quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

TERMÔMETRO ou TERMOSTATO, quem é você?



As muitas avalanches, demandas e urgências em nossa caminhada tendem conduzir-nos a tomar decisões com base no que é circunstancial. 
Não é essa A VONTADE PERFEITA DE DEUS.
O chamamento de Deus ao nosso coração, mente e espírito é que paremos de tomar decisões OLHANDO PARA FORA e disciplinemos a nós mesmos em tomar decisões OLHANDO PARA O ALTO.
Vá para o LUGAR SECRETO, embriague-se com a sabedoria de Deus, aprecie Sua soberania, seja guiado por Seu olhar.
Quando estamos habituados a tomar decisões com base no que é externo, circunstancial, somos como TERMÔMETROS. Um termômetro não afeta a temperatura ao seu redor, ele apenas a comunica, medindo-a, sem nenhuma força de interferência. Mas, quando tomamos decisões baseados nos segredos e direções de Deus, tornam-nos TERMOSTATOS.  Um termostato controla as variações de temperatura para mantê-la constante. 
O TERMÔMETRO comunica, o TERMOSTATO influencia.
O principal chamado para o LUGAR SECRETO é que conheçamos a Deus, lembrando que:
"Intimidade precede insight.
Paixão precede propósito."
Primeiro, LUGAR SECRETO, depois, a DIREÇÃO DIVINA.
Como afirma Bob Sorge, Deus não quer simplesmente conduzí-lo pelo caminho certo, Ele deseja apreciá-lo durante a jornada!

TERMÔMETRO ou TERMOSTATO, quem é você?




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

PEDRAS, CONHECIDAS PEDRAS.



"E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. 
E Saulo consentia na sua morte."


A violência da morte de Estevão, é sem dúvida, um aspecto a refletir, porém, os detalhes que o cercaram até que o fim de seus dias nessa terra o abraçasse me fizeram pensar nessa manhã.

Ele foi lançado para fora de sua cidade. 
Uma cidade passa pela terra do residir, de sentir-se cidadão, de ser incluído, de possuir aqui um lugar para voltar.
Isso lhe foi arrancado.

Arrancado também lhe foi o direito de uma morte natural. 
O apedrejamento é um maneira lenta de morrer pelo fato de que, durante o ato, a pessoa não perde a consciência enquanto suporta os fortes golpes.
É cruel imaginar que Estevão sentiu cada golpe contra ele desferido. Talvez de mãos que ele próprio nominava por conhecimento, por convivência, por adorar juntos no templo.
Ele não se encontrava num estado de ausência de percepção, ele via, sentia, sabia. O seu silêncio não deve ser traduzido como inconsciência, foi uma escolha pessoal ante a situação.

As Escrituras indicam que ele ficou exposto diante de todos, sua nudez foi abusiva tanto quanto a sua forma de morrer.
Arrancaram suas vestes e impuseram sobre ele desproteção, exposição e vergonha.
As pedras feriram o corpo de Estevão, mas certamente, feriram o seu interior; visto que os que as   arremessavam eram pessoas participantes de sua religião.
Não eram estranhos,
Não eram contrários - num primeiro momento,
Eram compatriotas, eram irmãos (?)
Suas roupas colocadas aos pés de Saulo - mais que tecidos cerzidos - faziam parte de quem ele era. 
Sua dignidade,
Sua intimidade,
Sua história de vida,
Suas escolhas e investimentos,
Suas alegrias e lágrimas,
Suas crenças,
Sua causa.
Tudo arrancado dele e depositado aos pés de outro...
Com que olhos esse "outro" enxergou tais roupas? 
Com olhos de consentimento.

Estevão traz silêncio a minha alma. 
Há muito a refletir. Fugindo de tornar-me amarga, arranco dele a sensação de que tudo isso é temporal, de que a proposta é eterna, que é durante o ato de morrer que meus olhos, fitos no CÉU, oferecem-me a mais nobre visão jamais alcançada e que é possível sim, que tudo o que acreditei trazer segurança, sensação de lar e confiabilidade podem, rapidamente, tornar-se em pedra.

Então, UMA SÓ ORAÇÃO envolve o meu espírito:
ABA, ABATE AS MINHAS PEDRAS PESSOAIS, tire-as de minhas mãos, não permita, sob nenhum pretexto, que eu impute a ninguém a dor que hoje reside em meu coração.






terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

ABSURDO, por Nouwen


                                     
   
Muitas vezes tornamo-nos surdos, incapazes de saber quando Deus nos chama, incapazes de entender em que direcção nos chama. Desta forma nossas vidas se tornam um absurdo.
 Na palavra absurdo encontramos a palavra latina surdus, que significa “surdo”. A vida espiritual requer disciplina porque precisamos aprender a ouvir a Deus que constantemente fala, mas a quem raramente ouvimos. Porém, quando aprendemos a ouvir, nossas vidas se tornam vidas obedientes. 
A palavra obediente vem da palavra latina obaudire, que significa “ouvir”. 
É necessário ter uma disciplina espiritual se quisermos mudar lentamente de uma vida ‘absurda’ para uma vida ‘obediente’, de uma vida cheia de preocupações agitadas para uma vida em que há espaço livre no nosso interior para ouvir o nosso Deus e seguir a sua orientação. 
Henri Nouwen, em Aqui e Agora







segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

ENTREI.



Aqui no lugar onde o encontro acontece,  a verdade ganha forma, os medos ficam latentes e a guerra é vencida;
Aqui no lugar onde o meu eu transparece como um riacho límpido em essência, descendo o seu leito, observando as curvas e obstáculos que o abraçam para assim, em calma ou selvagem corrida, perceber a estrada a percorrer;
Aqui no lugar onde o silêncio tem alta voz
E a solitude convoca o Eterno,
Eu me entrego em desesperada procura.
É aqui,
que próxima a Ele,
discorro as tragédias
e a suave música que chama a valsar,
enquanto o Vento faz-se notar beijando as árvores do meu ESO particular.
É aqui, onde percebo a Graça em sua forma mais escandalosa...
Eu,
a mulher inquieta,
cheia de dissabores,
sem terra,
sem teto,
apenas indagações que nem querem mais se apresentar...
Sou convidada a entrar e vagarosamente aprendo o caminho.
Estou em solo sagrado, sem a sarça ou a escada, apenas o que conta a minha história,
Entrei em "secretum loco".