domingo, 30 de agosto de 2015

Canto em DESencanto! (1* sinfonia)




É quando a casa, de tempos que tem,
Empurra a tinta da parede em cor,
Aponta o cimento, o duro concreto,
Levando a memória do exímio pintor.

Também o é no silêncio do instrumento
Deixado de lado em dias sem som,
Restando o metal, sem ter quem o toque,
Agora uma peça, sem graça e sem tom.

É a flor que partiu nos ventos do sul,
Voando sozinha na terra vagou,
Para enfim, em dias de morte,
Deitar-se aos pés de quem a plantou.

A terna criança, agora crescida,
Deixando a infância, adoecida...
Adoecida da vida, os males que a espera,
Abraçando seus dias de marca e mazela.

A borboleta que voa sem encontrar,
O pólen da vida para sugar. (A flor pereceu no terceiro verso...)

A chuva escassa que não quer cair,
Ressecando a terra para enfim a ferir!

É a eternidade outrora tocada,
Agora distante, desvinculada!
Sem o ardor, o brilho e a canção,
Só o humano, sem cor, sem paixão.

É a imagem de ontem,
Coberta num manto
Escrevendo meu canto
Em desencanto!


Por Ariadna de Oliveira

Nenhum comentário:

Postar um comentário