quinta-feira, 17 de março de 2016

POST TENEBRAS LUX


                                      
 
Damasco...
A rua chamada Direita abrigava a família de Judas. 
Era ainda dia quando alguns homens trouxeram pela mão um cidadão temido pelos do Caminho.
Diante deles estava Saulo, e em seus pertences, cartas para arrastar e prender os chamados cristãos.
Judas o abrigou, mas causou-lhe estranheza o fato de que durante aqueles três dias, seu "ilustre e temido" hóspede não comesse ou bebesse nada. E aquela cegueira repentina?
Seria isso a mão poderosa de Deus sobre um perseguidor?!
Judas apenas o ouvia balbuciar orações confusas, mas sinceras.
Era um homem em desconstrução.
Lá pelas tantas um barulho à porta arranca Judas de seus pensamentos sobre os fatos dos últimos dias. 
Ananias.
Não houve muito diálogo entre eles, Judas observou que Ananias estava tomado de um senso de urgência e direção que o tornava quase indomável, sem tempo a perder.
As últimas palavras de Cristo a Ananias foram diretas: "Vá até Saulo, Eu o escolhi para proclamar o meu nome entre autoridades, o povo judeu e gentio. Eu mesmo tornarei claro a ele o quanto lhe será necessário sofrer lamentavelmente em benefício do que Eu quero e Sou".
Num ato de profundo amor e obediência, Saulo foi envolvido na comunhão dos discípulos em Damasco; aqueles que eram de fato a razão inicial de sua viagem tornavam-se agora um apontamento de vida e vocação.

Genebra...
27 de agosto de 1535.
Guilherme Farel caminha apressado tendo o coração tomado de zelo pela reforma. Ele sabia que a partir daquele dia, algo se tornava mais concreto e palpável, não mais palavras sem retorno, mas um caminho a ser trilhado em direção à restauração da Igreja.
Ainda que os mosteiros fossem transformados em escolas e hospitais, houvesse liberdade de culto e reconhecimento das dimensões sociais do Evangelho, um desafio estabelecia-se: pregar o Evangelho e o novo estilo de vida a uma multidão de protestantes nominais, lutando por mudanças de vida e não só de rótulos. 
Finalmente Farel aproxima-se da estalagem e bate à porta do quarto.
Um jovem de seus vinte e poucos anos apresenta-se. 
Então aquele era Calvino? Parecia mais jovem do que Farel havia imaginado.
Em sua rápida e diretiva conversa, Farel não o convida delicadamente para associar-se a ele em seu ministério na cidade, ele apenas o ameaça:
- Se definitivamente você não se mudar para Genebra, Deus amaldiçoará seus estudos.
Calvino, amedrontado pelo homem obstinado à sua frente (com o dobro de sua idade), cedeu, compreendendo que a MÃO DIVINA, e não aquele homem, o estava mantendo naquele lugar por algum propósito ainda desconhecido.
Em janeiro de 1537, Calvino pôs as mãos no arado.

Dois homens, dois momentos singulares envolvendo outras pessoas.
Duas histórias em tempos e lugares diferentes.
Um mesmo Deus escrevendo num só livro: façam avançar o meu Reino.
POST TENEBRAS LUX, depois da escuridão, luz.







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