrir ao pensar em nosso mútuo envelhecer.

- Não me atemorizo com as marcas na face, todas elas possuem uma história de dias de dores ou exultações. São as carquilhas de estações passadas.

- Celebro comigo as conquistas que me encorajam, consciente de QUEM são advindas; 
as intempéries da jornada, que Nele, o meu Cristo, tornaram-se em fotos sem filtro que gritaram a verdade; 
às lagrimas, 
ao silêncio decidido, 
a espera, 
ao desenrolar do pergaminho; e por fim,
a confiança de que QUEM ESCREVE O ROTEIRO, escreve assentado sobre um TRONO.

Chego aos 44 anos de idade com a grande convicção de uma só palavra: GRAÇA!