sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

PENSAMENTOS ERRADOS SOBRE "UNÇÃO"



Quem de nós nunca ouviu (ou pronunciou) sobre ter a unção que pousa sobre o outro?! Encontra-se entre os jargões mais usuais do  "glossário" evangélico. Alguns de nós até já oramos para recebermos esta ou aquela unção...
O fato é que um dos significados da palavra UNÇÃO (gr.CHRISMA) passa pelo aspecto de uma PORÇÃO SEPARADA de um TODO sendo repartida a outro com objetivos específicos. Ungir alguém é capacitá-lo para cumprir algo para o que foi chamado.
É o próprio DEUS repartindo-se  ao homem, o CRIADOR dando de Si mesmo a criatura (isso é graça em sua essência!)
Partindo desse ponto, nenhum de nós pode GERAR UNÇÃO, não temos nada de bom em nós mesmos, nenhum poder que nos capacite a fazer por nós mesmos (ainda que estejamos convencidos que possuamos...), ouso dizer (e penso assim) que não está em mim a decisão de impôr minhas mãos sobre alguém e ordenar qualquer tipo de unção, a menos que, de DEUS tenha partido essa resolução e Ele próprio tenha decidido doar-se a esse alguém, e eu, serei apenas um fator de instrumentalidade na oração. Só isso!

Tenho um sentimento nauseado que me persegue acerca da frase:
- Quero sua unção, fulano! Imponha sobre mim as mãos para que eu receba da sua unção, beltrano!

Sou conduzida a 1 João 2:27 em seu simplificado conteúdo de que Deus compartilhou de Si mesmo a nós, O que é TUDO em todos doando de Si para o homem, e essa parte de Deus a nós compartilhada, é sustentada e mantida por Ele mesmo (sim!!! não temos o poder de promoção ou sustentação). Essa UNÇÃO nos instrui acerca de todas as coisas, nos convida a maturidade sobre Seu Caráter, Reino e Vontade. Diante dessa dádiva, carecemos de uma firme resolução: PERMANECER, não nos mover de, não nos tornar outro, NAQUILO EM QUE FORMOS SENDO INSTRUÍDOS!

Da próxima vez que pensarmos (ou falarmos) sobre UNÇÃO, devemos nos lembrar que é algo muito maior que demonstrações de capacidade para pregar, curar, ensinar, evangelizar, cantar, escrever, etc, etc; trata-se do DEUS SEM AUSÊNCIAS repartindo a SI MESMO CONOSCO visando um FIM PROVEITOSO!





OPACIDADE



Há dias onde o sol parece ter se ocultado, não ansiando por raios ou calor. Dias de densas nuvens e céu sombrio, dias de grandes afetamentos.
Dias assim dilatam nossas deliquências e reações, nossas carências e resoluções...
Em dias nublados SOMOS MAIS QUEM DE FATO SOMOS e começamos a perceber - se dermos atenção - do que o nosso coração está cheio, porque fatalmente, nossos lábios o denunciará.
E o espelho que amávamos em dias de glórias e aplausos, surge opaco e ameaçador, apontando tudo o que não queremos ver!
São dias de luto, de convites desagradáveis para negarmos nossa forte vontade, dias de verdades absolutas apresentadas e as mentiras sustentadas (por nós mesmos) enfraquecidas!
Num primeiro momento, dias escuros são cruéis, e de fato o são, porque nos apontam os lugares mais escondidos em nós; enxergar isso é uma visita ao nosso próprio mercado adâmico.
A razão fica engessada e o íntimo dilatado, nada grita mais alto que a nossa alma em dias assim.
Dispômo-nos a fuga.
...
Deus não abre mão dos ventos congelantes e de espelhos postos. Ainda que fujamos, Ele nos encontrará. Porque em dias assim, somos convidados ao óbito, e apesar de não compreendermos, a LUZ está sendo posta.
Nenhum de nós, que anelamos por verdade, seriedade e comprometimento seremos poupados.
Esse é o caminho, andemos por ele.







terça-feira, 27 de setembro de 2016

FORA DE "SÉRIE"



