sábado, 31 de outubro de 2015

GRITO

Pode ainda um coração golpeado ser tomado de compaixão?
Pode um caráter atacado decidir pelo silêncio acerca de tudo o que sabe?
Como não duvidar de todos, já que os de perto demonstram-se cruéis?
Como desejar relacionar-se, se já não se tem certeza de muita coisa?
É possível permanecer?
É possível acreditar?
E se de repente a Noiva começa a perder o brilho que um dia pareceu ter,
E a comunhão parece agora uma conto utópico.

Esse é o grito dos que foram feridos,
Os pensamentos secretos dos que confiaram,
O conflito dos que ouviram sobre GRAÇA toda uma vida e se acham perdidos e confusos nesse teatro chamado religião.
Ahhhh, o Cristo blasfemado entre os povos pela ausência que oferecemos nós.

HÁ UM CAMINHO:
- Use os golpes para se estender aos feridos,
- O silêncio para guardar a integridade de indivíduos e famílias.
- Coloque os olhos, ainda que devagar, sobre aqueles que Cristo lhe presentear.
- Orar GERA o permanecer,
- Constância na Palavra fortalece a fé,
- No final do LIVRO, a Noiva será gloriosa e a comunhão será fato.

E se hoje, tudo parece sem cor, certamente o amanhã será marcado pela promessa cumprida, então, que VENHA O AMANHÃ.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O Reino no vale

                              


Num longíquo vale nas encostas do centro-sul chinês pode-se ouvir canções,
É fevereiro. 
Todas as famílias daquele lugar celebram, o vale é banhado pela melodia e as montanhas, bosques, árvores e planícies aguardam com expectativa pela canção que os remeterá ao Eterno.
São os Dongs.
De longe, vê-se DONG ZÚ. Ele caminha entre o seu povo, um misto de cor, alegria e esperança parecem reacender o seu espírito. Há apenas alguns dias experimentou o Cristo em seu íntimo, e agora, o novo é desvendado. Um alegria inexplicável toma o seu coração e por alguma razão, ele sabe, que o tesouro recebido precisa ser repartido.
Em sua vila, é fim de colheita.
DONG ZÚ aproxima-se da torre de sua família, seus olhos quase não alcançam o topo daquela construção pelos últimos raios de sol que vibrantes anunciam o fim de mais um dia.
Numa espécie de convocação do futuro, DONG vê o Espírito de Deus sobre o vale.
As torres, outrora reverenciadas, são apenas marco de uma cultura,
O medo dos ancestrais deu lugar a uma confiança firme Naquele que Vive,
O vale continua repleto de canções, canções que exaltam a Cristo. A natureza pode enfim dançar!
Atônito, DONG cai de joelhos, rosto entre as mãos, choro quieto:
- Pai, venha o Teu reino nesse lugar!


domingo, 25 de outubro de 2015

Esquinas...

                                    

A rua já dormia em seus comércios e lidas.
Pouca gente, pouca luz, hora avançada.
Um desfile do sofrer começa a surgir, mulheres de todas as idades, nudez quase exposta, maquiagens fortes para disfarçar a dor de mais uma noite...
Objetos numa vitrine de caos.
Posso ver uma jovem, em seus 20 e poucos anos, entorpecida, andando como alguém que há muito não sabe mais para onde ir, perdida em suas mazelas. Passo por ela, junto à pele morena e o rosto envelhecido, diminuta roupa acena uma crescente abdominal que grita a plenos pulmões:
- Em alguns dias serei mãe.
Mais adiante, numa esquina pálida, dois travestis. Nossos olhares se cruzam e por frações de segundo imagino "a história por trás da máscara", as dores que se amontoam dilacerantes no corpo já modificado, a fome, a ausência, a falta do que esperar.
Minha atenção cai sobre quatro meninas. 
Certamente, garotas que poderiam ser minhas filhas. Corpos ainda jovens, riso alto e aquela pitada de ousadia comum a essa idade. Uma delas, a líder, vestida de um vermelho vivo que acompanha a cor de seus cabelos pintados, levanta-se e põe-se a andar gritando palavrões e oferecendo sua raiva a qualquer um que se aproxime...
É seguida pelas outras, um mesmo caminho, um mesmo cansaço, o mesmo morrer.
Sou adoecida pela dor do ABA, num extravasar de lágrimas e preces percebo a GRAÇA em passos largos por essas esquinas. Vejo o Cristo caminhante, o mesmo que acolheu Madalena e iniciou a conversa com a samaritana, o Cristo que permitiu-se ser tocado pelas "mãos comprometidas" de uma conhecida pecadora.
O Cristo que ama,
O Cristo que busca,
O Cristo que inclui.
E eu? 
Como reagir a verdade de que TODOS NÓS, sem nenhuma exceção, já moramos em esquinas e que em algum momento da história o BANQUETE DA GRAÇA evidenciou-se, vitimando-nos, alcançando-nos, justificando-nos.
Um lamento verbalizado atravessa o meu baço. 
Eu sei exatamente o que fazer!
A gestante sucumbindo em desespero, o travesti que me olha com ausências, a jovem "ruiva" que faminta não sabe buscar, agora fazem parte de mim. 
Que Cristo, a GRAÇA ENCARNADA, tatue-os em mim, no exato lugar onde um dia o MEU BANQUETE ACONTECEU.




sexta-feira, 23 de outubro de 2015

AQUI.

