sábado, 28 de novembro de 2015

Fitas

                                
 
Perdido o senso do esperar.
Não sabe mais em que direção colocar o seu coração,  às vezes brando e tranquilo, outras, medroso e escondido em desapontamentos...
Suas fitas estão presas entre rimas e memórias de uma mesa farta, barulho constante, gente presente e lugar seguro; falta-lhe o chão para bailar.
Cessou o vento maestro que arranca a sinfonia, e a chuva, antes tranquila desce crua, selvagem e contínua, em gotas pequenas que fazem chorar os céus e ferem a terra.
Escuro em suas recâmaras...
Não há fanfarras, não há canções.
Em letárgica caminhada, a melodia chega e propõe sonhar, a chuva deu à luz a um rebento,
A voz que grita que o Reino virá!

"... Pois Ele é a Voz que fala ao coração sobre esperança e um futuro além do que se pode ver,  e o Reino vem aos que esperam o Desejado das nações, em Seu nome a terra treme, o Reino vem!!!"

Espantada ela pergunta a si mesma: - Que barulho é esse?
É o som das fitas!!! Ouça, elas estão se movendo! O vento fez os seus pés se moverem, eles estão dançando e as fitas... as fitas se movem à regência do maestro. 
Olhar no caminho, correntes quebradas, liberdade.
Começo do fim...






terça-feira, 3 de novembro de 2015

NUANCES



Noite.
A garota vencera mais um relógio de lida.
Tantas responsabilidades para tão pouca idade, ali, de pé numa rua mal iluminada. 
Medo crescente, um quase desejo de correr para chegar ao portão da casa e finalmente descansar.
Descansar da labuta, da maturidade forçada, do proteger-se...

Ela não soube ao certo de onde eles surgiram, nem quantos eram, apenas recorda-se dos risos nervosos e as palavras que insinuavam morte. 
Um rosto destacou-se.
Medo tornou-se pavor e ela soube que o pavor pode imobilizar!
Sem fugas ou proteção, sem defesas visíveis ou muros ao redor.
Lembra-se da luz forte em seu rosto e uma mão arrancando-a dali com firmeza e intrepidez.
Tudo o mais é uma cortina escura.
Na cena seguinte, ela está em casa, seu suposto lugar seguro, rosto entre as mãos, desespero silencioso.
Mais tarde ela saberia, ABA...



TSNBH (Ao que lê, entenda-se...)




Vida que não está solta,
Amarrada com firmeza a um feixe,
Frescor,
Reflorescimento,
Fonte de sustento e renovação.
Que o meu silêncio cheio de coisas que sei
Seja o carvão para o fogo ativar!



Por Ariadna de Oliveira

A PATOLOGIA DO FILHO MAIS VELHO



" A parte do filho mais velho (presente em todos nós), encontra-se perdido. Tornou-se um estranho em sua própria casa. Não há comunhão.
Todo relacionamento é permeado pela escuridão. Estar com medo ou mostrar desprezo, ter de submeter-se ou controlar, ser um opressor ou uma vítima: estas são as opções para aquele que fica fora da luz. 
Os pecados não podem ser confessados, o perdão não pode ser obtido, não pode haver reciprocidade do amor. A verdadeira comunhão tornou-se impossível.
Conheço a dor desta categoria.
Nela, tudo perde a sua espontaneidade.
Tudo se trona suspeito, constrangedor, calculado e cheio de segundas intenções.
Não há mais confiança.
Cada pequeno passo requer uma retribuição; cada pequena observação pede uma análise; o menor gesto tem de ser medido.
Esta é a patologia da escuridão.
Há uma maneira de escapar? Não creio que haja - não do meu lado, pelo menos. Parece que quanto mais tento me desvencilhar da escuridão, mais escuro fica. Não posso sair do terreno da minha raiva. Não posso caminhar para casa, nem por minha conta, entrar em comunhão.
Isso precisa me ser dado.
A história do Filho Pródigo é a de um Deus que me procura e não descansa até que me encontre.
Ele insiste e suplica.
Ele me pede que deixe de me apegar a estados de espírito que levem à morte e me deixe alcançar por braços que me carregarão para o lugar que encontrarei a VIDA que mais desejo".


À MEL, e a todos os outros que lutam contra essa patologia... por Nouwen.