Perturba-me esse mundo em série! Explico.
As vezes sou tomada da sensação de estar residindo num círculo de repeticões, um quase DÉJÀ-VU contínuo no que diz respeito a padrões, valores e pessoas!!! Sou remetida a uma grande fábrica de manufaturar e isso me deixa atônita.
Sabe aquela visão que soa exatamente igual com pessoas diferentes, em lugares e momentos diferentes?  O peso ideal, a cor do cabelo, o corte da barba, as gírias, o coloquial, o tipo de roupas, sapatos, valores??!!!Quase uma teoria da conspiração.
Há alguns dias estava sentada no aeroporto aguardando e comecei a observar que o estereótipo feminino funciona em série. Humanos diferentes com buscas físicas idênticas, cabelos do mesmo corte, da mesma cor, biotipo ideal, estilos de roupas e comportamento. Experimentei uma ligeira crise de topofobia.
Lembrei-me dos natais, onde nossa filha entrava no corredor de BARBIES e escolhia aquela, da caixa diferente, azul brilhante ou rosa choque, mas a boneca... em série!
De repente, nos pegamos acostumados e abominando a diferença, e o que não se enquadra é um sujeito "démodé".
O mais grave disso é quando a nossa espiritualidade começa a ser influenciada:
- Se voce não estiver nesse "mover"... Se não participar de... Se nunca ouviu o/a... Se não sabe o significado de... Se nunca foi a...
Somos todos nós vítimas em potencial dessa pesada e real atividade do universo em série.
Uiiiii, Deus nos livre!
E o DEUS DA DIVERSIDADE, como enxerga isso?
Podem até discordar de mim, mas quando leio o LIVRO encontro um amontoado de atípicos como Seus representantes, é impressão, ou Deus realmente ama a singularidade??? Ops, parece que veio Dele o conceito.
Então um VIVA aos que avançam lutando para se libertar dos padrões impostos por essa era! Vocês me inspiram!
Aos que não se importam de serem "ridos" e "caçoados" por razões que até Kurt Lewin coraria.
Aqueles que já compreenderam que individualidade é GRAÇA DIVINA e não deve ser negociada, a despeito da pressão.
Um saudável e exultante BRINDE DE LEGITIMIDADE aos FORA DE SÉRIE.





sexta-feira, 23 de setembro de 2016

44



São dias de avaliação.
Passando pela idade - em avarias e benefícios que traz consigo - encontrando escolhas, decisões e aprendizados.
Dos meus 44 tenho novas percepções:

- Vejo minha miséria de forma mais clara e quase sempre, desesperadora, tal ótica me remete à CRUZ e repentinamente, ouvindo Sua melodia, ponho-me a dançar.

- Exercito a SOLITUDE e o SILÊNCIO, não mais como disciplina, mas como nascente de vida e nutriente a sobriedade.

- Graduo-me no processo de que ninguém é para sempre, exceto os que de fato nos são dados pelo Eterno e resigno-me porque sei que também sou o "deixar" de muitos. 

- Regurgito em sinal de saúde. Saúde que compreende a mente, minha alma em estado de "obras" e a minha espiritualidade agonizante pelo LAR.

- Os sentimentos perdem a força lentamente e a Palavra toma a regência da orquestra. Orquestra de uma só canção.

- Dilato-me no DESTINO, agora mais madura, seletiva e atenta, características que só uma forte tempestade pode despertar num coração.

- O "desaproximar" oferece novo conceito, e subitamente sou tomada de afetos pelos PAIS que saíram ao deserto, compactuo-me com eles.

- Os músculos de minhas buscas estão ofegantes por sapiência, ternura e verdade; verdades sobre mim mesma, sobre o Cristo e Sua querência, e os ESCRITOS DE MEU ABA são os meus halteres.

- O verbo ATIVAR entrou em minha história com uma nuance que eu jamais imaginaria.

- Admiro-me de iguais com semelhantes dores e ainda maiores, que não negociaram a lealdade, a nobreza e a humildade. Urgêncio-me em vê-los triunfar.

- Mudei de estação, de pessoas, de lugares e credos; porém, permanecem as folhas secas, a compaixão, algumas memórias e as certezas plantadas em mim pelo Espírito.

- Em meus diálogos com os TRÊS, peço o que nunca antes pedi, com outra intenção, que de infante que era, não o suportaria.

- Expando-me em criatividade.

- Alegro-me nos filhos que temos.

- Vejo o homem da minha juventude com um misto de admiração, gratidão e amor maduro que me faz sorrir ao pensar em nosso mútuo envelhecer.

- Não me atemorizo com as marcas na face, todas elas possuem uma história de dias de dores ou exultações. São as carquilhas de estações passadas.

- Celebro comigo as conquistas que me encorajam, consciente de QUEM são advindas; 
as intempéries da jornada, que Nele, o meu Cristo, tornaram-se em fotos sem filtro que gritaram a verdade; 
às lagrimas, 
ao silêncio decidido, 
a espera, 
ao desenrolar do pergaminho; e por fim,
a confiança de que QUEM ESCREVE O ROTEIRO, escreve assentado sobre um TRONO.

