sexta-feira, 12 de agosto de 2016

BERSEBA



Em dias de confusos sons e de imagens aturdidas careço pensar no futuro.
Acometer-me de uma esperança apocalíptica de terras que almejo pisar.

Em meu agora, irrito-me com o outro que fala tanto de si, numa tentativa de se auto-afirmar;
Repetindo suas beldades e talentos, pintando um quadro de auto-impressionar,
Tela que a Monet e a Renoir causaria espasmos, ou talvez, só cause a mim...

Impaciento-me com a discussão vazia entre o que ter e ainda ter mais;

Desprezo, com todas as minhas energias, a diplomacia religiosa, essa que satisfaz a ambos, sorrateira, mentirosa, convenientemente aplaudida. Sedação e sedução ao coração medíocre.

Arrependo-me de minha entrega intensa, às vezes sacrificial, por gente que hoje não me diz nada, nada além do que eu não quero ser!

Avanço silenciosa naquilo que sei, porque não é de minha índole destruir o que parece estar de pé.

Compadeço-me pelo caminho de outros, caminho que já trilhei e que sei - trará dores.

Choro por desconhecidos e lugares que nunca estive, por gritos alheios e angústias verídicas.

Envergonho-me de mim. As batalhas que me fatigam não ocorrem lá fora, onde muitos buscam "sei lá o quê...", estão vívidas aqui dentro, dentro de um ambiente chamado EU. Em mim mora um "tatame funcional", que insiste em progredir!
E no auge de meu melhor rounde, aquieto-me. Sei com exatidão onde equilibrar-me.
NELE, letra e vida se liquefazem, o VERBO faz-se sussurrar.

Em terras de Gerar, vales e poços levam a Berseba, terra sem contendas.
Somente a Palavra,
A Promessa,
Um altar e uma tenda armada.





 

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