sexta-feira, 18 de setembro de 2015

VOCÊ JÁ DEIXOU O CÂNTARO?



O sol causticante anunciava o meio dia. O poço sempre disponível desconhecia multidões naquele horário, não era comum buscar água em meio a tanto calor.
Por isso, ela estava ali. Caminhando lentamente, o cântaro ainda vazio já pesava em seus ombros.
Calor, peso e um coração repleto em pensamentos... assim andava aquela mulher, aquela samaritana.
A dificuldade de buscar água naquele horário era suavizada com o não correr riscos de encontrar-se com outros. Tornava a sua busca isolada e livre dos olhares cruéis. Melhor assim, dizia ela.
Porém aquele dia seria diferente.
De longe, avistou o homem. Pele morena, cabelos sobre os ombros, seus olhos de um castanho forte e penetrante, olharam-na com uma ternura surpreendente. 
Ele iniciou uma conversa e seu coração em sobressalto não sabia decifrar:
- Ele judeu; eu, uma samaritana. Como pode dirigir-se a mim com tanto respeito?
Enquanto falavam da vida, percebeu seu interior investigado, sondando... um alívio inexplicável a possuía e só mais tarde ela compreenderia estar sendo abraçada pela graça.
Entre perguntas e respostas,
Olhares profundos de aceitação,
Sorrisos e pausas,
Ele, o CRISTO revela-se: - EU O SOU, Eu que falo contigo.
O tempo para. 
Ninguém ousou interromper.
A mulher deixa o seu cântaro.
Além do objeto, ela separava-se do peso que carregava sobre si, das angústias, do medo, do julgamento, da ausência, da profunda solidão, do cântico solitário, das lágrimas persistentes, da morte.
Ela deixou a si mesma sob os pés do Nazareno.
Ela deixou, e saiu para O REPARTIR!

Se mais tarde alguém a perguntasse COMO, ela apenas diria: 
- Conversando com Ele, encontrei a mim mesma!




sábado, 5 de setembro de 2015

INCOMPETENTES QUE SOMOS... (Por Max Lucado)


                                    
     
“Não somos apenas indignos; somos incompetentes. Não sabemos o bastante sobre a pessoa para julgá-la. Condenamos um homem por cambalear nesta manhã, mas não vimos a pancada que ele levou ontem. Julgamos uma mulher.por andar mancando, mas não podemos ver o prego em seu sapato. Zombamos do medo em seus olhos, mas não fazemos idéia de quantas pedras já tiveram de se desviar, ou de quantas flechas se esquivar.

Não ignoramos apenas o ontem, mas também o amanhã. Ousaríamos julgar um livro antes que seus capítulos fossem escritos? Podemos dar nossa opinião sobre um quadro, enquanto o artista ainda segura os pincéis? Como pode você repudiar uma alma, antes que o trabalho de Deus seja completado? “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6 NVI).

Cuidado! O Pedro que negou a Jesus na fogueira, esta noite, poderá proclamá-lo com fogo, amanhã, no Pentecostes. O Sansão que hoje está cego e fraco pode usar suas últimas forças para demolir os pilares do ateísmo. O pastor gago desta geração pode ser o poderoso Moisés da geração vindoura. Não chame Noé de louco; talvez você tenha de pedir-lhe uma carona. “Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que o Senhor venha” (1 Co 4.5).

Um criminoso foi condenado à morte por seu país. Em seu último momento, clamou por misericórdia. Houvesse ele pedido clemência ao povo, e ela lhe teria sido negada. Houvesse pedido ao governo, e não lha teriam concedido.

Houvesse pedido às suas vítimas, e elas ter-se-iam tornado surdas. Mas não assim com a graça. Ele virou-se para o vulto ensangüentado, pendurado na cruz próxima a dele, e apelou: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”. E Jesus respondeu-lhe dizendo: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”



quarta-feira, 2 de setembro de 2015

CONFISSÕES


                             

Durante os últimos 18 anos de minha vida, recebi em meu íntimo inúmeros filhos de Deus trazendo consigo a confissão de pecados. Ouvi todos os tipos de histórias: abusos ou vítimas deles, abortos, mentiras, sexo, pornografias, adultérios, indiferenças, mágoas, alianças rompidas, desesperos, etc... Um longa lista permeada de dores.
Sempre me ocorreram alguns pensamentos quando em frente às esses momentos:

1) Considero de muita coragem e dignidade cada um desses que vinham para abrirem seus corações, sob o meu ponto de vista, já estavam no "caminho de volta para Deus". Sempre os respeitei em suas dores e fragilidades porque sou exatamente o humano semelhante. Nenhum de nós está livre de nossas delinquências.

2) Percebo em todos nós que lidamos conosco mesmo que as vezes nos apegamos tão fortemente aos nossos pecados, que impedimos Deus de riscá-los e nos oferecer um recomeço inteiramente novo. Receber o perdão exige uma absoluta aceitação para deixar Deus ser Deus e fazer toda a cura, restauração e reparos. Enquanto nós, filhos do ABA tentarmos fazer isso por nós mesmos, obteremos soluções parciais.

3) Meus olhos assistiam a cada uma dessas histórias de confissões como o ESCÂNDALO DA GRAÇA e preciso admitir que isso me encorajou muito em minha jornada. Não há pecado maior que o sangue do Justo, não há como explicar essa dose de amor extravagante que anseia perdoar e aponta para um ABA profundamente AMANTE esperando o retorno do filho, e certamente vai vê-lo ao longe...
Essa graça que nós, o seu CORPO somos tão falhos em oferecer, afinal nos julgamos acima de deficiências, apesar do nosso discurso ser tão "religiosamente correto".

4) Admiro homens e mulheres que assumem sua humanidade, que não temem expor o seu verdadeiro SER e estão prontos para serem perdoados, se tornarem vítimas da MISERICÓRDIA e GRAÇA. Sou profundamente grata a todos os que confiaram a mim suas fragilidades, eles não têm dimensão do quanto me ensinaram com sua coragem e lágrimas sinceras de "quero ser diferente disso".

A todos estes, incluindo a MIM MESMA, um veredicto eterno: 
- MISERCÓRDIA é Deus não dando ao homem aquilo que ele merece e GRAÇA é Deus dando ao homem aquilo que ele não merece. 
Ninguém sabe do nosso íntimo ao não ser nosso ABA, ouçamos a Sua voz, sejamos abraçados por Ele, lembrando-nos sempre que contra o PERDÃO DIVINO NÃO HÁ ARGUMENTOS, afinal é somente isso que interessa. (Que me perdoem aqueles que se consideram aptos a julgar!)