Chego aos 44 anos de idade com a grande convicção de uma só palavra: GRAÇA!






quinta-feira, 18 de agosto de 2016

ERGON

     

Entende-se por ERGON aquilo com o que alguém se manterá ocupado, requerendo suas energias, talentos, dons, tempo, família, orquestrando seu "modus vivendis".
No entanto, uma triste realidade nos circunda: Muitos de nós passaremos nossos dias aqui na terra envolvidos com algo que nos trará a recorrente sensação: - Não é assim que quero me gastar! 
Por isso, a descoberta de nosso ERGON é um presente Divino, digo Divino, no sentido literal da palavra, ninguém mais apto a nos levar a tal descoberta que Aquele que nos conheceu quando éramos informes, o Deus que desenhou nossa personalidade, temperamento, dando-nos capacidades naturais e espirituais, escrevendo um excelente e criativo roteiro de jornada para nós.
Em minha mente fértil toco a "expectativa do Aba" para o exato momento em que o nosso ERGON nos encontra! Tudo toma novo sentido.
As tempestades são melhores aceitas,
Ri-se das dores passadas e acolhe-se com maior maturidade as que ainda nos abraçarão.
Em nosso legítimo ERGON, a sensação de URGÊNCIA é aplacada pela TAREFA que executamos, o gastar-se torna-se leve e certeiro.
Fica mais fácil e sem culpa dizer NÃO, fica mais forte e acertivo o nosso SIM.
O medo do fim é diminuto, agora convictos de que ele virá no cumprimento da missão.
Olhar para trás aponta construções e desconstruções necessárias e objetivadas: estou na fôrma, sendo moldado para.
Assim, há quase 44 anos atrás, uma brava mulher, aguardava com expectativa e dores, muitas dores, o nascimento de sua primeira filha. Dois dias depois do esperado, a garotinha chega ao mundo arrancada com violência do ventre que a abrigou.
Sequelas eram esperadas.
A mãe, desesperada, a entrega ao Eterno. Oferta aceita! 
A garotinha cresce sitiada por histórias inusitadas, fragmentando o padrão de vida de uma criança comum.
Dores, ausências, vazio e enfim O ENCONTRO.
ELE verbalizou perdão, liberdade, esperança, vida, razão.

Hoje, me peguei olhando para o meu primeiro chinelo, aquele que envolveu meus pés infantes. 
Pensei na constante expectativa do Pai observando aqueles pezinhos e sorrindo:
- Eles pisarão povos!

Quando aos 17, Ele brada:
- Filha, ouve e dá atenção,
Esquece o teu povo e a casa de teu pai,
Então o Rei cobiçará a tua formosura.
Ele é o Teu SENHOR, inclina-te perante Ele.

Lá estava eu, sendo contornada por meu destino, minha causa, minha tarefa, MEU ERGON!





sexta-feira, 12 de agosto de 2016

BERSEBA



Em dias de confusos sons e de imagens aturdidas careço pensar no futuro.
Acometer-me de uma esperança apocalíptica de terras que almejo pisar.

Em meu agora, irrito-me com o outro que fala tanto de si, numa tentativa de se auto-afirmar;
Repetindo suas beldades e talentos, pintando um quadro de auto-impressionar,
Tela que a Monet e a Renoir causaria espasmos, ou talvez, só cause a mim...

Impaciento-me com a discussão vazia entre o que ter e ainda ter mais;

Desprezo, com todas as minhas energias, a diplomacia religiosa, essa que satisfaz a ambos, sorrateira, mentirosa, convenientemente aplaudida. Sedação e sedução ao coração medíocre.

Arrependo-me de minha entrega intensa, às vezes sacrificial, por gente que hoje não me diz nada, nada além do que eu não quero ser!

Avanço silenciosa naquilo que sei, porque não é de minha índole destruir o que parece estar de pé.

Compadeço-me pelo caminho de outros, caminho que já trilhei e que sei - trará dores.

Choro por desconhecidos e lugares que nunca estive, por gritos alheios e angústias verídicas.

Envergonho-me de mim. As batalhas que me fatigam não ocorrem lá fora, onde muitos buscam "sei lá o quê...", estão vívidas aqui dentro, dentro de um ambiente chamado EU. Em mim mora um "tatame funcional", que insiste em progredir!
E no auge de meu melhor rounde, aquieto-me. Sei com exatidão onde equilibrar-me.
NELE, letra e vida se liquefazem, o VERBO faz-se sussurrar.

Em terras de Gerar, vales e poços levam a Berseba, terra sem contendas.
Somente a Palavra,
A Promessa,
Um altar e uma tenda armada.





 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

SOPRO, LEVE SOPRO



Assemelha-se a uma brisa discreta, certamente desapercebida.
Não por mim.
Conheço a melodia e sou tomada pela presença.
Sobressalto e medo (?),
Não deveria, mas sinto,
Cascas de devaneios passados.

A crescente sensação de proximidade,
O coração envolvido por algo maior que eu,
O senso de ter sido chamada para,
A força, a ternura, o possuir, a imensa e indescritível paixão...
O canto da sulamita ressoa em minh'alma: "Não me desperte até que queiras."

Interiormente trêmula clamo por Sua custódia
E confio estar sob.
Repudio as misturas e a ilusão.
Anseio a VERDADE em sua mais genuína manifestação.

Conversas que evito tocar, por dor, por ausência, por saudade.
ELE se inclina e fala.

O cinto é delicado, de um tecido fino e adequado,
Tem em seu centro bordaduras de pedras em tons pastéis que apontam para um futuro que almejo vivenciar.