                   
   
Encontro-me sobrevoando os céus, daqui posso ver acima de toda massa quente que provoca desconfortos e turbulências e vejo também além das densas nuvens de chuva. 
Aqui de cima minha visão é ampla e crescente.
Aqui de cima...
Esse é o lugar de permanência em nossa jornada com os Três.
Aqui vejo a vida num plano mais alto,
As urgências do coração Paterno,
Meu lugar na OPUS DEI.
Aqui percebo o que me engessa, comprometendo o avanço do Reino no que diz respeito à minha parcela de responsabilidade;
Aqui ouço com maior clareza a VOZ QUE COLOCA ORDEM ao caos;
Aqui encontro-me com o que é verdadeiro e todo o falso em mim torna-se latente podendo ser muito melhor tratado;
Aqui compreendo que o importante não é o que o homem diz, mas reina soberana a VOZ QUE TUDO CONHECE e SABE;
Aqui convoco o futuro e toco o eterno.
Aqui é o lugar de decidir,
O lugar de direcionar,
O lugar de descansar.
Aqui, onde nada pode afetar o meu espírito...
Nesse lugar, que na verdade é UMA PESSOA!






segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Escolho "ZOE"


     

Fui tomada de uma "crise" de idade! 
Não a crise de ter chegado aos 43 anos, mas a crise do que fiz até o presente momento da minha vida.
Quando retomamos nossa vida no Brasil, eu estava com 25 anos, era o auge da juventude, da força e ousadia, coragem e intrepidez. Os 18 anos seguintes foram cumpridos unicamente em obediência ao nosso Dono. Os meus melhores anos de produtividade foram gastos por aqui.
Pego-me agora, olhando a longa jornada que trilhamos e uma dor vem povoar meu íntimo:
O que teria ocorrido se tivéssemos permanecido nas nações? 
Como nossos filhos teriam sido criados entre os povos?
Com o que os nossos corações estariam envolvidos hoje?
Sinto-me frustrada, mesmo diante de tudo o que Deus pôde construir através de nossa obediência em FICAR.
Hoje, retomamos ao ponto que estávamos há 18 anos atrás. 
Recomeço, novo ciclo, página virada... Independente do nome, o fato é que nossa força física já não é mais a mesma, nossa intrepidez foi vestida de uma certa prudência (que pode se tornar procrastinadora), nossa vida já chegou ao meio.
Cá estamos nós.
Olhando naturalmente, gostaria que tivesse sido diferente. Sinto que podíamos ter feito muito mais entre os povos, que poderíamos ser gastos com assuntos que realmente requerem atenção e disposição de vida. 
Acredito estar num momento de saudosismo pelo que não ocorreu. Nada pior!
Desabei meu interior ao meu ABA e com a nossa casa, fui lembrada da importância do OBEDECER por nosso filho; Paulo citou todas as obras de Deus, nas quais fomos inseridos nesses 18 anos; o doce olhar da nossa filha ansiou me consolar... Em vão. A crise está aqui, forte e destemida, corajosa e intrépida, exatamente como eu era nos meus melhores anos gastos por aqui.
Então, sinto-me gentilmente conduzida aos TRÊS e meus olhos passeiam por João 6, onde Jesus afirma:
- "se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes VIDA em vós mesmos".
Entendo que COMER A CARNE fala de  alimentar-me da natureza de Cristo, fazer dela o meu sustento e vitalidade; BEBER DO SANGUE é um apontamento para fortalecer-me e nutrir-me do Seu sacrifício. Isso implica em submeter a minha natureza delinquente e caída à NATUREZA SANTA E RETA do meu Cristo, escolhendo o Seu andar sacrificial ao meu desejo forte! Em suma, minha vontade não deve prevalecer. A partir daí, dessa forma de vida processual, eu TEREI VIDA, que no grego é ZOE: um estado de vitalidade, ânimo e plenitude, vigor e devoção a Deus. 
Enfim, não se trata da minha idade de agora ou de quantos anos eu tenha gasto com aquilo que não me parecia urgente, mas de viver o processo de santificação e morte diárias para a minha própria natureza e vontades.
Ainda não me sinto consolada, nem saiu do meu coração a angústia de "anos perdidos", mas certamente começo a ter mais luz acerca do que MEU ABA PENSA SOBRE TUDO ISSO.
E certamente é o que importa, apesar de mim.



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Diário da viagem a Ásia...

    
 

Passando os olhos hoje pelo meu diário de viagem à Ásia, encontro tais palavras escritas em contato com a igreja sofredora:

" Na ausência da dor, perde-se a intensidade da nossa devoção. 
O que fazem os servos não feridos? Tornam-se arrogantes, entregam-se a mediocridade ou tornam-se cristãos caçadores de raposas. Podem até inclinar-se para o liberalismo, pois o liberalismo sempre provêm de gente que tem pouca necessidade de Deus.
A dor é o ingrediente essencial da semelhança definitiva com Cristo".

Ouvimos as seguintes palavras de uma cristã sofredora:

"Nós nao precisamos de grandes pastores e pregadores aqui, precisamos apenas de pessoas que queiram servir. Se vocês vem até nós com uma mensagem teológica, mas a vida de vocês não mostra Jesus; se vocês não querem morrer por Cristo e não estão dispostos a servir, então não servem para nada".