segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Escolho "ZOE"


     

Fui tomada de uma "crise" de idade! 
Não a crise de ter chegado aos 43 anos, mas a crise do que fiz até o presente momento da minha vida.
Quando retomamos nossa vida no Brasil, eu estava com 25 anos, era o auge da juventude, da força e ousadia, coragem e intrepidez. Os 18 anos seguintes foram cumpridos unicamente em obediência ao nosso Dono. Os meus melhores anos de produtividade foram gastos por aqui.
Pego-me agora, olhando a longa jornada que trilhamos e uma dor vem povoar meu íntimo:
O que teria ocorrido se tivéssemos permanecido nas nações? 
Como nossos filhos teriam sido criados entre os povos?
Com o que os nossos corações estariam envolvidos hoje?
Sinto-me frustrada, mesmo diante de tudo o que Deus pôde construir através de nossa obediência em FICAR.
Hoje, retomamos ao ponto que estávamos há 18 anos atrás. 
Recomeço, novo ciclo, página virada... Independente do nome, o fato é que nossa força física já não é mais a mesma, nossa intrepidez foi vestida de uma certa prudência (que pode se tornar procrastinadora), nossa vida já chegou ao meio.
Cá estamos nós.
Olhando naturalmente, gostaria que tivesse sido diferente. Sinto que podíamos ter feito muito mais entre os povos, que poderíamos ser gastos com assuntos que realmente requerem atenção e disposição de vida. 
Acredito estar num momento de saudosismo pelo que não ocorreu. Nada pior!
Desabei meu interior ao meu ABA e com a nossa casa, fui lembrada da importância do OBEDECER por nosso filho; Paulo citou todas as obras de Deus, nas quais fomos inseridos nesses 18 anos; o doce olhar da nossa filha ansiou me consolar... Em vão. A crise está aqui, forte e destemida, corajosa e intrépida, exatamente como eu era nos meus melhores anos gastos por aqui.
Então, sinto-me gentilmente conduzida aos TRÊS e meus olhos passeiam por João 6, onde Jesus afirma:
- "se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes VIDA em vós mesmos".
Entendo que COMER A CARNE fala de  alimentar-me da natureza de Cristo, fazer dela o meu sustento e vitalidade; BEBER DO SANGUE é um apontamento para fortalecer-me e nutrir-me do Seu sacrifício. Isso implica em submeter a minha natureza delinquente e caída à NATUREZA SANTA E RETA do meu Cristo, escolhendo o Seu andar sacrificial ao meu desejo forte! Em suma, minha vontade não deve prevalecer. A partir daí, dessa forma de vida processual, eu TEREI VIDA, que no grego é ZOE: um estado de vitalidade, ânimo e plenitude, vigor e devoção a Deus. 
Enfim, não se trata da minha idade de agora ou de quantos anos eu tenha gasto com aquilo que não me parecia urgente, mas de viver o processo de santificação e morte diárias para a minha própria natureza e vontades.
Ainda não me sinto consolada, nem saiu do meu coração a angústia de "anos perdidos", mas certamente começo a ter mais luz acerca do que MEU ABA PENSA SOBRE TUDO ISSO.
E certamente é o que importa, apesar de mim.



3 comentários:

  1. A única coisa que penso é: Quantos de nós deixaríamos de ser inspirados pela sua fome e sede de Deus se você estivesse nas nações? Quantos irão por causa do que viram em sua vida aqui? Você não sabe o que Deus é capaz de fazer em um só coração através de suas ministrações, que dirá em vários corações durante 18 anos. Um dia você verá o quanto frutificou aqui e que de alguma forma estes frutos alcançaram nações...De toda forma que a paz que excede todo o entendimento e a alegria Dele encha o seu coração. Bjs.

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  2. Longe de ser um consolo convincente, mas ,digo que sua vida e ministrações plantaram missionários pelo mundo. Estou eu aqui, aos 26 anos, pensando e conversando com o Aba que preciso render - me à sua obra. Já me envolvi de modo que não há mais volta para meu próprio caminho. Apenas quero o dEle.
    Aprendi em seu livro que quando vamos pra cruz, nossos planos também vão. Pois bem, ao longo deste ano isso soou em meu coração e meu destino será outro, com toda certeza.
    Eu, sou só eu, mas quantas pessoas também são atingidas por Cristo por meio de sua vida? Vejo as marcas de seu trabalho, seu trabalho em minha igreja local.
    Obrigada por obedecer! Sua vida me constrange e me "estraga"!

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  3. Concordo plenamente com a Tatiana! Há coisas que não conseguimos mensurar e talvez, não seja o caso mesmo. Sua obediência e amor pelo Pai nos inspiram a ir adiante, colocar papéis em branco diante dEle no início do ano- ou qualquer outa data- e nos surpreender a cada dia com Sua graça e soberania. Não sei quanto aos outros, mas conhecê-la foi um marco pra mim e agradeço à Deus por sua vida quase todos os dia (não sou tão perfeita - risos). Que Ele acalme seu coração e lhe dê paz. Nada foi em vão.

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