Em meio ao meu cenário, sinto o nublar, a recorrente guerra para barrar meu destino.
Entrego-me a ELE e suplico:
- A VERDADE, tão somente a VERDADE.





quarta-feira, 8 de junho de 2016

15 DIAS PARA O RESTO DE NOSSAS VIDAS...


      
   
Não poderíamos dimensionar o que nos esperava ali,
O novo e os desafios pareciam tão intensos e inusitados que convidavam nosso coração a repousar confiadamente naquele que os CONVOCARA!
Aos poucos tivemos a nítida sensação de que nosso Deus ama a diversidade e, sendo surpreendidos pelo povo de pele negra, também o fomos pela riqueza de cada um de nós...

BRUNA, nossa caçula, com "perguntas frequentes e engraçadas" mostrou ao nosso coração que nada pode impedir alguém que quer se render ao REI! Chorou, sorriu, perguntou, ensinou, abraçou, perguntou novamente e por fim, nos encorajou a acreditar que A NOVA GERAÇÃO BRASILEIRA é instrumento para a FORMAÇÃO DE UMA NOVA GERAÇÃO HAITIANA!

MAYARA, doce e silenciosa, sempre abraçada a Palavra, o que despertou em nós uma saudade nostálgica do Verbo Revelado. Forte e intensa, verbalizando apenas o necessário, mas verbalizando em autoridade e sabedoria, fruto de quem se alimenta do LOGOS!

KARLINHA, nossa sempre KARLINHA... Ora menina, ora mulher! A intensidade de seu choro discreto trouxe à tona o coração ferido de Deus, ferido por um povo doente, adoecido por um povo ferido! Entre as tranças negras em cabelos loiros, um olhar que nos dizia: - Não sei como fazer, mas farei por Ele! Sua melhor mensagem foi sem dúvida, sua corajosa disposição.

DIVA, coração em serviço, observadora, ruminando em si mesma a dor pela infância de outros! Em gestos de profunda compaixão, alimentou, abraçou, derramou lágrimas por filhos que não são de seu ventre mas que foram amarrados em seu coração. Em seu pouco falar, gritou com a alma: - Senhor, dá-me seus pequenos haitianos!

MEL, em busca de direção, afagou a dor de pequenos e viu seus próprios limites serem alargados. Viveu o fato e abandonou o romance descrito na história de outros, agora ela possui a sua própria narrativa! Tirou a beleza de si para abraçar a ausência do outro. Ao olhar para a TAREFA descobriu que seu coração está marcado e será trabalhado para cumprir o Destino que possui em Deus!

DI, nossa MICHELE OBAMA, serenidade que acalma e faz descansar, sorriso que surpreende (como alguém tão séria pode rir desse jeito, meu Pai?!) e nos levou a gargalhar dezenas de vezes em terras alheias! Criativa, rápida e perceptiva, alguém que não busca destaque, mas entendeu que SERVIR é fazer o que Cristo fez! Ganhei uma amiga! (Ahhhh, se precisar de tradução, podemos reescrever em inglês, hihihi...)

DEBORRRAAAA, essa haitiana branca que furtou o nosso coração! Daquelas pessoas que fazem a gente feliz na mesma intensidade que dorme, isso é mágico!!! O clima do seu íntimo é cheio de saúde, vendo o melhor de tudo e de todos, alguém que se tornou necessária em nossa jornada!

LELÊ, ahhhhhh ninguém segura essa garota!!! Visão clara, coração disponível, sorriso abrasador (o Fábio encontrou um tesouro...). Sua posição de vida e olhar forte tornou mais precioso o nosso tempo juntos e a preocupação com o depois nos remete à lembrança de que estamos apenas começando! Lê, obrigada por estar SEMPRE POR PERTO!

VAL, nossa HARPA e TAÇA... Voz e vida, tom e compaixão! Você resume o que queremos para o mundo: dom e caráter, talento e humildade, firmeza e sensibilidade! A sensação de ver Deus cantando toma o meu interior todas as vezes que a ouço e a graça de tê-la conosco foi um GRITO MARAVILHOSO DA TRINDADE nos impulsionando a avançar e crescer!

MARI BETINI, como alguém tão fina consegue ser tão completamente entregue a um povo que nunca vira antes?! Paixão e submissão definem você, suas lágrimas discretas encheram nossa equipe de riquezas e sua expressão respeitosa nos fez rever nossos limites em relação ao outro! Voce é singular, nem mesmo as baratas haitianas foram obstáculos para sua missão!!!! BAYGON NELAS, meu POVO!!!!

VANDINHA, a prova palpável que podemos ser úteis ainda quando nossas limitações começarem a gritar. Um apontamento de coragem e decisão, ora frágil como uma garotinha, ora forte como a mulher madura, mas sempre rendida ao Cristo por quem sofre de paixão!!! Entre "besame mucho" e "como te chamas", vimos surgir entre nós a  guerreira que não irá desistir de sonhar!!!

