quinta-feira, 18 de agosto de 2016

ERGON

     

Entende-se por ERGON aquilo com o que alguém se manterá ocupado, requerendo suas energias, talentos, dons, tempo, família, orquestrando seu "modus vivendis".
No entanto, uma triste realidade nos circunda: Muitos de nós passaremos nossos dias aqui na terra envolvidos com algo que nos trará a recorrente sensação: - Não é assim que quero me gastar! 
Por isso, a descoberta de nosso ERGON é um presente Divino, digo Divino, no sentido literal da palavra, ninguém mais apto a nos levar a tal descoberta que Aquele que nos conheceu quando éramos informes, o Deus que desenhou nossa personalidade, temperamento, dando-nos capacidades naturais e espirituais, escrevendo um excelente e criativo roteiro de jornada para nós.
Em minha mente fértil toco a "expectativa do Aba" para o exato momento em que o nosso ERGON nos encontra! Tudo toma novo sentido.
As tempestades são melhores aceitas,
Ri-se das dores passadas e acolhe-se com maior maturidade as que ainda nos abraçarão.
Em nosso legítimo ERGON, a sensação de URGÊNCIA é aplacada pela TAREFA que executamos, o gastar-se torna-se leve e certeiro.
Fica mais fácil e sem culpa dizer NÃO, fica mais forte e acertivo o nosso SIM.
O medo do fim é diminuto, agora convictos de que ele virá no cumprimento da missão.
Olhar para trás aponta construções e desconstruções necessárias e objetivadas: estou na fôrma, sendo moldado para.
Assim, há quase 44 anos atrás, uma brava mulher, aguardava com expectativa e dores, muitas dores, o nascimento de sua primeira filha. Dois dias depois do esperado, a garotinha chega ao mundo arrancada com violência do ventre que a abrigou.
Sequelas eram esperadas.
A mãe, desesperada, a entrega ao Eterno. Oferta aceita! 
A garotinha cresce sitiada por histórias inusitadas, fragmentando o padrão de vida de uma criança comum.
Dores, ausências, vazio e enfim O ENCONTRO.
ELE verbalizou perdão, liberdade, esperança, vida, razão.

Hoje, me peguei olhando para o meu primeiro chinelo, aquele que envolveu meus pés infantes. 
Pensei na constante expectativa do Pai observando aqueles pezinhos e sorrindo:
- Eles pisarão povos!

Quando aos 17, Ele brada:
- Filha, ouve e dá atenção,
Esquece o teu povo e a casa de teu pai,
Então o Rei cobiçará a tua formosura.
Ele é o Teu SENHOR, inclina-te perante Ele.

Lá estava eu, sendo contornada por meu destino, minha causa, minha tarefa, MEU ERGON!





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