segunda-feira, 22 de junho de 2015

QUEM CONHECEU

       
   

Aspirantes que somos da varonilidade, em terras de dor iremos, sem dúvida, caminhar.
Nem sempre poupados das marcas profundas e dos contínuos conflitos da razão,
Assim vai sendo escrito a nossa jornada,
Idas e vindas no altar, nunca de mãos vazias, ainda que nao o saibamos,
Cada subida ao Moriá, há um menino a deixar...

Meus preciosos amigos, vocês subiram mais uma vez,
Ninguém dimensiona essa dor e o cântico sozinho que levarão consigo, o TEHILA único e singular, que ao entoar suas primeiras notas fez o nosso ABBA mover-se ao som de suas vozes...
Ainda que o choro, a incerteza, a frustração e o desalento façam parte da melodia agora,
Saibam, vocês estao mais parecidos com o LEÃO e O PAI foi entronizado...

(Aos Meus amigos Nery e Miguel, pela entrega do segundo filho a Deus...)

quarta-feira, 17 de junho de 2015

UMA ORAÇÃO


                                  
   

ABBA, o dia começa cheio de cuidados e demandas,
Mas encontro-me aqui, coração em lágrimas, rosto dobrado e espírito dependente,
Tu és meu lugar de esconder.
Falo sobre tudo o que me aflige, rasgo a minha alma já dilacerada e sossego para ouvir a Sua voz que coloca tudo sob nova perspectiva, que conduz meu coração para lugares elevados e ajeita meu pensar e sentir...
Sim, preciso do Seu olhar, de Sua compaixão, de Sua forma de enxergar o circunstancial.
Preciso compreender o que trará alegria ao NOSSO AMADO e ser levada a praticar.
Ajuda-me a amar com a força de Seu amor, um amor que guarda, que olha com ternura, que não amarga, que não se compromete.
Silêncio...
Meu interior começa a arder, um ardor leve e crescente.
Não estamos sós, o nosso PAPAI está aqui, Ele está atento, nos ensinando, aproximando-nos da proposta do VARÃO PERFEITO, Ele está aqui e sorri, o Seu sorriso diminui a dor, muda nosso olhar, muda a forma que oramos...
A Eternidade abraça uma miserável como eu...

Então em minha pequenez, canto para Ele essa canção:

"ABBA, Eu quero correr essa corrida,
Eu quero guardar a fé, ajude-me a receber a recompensa de conhecê-Lo.
Eu quero ser encontrada fiel, eu quero ser achada constante até o fim...
Eu não quero sentir vergonha no dia em que ver Seu Rosto,
Fortaleça minha forma de andar,
Abraça-me com Sua graça.
Eu quero viver diante de Seus olhos,
Eu quero ficar sob o Seu olhar fixo em mim,
Apenas me deixe ser constante aqui, nesse lugar por todos os dias da minha vida!"









terça-feira, 16 de junho de 2015

INFANTICIAR


                                              

Que olhar é esse que me consome a alma,
Me arrebata a calma dos dias comuns?
No profundo eu sei que sua infância avança
Em desafetos,
Na esperança,
De formar um verbo e tentar viver!

"Infanticiar" em atropelos,
Dias de fome, lágrimas e ausências,
Na poeira branca que te veste a pele,
Nos pés machucados de tanto correr,
Nos olhos cansados de assistir a tragédia,
No sorriso que insiste em meio ao sofrer.

Num primeiro momento, eu agonizo
Embriagada por sons, histórias e cheiro,
Então aquieto e posso ouví-LO:
Deixai-os a mim, não os impeça
Dos pequeninos é o meu Reino!

quinta-feira, 11 de junho de 2015

RUAS

         
       
   
Nessas ruas intensas 
Cheias de gente e de cor,
Encontro histórias imensas
De luta, de perdas, de amor.

Encontro a mulher que vagueia
Vendendo um pouco de pó,
O homem que a rodeia
Correndo do "estar só".

Vejo cenas diversas
Do lixo que alimenta,
Lama, gritos, silêncio,
A luta em vestimenta.

Se por RUAS assim 
Andou meu Cristo a falar 
Quem sou eu, Seu amante 
Para de tais me ausentar?

                               


Entre tantos rostos, esse me marcou profundamente. Estávamos numa região do Haiti chamada Ticaju, trabalhando com uma pequena igreja. 
Ao andar pelas redondezas deparei-me com esse  homem. Rosto marcado pelo sofrer, a fome dilatada em seus olhos, mal conseguia caminhar.
Conversamos um pouco, sorriu com dificuldade, olhou-me profundo e eu soube: Havia aflição no coração de Deus por ele...
Despedimo-nos, e lá se foi o homem, subindo a montanha em seu passo desigual, meu coração em pedaços, olhos em lágrimas, choro de Deus...

DONA MULHER



Ela cantou para mim a ausência,
Apontou em sua resignação como substituir UM alguém que já se foi...
Chorou quando a sua filha disse:
- Mamãe, eu quero um pai.
Respirou fundo e colocou-se em seus muitos papéis.
A mistura do calor, a casa de lona, as três filhas ao redor produziram aqui uma tatuagem.
Eu as vejo quando entro dentro de mim...
Os dias passaram e lá vem a mulher,
Quieta, pausada, serena...
Sobre suas pernas começa a lavar o pó dos nossos dias por lá.
Observo ao longe... É ela.
- Quer alguma coisa, Dona Mulher?
Sorri inteira e me quebra por dentro:
- Apenas serví-los para agradecer.




NÃO FOI...



Não foi entre os seguros que encontrei dependência exemplar,
Nem entre os saciados "aquele sorriso" de SIM, conhecemos o padecer.
Não foi entre os eruditos, o melhor conceito de adorar,
Nem entre os mestres, a força para permanecer!

Não foi nas belas casas que assisti a entrega,
Nem em palácios montados, o ajoelhar sem reservas.

Foi na FOME do homem, da mulher e da criança,
Na noite que abraça mais um dia sem pão,
Nas lágrimas discretas da viúva que sobrevive,
Na insistência dileta do querer continuar.

Volto a mim mesma, sem paciência, em vergonha
Consigo cada dia menos "enfeitar" o viver,
Entendo Tereza em seu grito de CAUSA, dizendo:
- Foi lá que descobri o que é SER!

Que me perdoem os satisfeitos e imunes (ou não perdoem...)
De vida breve e sem ter o que ensinar;
Volto meus olhos para um povo distinto
Que sem pretensão enobreceu meu destino
E avançam em silêncio ensinando-me a AMAR.

(Às negras e nobres "gentes" do HAITI, que me ensinaram em dias o que em anos não consegui aprender aqui!)