EMÍLIA, o que é isso, minha gente??? De que galáxia veio essa figura??? Linda, feliz, resolvida, engraçadíssima, alguém que descongestiona nosso dias nublados; consegue arrancar de nós risos presos há anos na mesma força que arranca nossa admiração enquanto a assistimos inserir nos infantes o Reino de Deus! Sem dúvida, essa garota foi feita à mão!!! Um diagnóstico só: VOCÊ NOS FAZ BEM!

MARI, nossa MARI, dentre as muitas cenas que insistem em morar em minhas lembranças, ali está você abraçando, cuidando, chorando, abraçando de novo, dando banho, alimentando, sorrindo, extravasando MATERNIDADE! Posso dizer sem recuar: "Você será chamada MÃE DE POVOS!" A minha sensação é que esses foram apenas os primeiros filhos, mas que Deus vai dilatar seu coração para inserir muitos outros que padecem de orfandade! Avance!!! Acreditamos em você!

ALICE, nossa noiva haitiana! Uma mistura de ternura e firmeza, se derramando em lágrimas pelas ruas da comunidade e ajudando a arrancar os dentes com bravura, rsrsr! Exatamente como a Noiva de Cristo deve ser: compadecida e desbravadora! Acredito que seus olhos molhados, suas tranças haitianas, seu vestido branco e seus pés descalços são a melhor tela que poderíamos guardar de você... 

DEDÉ, o conjunto perfeito de alegria e altruísmo! Seu humor é terapêutico, suas caras e bocas, inesquecíveis! Você é uma forte candidata a sequestro, todo mundo quer tê-la por perto, é claro que sabemos que seus amigos (os dois patetas) certamente estragariam o plano!!! Você é única JULIANA!!!

MARCINHA, nossa, só NOSSA médica plantonista!!! Você nos faz autenticar sua profissão como uma vocação, diferente de todas as possibilidades comuns, você cozinha com a mesma alegria e devoção que faz cirurgias (aliás, nem vou comentar nada sobre os assuntos cirúrgicos, né Miguel????), consegue sorrir e ser serena em todos os momentos críticos que vivenciamos como equipe e tem uma esperança tão deliciosa de que tudo vai dar certo que descobrimos uma coisa: ESTAMOS VICIADOS EM VOCÊ! E agora????

PR.JAIR, o terrível! Apesar de todos nós termos apanhado desse homem durante a viagem (pescoção, beliscão, dedos estralados, etc...), somos ganhos pelos olhares de profundo amor que ele expressa. Chora e sorri na mesma intensidade, fica sério e gargalha em questão de minutos e quando pensamos, lá vem coisa boa, surge ele com: Paulo, amo os que te amam... Esse é o homem que tem se dado a um povo que não é seu! Admiramos...

THALLIS, disposto a tudo!!! De uma prontidão impressionante e uma espontaneidade que nos deixa felizes, gangorramos entre seus momentos de serviço e desatenção total, entre perguntas e respostas que nos matavam de rir!!! Um dos TRÊS, os TRÊS AMIGOS!!!

MIGUEL (vulgo MIC - entendedores, entenderão...), "coragem" inspiradora, líder da enfermaria, deixando a desejar no cabelo (sempre despenteado), o homem que insistiu tanto para pregar que não tivemos outra alternativa senão permiti-lo... Ahh esse Miguel, o verdadeiro CANDIDATO (entendedores continuarão entendendo...) que permeou a nossa vida de afetos, respeito e confiança no conceito de amizade!

FILIPE (Fil para nós), a cena que não quer calar é de um homem feito, marido e pai, pastor de um rebanho, em prantos, numa singela salinha, clamando a Deus por um povo que agora faz parte de sua jornada. Coração quebrantado e quase sempre SEM PALAVRAS, que chorou pelas baquetas de uma bateria e derramou-se pelo pastor da montanha. Esse é você e o Haiti é apenas a primeira tecla do processo de mudança que certamente já começou! Estamos TOGHEDINHOS com vocês! Fil, Fil, você está ouvindo??? Ahhhh, dormiu de novo...

ABNÉRIO: a voz de trovão que ressoa na formação da igreja. Um pai de muitos outros pais que emite uma só nota: o REINO! O formador e o roncador, barulhos que fazem diferença!!! Amamos você nosso amigo!!!

OSÉIAS, não sei se temíamos o alicate ou a câmera de vídeo, rsrsrs! Olhar atento para os momentos com o coração voltado para o futuro. O noivo apaixonado e marido convicto, o dentista, o trabalhador, o cameraman, o homem simples e obediente, o filho amado de Deus!

POLACOOOOO: pequenininho que faz uma festa sozinho! Valente, decidido, barulhento e trabalhador, o nosso marceneiro que submeteu sua profissão a serviço do Rei. Impossível tirar de nossas cabeças aqueles braços balançando para frente e para trás e as lágrimas derramadas por Jesus em nossas manhãs devocionais!

