terça-feira, 3 de novembro de 2015

NUANCES



Noite.
A garota vencera mais um relógio de lida.
Tantas responsabilidades para tão pouca idade, ali, de pé numa rua mal iluminada. 
Medo crescente, um quase desejo de correr para chegar ao portão da casa e finalmente descansar.
Descansar da labuta, da maturidade forçada, do proteger-se...

Ela não soube ao certo de onde eles surgiram, nem quantos eram, apenas recorda-se dos risos nervosos e as palavras que insinuavam morte. 
Um rosto destacou-se.
Medo tornou-se pavor e ela soube que o pavor pode imobilizar!
Sem fugas ou proteção, sem defesas visíveis ou muros ao redor.
Lembra-se da luz forte em seu rosto e uma mão arrancando-a dali com firmeza e intrepidez.
Tudo o mais é uma cortina escura.
Na cena seguinte, ela está em casa, seu suposto lugar seguro, rosto entre as mãos, desespero silencioso.
Mais tarde ela saberia, ABA...



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