É por fim, meu grande AMOR, meu PRÍNCIPE HAITIANO, meu PAULO: amor, se todas essas histórias estão sendo escritas em nossa jornada, e se de alguma forma o Haiti passa a fazer parte de cada um de nós foi porque você OUVIU, não economizando a SI MESMO, dando-se de forma tão irrestrita (eu e nossos filhos podemos testemunhar disso) para que a dor do coração de DEUS seja aplacada! Meus olhares de paixão, respeito e admiração a você! Obrigada por me permitir em SUA MISSÃO!

À TRINDADE SANTA o nosso coração de joelhos e os nossos dias de vida! EIS-NOS AQUI SEMPRE para dizer SIM a tudo o que formos chamados!






quarta-feira, 30 de março de 2016

GAIOLAS EM DESCONSTRUÇÃO


                                       


Entende-se por paradigma um conjunto de padrões a ser seguido, um tipo de referência inicial que torna-se modelo nas diferentes áreas da nossa vida; métodos e valores concebidos como base para algo; uma matriz.
Todos nós somos cercados de paradigmas religiosos que nos foram impostos ou ensinados; o grande problema é que alguns deles não representam em nada a verdade sobre o nosso Deus! São fortes, aparentemente corretos, bem fixados em nosso íntimo, mas nos distanciam de uma vida genuína e produtiva com a Trindade.
Geralmente, quando a manifestação Divina confronta nossos paradigmas, um sentimento de desconstrução nos toma e a dúvida entre avançar ou permanecer no que parece ser o modelo nos assombra.
Paradigmas podem ser destrutivos se não estiverem pautados na revelação das Escrituras e em quem Deus realmente é!
Ao longo da história da igreja, Deus vem quebrando a matriz desenvolvida pelo homem acerca de Seu caráter e obra e, maravilhados diante dessas narrativas percebemos que, todas as vezes que o homem permite-se ser desconstruído em suas referências impostas, criadas ou adquiridas, abraçando o real, genuíno e fecundo avançar de Deus na história, fatos singulares ocorrem...
Temos um judeu faminto no eirado de uma casa, ele está orando e esperando para saciar sua fome física. É tomado de êxtase, o céu se abre e toda sorte de animais quadrúpedes, répteis e aves lhe são apresentados com o seguinte imperativo:
- Levanta-te, mata e come!

O nosso homem é rápido em retrucar:
- De forma nenhuma, JAMAIS comi coisa alguma comum e imunda.

A voz o intercepta:
- Não consideres COMUM aquilo que foi tocado por Deus!

Um forte costume estava sendo desafiado, e obviamente, todas as vezes que Deus surge em imperativos, algo extraordinário nos aguarda adiante!
Conhecemos o desfecho: um Pedro perplexo (nem sei se conseguiu descer para almoçar...), um grupo de homens enviados para convida-lo à casa de um gentio, o Cornélio que promoveu uma reunião entre parentes e amigos íntimos, uma exposição fantástica sobre o Cristo, a visitação do Espírito Santo e o batismo de não judeus.
Claro, paradigma quebrado, questionamentos levantados! Pedro é convidado por seus irmãos judeus e colegas de ministério:
- Tomamos conhecimento que você entrou em casa de incircuncisos e comeu com eles!?

Um Pedro desconstruído explica com propriedade e conclui com excelência:
- Se Deus concedeu a esses o mesmo dom que a nós nos foi outorgado quando cremos em Jesus, QUEM SOU EU PARA QUE POSSA RESISTIR A DEUS?
Houve silêncio, acordo e alegria!

Paradigma quebrado, convicção e direção claras, homem obediente, Evangelho chegando até nós!






terça-feira, 22 de março de 2016

EXPATRIADO



O sentimento de estar deslocada do meu local de origem envolve meu coração e lentamente faz-me ter esperanças em um futuro que almejo... Quase inexplicável (e humanamente incompreensível) sentir saudades de um lugar onde nunca estive, mas que me impulsiona convicta, de achar nele, o berço de quem eu sou. 
Estremeço.
Alimento-me da feliz expectativa de ver, ouvir e falar com meus heróis (todos, absolutamente todos estão em Casa), os que me conduzem a vislumbres de dias melhores:
Quero andar com Calvino e ouvir sobre suas internas lutas em se tornar um reformado legítimo;
Em Lutero, perceber o homem do CATECISMO MENOR encontrando-se com a FONTE DE TODAS AS COISAS;
Com Edwards, tricotar sobre as FIRMES RESOLUÇÕES,
Abraçar Guyon e ser consolada com o mesmo consolo que a envolveu quando de volta em casa;
Sorrir com as histórias de Brainerd, maravilhar-me com Farel (e contar a ele que inspirou o nome do nosso filho mais velho), sentar-me nos campos de trigo com Carey e olharmos literalmente para o que um dia nos foi figurado.
Embebedar-me com o Cristo presente de Elizabeth e atentar-me aos detalhes da pequena chama acesa no coração de Evan Roberts, ainda em uma mina de carvão...
A PÁTRIA abriga todas as riquezas que anseio,  fonte perfeita de inspiração.
Para um coração expatriado como o meu, cujos heróis já não mais caminham nessa terra do peregrinar, lateja uma esperança:

Estaremos TODOS JUNTOS, eternamente deslumbrados com a BELEZA e a DIGNIDADE Daquele que é o PRINCÍPIO E FIM.




quinta-feira, 17 de março de 2016

POST TENEBRAS LUX


                                      
 
Damasco...
A rua chamada Direita abrigava a família de Judas. 
Era ainda dia quando alguns homens trouxeram pela mão um cidadão temido pelos do Caminho.
Diante deles estava Saulo, e em seus pertences, cartas para arrastar e prender os chamados cristãos.
Judas o abrigou, mas causou-lhe estranheza o fato de que durante aqueles três dias, seu "ilustre e temido" hóspede não comesse ou bebesse nada. E aquela cegueira repentina?
Seria isso a mão poderosa de Deus sobre um perseguidor?!
Judas apenas o ouvia balbuciar orações confusas, mas sinceras.
Era um homem em desconstrução.
Lá pelas tantas um barulho à porta arranca Judas de seus pensamentos sobre os fatos dos últimos dias. 
Ananias.
Não houve muito diálogo entre eles, Judas observou que Ananias estava tomado de um senso de urgência e direção que o tornava quase indomável, sem tempo a perder.
As últimas palavras de Cristo a Ananias foram diretas: "Vá até Saulo, Eu o escolhi para proclamar o meu nome entre autoridades, o povo judeu e gentio. Eu mesmo tornarei claro a ele o quanto lhe será necessário sofrer lamentavelmente em benefício do que Eu quero e Sou".
Num ato de profundo amor e obediência, Saulo foi envolvido na comunhão dos discípulos em Damasco; aqueles que eram de fato a razão inicial de sua viagem tornavam-se agora um apontamento de vida e vocação.

Genebra...
27 de agosto de 1535.
Guilherme Farel caminha apressado tendo o coração tomado de zelo pela reforma. Ele sabia que a partir daquele dia, algo se tornava mais concreto e palpável, não mais palavras sem retorno, mas um caminho a ser trilhado em direção à restauração da Igreja.
Ainda que os mosteiros fossem transformados em escolas e hospitais, houvesse liberdade de culto e reconhecimento das dimensões sociais do Evangelho, um desafio estabelecia-se: pregar o Evangelho e o novo estilo de vida a uma multidão de protestantes nominais, lutando por mudanças de vida e não só de rótulos. 
Finalmente Farel aproxima-se da estalagem e bate à porta do quarto.
Um jovem de seus vinte e poucos anos apresenta-se. 
Então aquele era Calvino? Parecia mais jovem do que Farel havia imaginado.
Em sua rápida e diretiva conversa, Farel não o convida delicadamente para associar-se a ele em seu ministério na cidade, ele apenas o ameaça:
- Se definitivamente você não se mudar para Genebra, Deus amaldiçoará seus estudos.
Calvino, amedrontado pelo homem obstinado à sua frente (com o dobro de sua idade), cedeu, compreendendo que a MÃO DIVINA, e não aquele homem, o estava mantendo naquele lugar por algum propósito ainda desconhecido.
Em janeiro de 1537, Calvino pôs as mãos no arado.

Dois homens, dois momentos singulares envolvendo outras pessoas.
Duas histórias em tempos e lugares diferentes.
Um mesmo Deus escrevendo num só livro: façam avançar o meu Reino.
POST TENEBRAS LUX, depois da escuridão, luz.







quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

TERMÔMETRO ou TERMOSTATO, quem é você?



As muitas avalanches, demandas e urgências em nossa caminhada tendem conduzir-nos a tomar decisões com base no que é circunstancial. 
Não é essa A VONTADE PERFEITA DE DEUS.
O chamamento de Deus ao nosso coração, mente e espírito é que paremos de tomar decisões OLHANDO PARA FORA e disciplinemos a nós mesmos em tomar decisões OLHANDO PARA O ALTO.
Vá para o LUGAR SECRETO, embriague-se com a sabedoria de Deus, aprecie Sua soberania, seja guiado por Seu olhar.
Quando estamos habituados a tomar decisões com base no que é externo, circunstancial, somos como TERMÔMETROS. Um termômetro não afeta a temperatura ao seu redor, ele apenas a comunica, medindo-a, sem nenhuma força de interferência. Mas, quando tomamos decisões baseados nos segredos e direções de Deus, tornam-nos TERMOSTATOS.  Um termostato controla as variações de temperatura para mantê-la constante. 
O TERMÔMETRO comunica, o TERMOSTATO influencia.
O principal chamado para o LUGAR SECRETO é que conheçamos a Deus, lembrando que:
"Intimidade precede insight.
Paixão precede propósito."
Primeiro, LUGAR SECRETO, depois, a DIREÇÃO DIVINA.
Como afirma Bob Sorge, Deus não quer simplesmente conduzí-lo pelo caminho certo, Ele deseja apreciá-lo durante a jornada!

TERMÔMETRO ou TERMOSTATO, quem é você?




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

PEDRAS, CONHECIDAS PEDRAS.



"E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. 
E Saulo consentia na sua morte."


A violência da morte de Estevão, é sem dúvida, um aspecto a refletir, porém, os detalhes que o cercaram até que o fim de seus dias nessa terra o abraçasse me fizeram pensar nessa manhã.

Ele foi lançado para fora de sua cidade. 
Uma cidade passa pela terra do residir, de sentir-se cidadão, de ser incluído, de possuir aqui um lugar para voltar.
Isso lhe foi arrancado.

Arrancado também lhe foi o direito de uma morte natural. 
O apedrejamento é um maneira lenta de morrer pelo fato de que, durante o ato, a pessoa não perde a consciência enquanto suporta os fortes golpes.
É cruel imaginar que Estevão sentiu cada golpe contra ele desferido. Talvez de mãos que ele próprio nominava por conhecimento, por convivência, por adorar juntos no templo.
Ele não se encontrava num estado de ausência de percepção, ele via, sentia, sabia. O seu silêncio não deve ser traduzido como inconsciência, foi uma escolha pessoal ante a situação.

As Escrituras indicam que ele ficou exposto diante de todos, sua nudez foi abusiva tanto quanto a sua forma de morrer.
Arrancaram suas vestes e impuseram sobre ele desproteção, exposição e vergonha.
As pedras feriram o corpo de Estevão, mas certamente, feriram o seu interior; visto que os que as   arremessavam eram pessoas participantes de sua religião.
Não eram estranhos,
Não eram contrários - num primeiro momento,
Eram compatriotas, eram irmãos (?)
Suas roupas colocadas aos pés de Saulo - mais que tecidos cerzidos - faziam parte de quem ele era. 
Sua dignidade,
Sua intimidade,
Sua história de vida,
Suas escolhas e investimentos,
Suas alegrias e lágrimas,
Suas crenças,
Sua causa.
Tudo arrancado dele e depositado aos pés de outro...
Com que olhos esse "outro" enxergou tais roupas? 
Com olhos de consentimento.

Estevão traz silêncio a minha alma. 
Há muito a refletir. Fugindo de tornar-me amarga, arranco dele a sensação de que tudo isso é temporal, de que a proposta é eterna, que é durante o ato de morrer que meus olhos, fitos no CÉU, oferecem-me a mais nobre visão jamais alcançada e que é possível sim, que tudo o que acreditei trazer segurança, sensação de lar e confiabilidade podem, rapidamente, tornar-se em pedra.

Então, UMA SÓ ORAÇÃO envolve o meu espírito:
ABA, ABATE AS MINHAS PEDRAS PESSOAIS, tire-as de minhas mãos, não permita, sob nenhum pretexto, que eu impute a ninguém a dor que hoje reside em meu coração.






terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

ABSURDO, por Nouwen


                                     
   
Muitas vezes tornamo-nos surdos, incapazes de saber quando Deus nos chama, incapazes de entender em que direcção nos chama. Desta forma nossas vidas se tornam um absurdo.
 Na palavra absurdo encontramos a palavra latina surdus, que significa “surdo”. A vida espiritual requer disciplina porque precisamos aprender a ouvir a Deus que constantemente fala, mas a quem raramente ouvimos. Porém, quando aprendemos a ouvir, nossas vidas se tornam vidas obedientes. 
A palavra obediente vem da palavra latina obaudire, que significa “ouvir”. 
É necessário ter uma disciplina espiritual se quisermos mudar lentamente de uma vida ‘absurda’ para uma vida ‘obediente’, de uma vida cheia de preocupações agitadas para uma vida em que há espaço livre no nosso interior para ouvir o nosso Deus e seguir a sua orientação. 
Henri Nouwen, em Aqui e Agora







segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

ENTREI.



Aqui no lugar onde o encontro acontece,  a verdade ganha forma, os medos ficam latentes e a guerra é vencida;
Aqui no lugar onde o meu eu transparece como um riacho límpido em essência, descendo o seu leito, observando as curvas e obstáculos que o abraçam para assim, em calma ou selvagem corrida, perceber a estrada a percorrer;
Aqui no lugar onde o silêncio tem alta voz
E a solitude convoca o Eterno,
Eu me entrego em desesperada procura.
É aqui,
que próxima a Ele,
discorro as tragédias
e a suave música que chama a valsar,
enquanto o Vento faz-se notar beijando as árvores do meu ESO particular.
É aqui, onde percebo a Graça em sua forma mais escandalosa...
Eu,
a mulher inquieta,
cheia de dissabores,
sem terra,
sem teto,
apenas indagações que nem querem mais se apresentar...
Sou convidada a entrar e vagarosamente aprendo o caminho.
Estou em solo sagrado, sem a sarça ou a escada, apenas o que conta a minha história,
Entrei em "secretum loco".