sábado, 28 de novembro de 2015

Fitas

                                
 
Perdido o senso do esperar.
Não sabe mais em que direção colocar o seu coração,  às vezes brando e tranquilo, outras, medroso e escondido em desapontamentos...
Suas fitas estão presas entre rimas e memórias de uma mesa farta, barulho constante, gente presente e lugar seguro; falta-lhe o chão para bailar.
Cessou o vento maestro que arranca a sinfonia, e a chuva, antes tranquila desce crua, selvagem e contínua, em gotas pequenas que fazem chorar os céus e ferem a terra.
Escuro em suas recâmaras...
Não há fanfarras, não há canções.
Em letárgica caminhada, a melodia chega e propõe sonhar, a chuva deu à luz a um rebento,
A voz que grita que o Reino virá!

"... Pois Ele é a Voz que fala ao coração sobre esperança e um futuro além do que se pode ver,  e o Reino vem aos que esperam o Desejado das nações, em Seu nome a terra treme, o Reino vem!!!"

Espantada ela pergunta a si mesma: - Que barulho é esse?
É o som das fitas!!! Ouça, elas estão se movendo! O vento fez os seus pés se moverem, eles estão dançando e as fitas... as fitas se movem à regência do maestro. 
Olhar no caminho, correntes quebradas, liberdade.
Começo do fim...






terça-feira, 3 de novembro de 2015

NUANCES



Noite.
A garota vencera mais um relógio de lida.
Tantas responsabilidades para tão pouca idade, ali, de pé numa rua mal iluminada. 
Medo crescente, um quase desejo de correr para chegar ao portão da casa e finalmente descansar.
Descansar da labuta, da maturidade forçada, do proteger-se...

Ela não soube ao certo de onde eles surgiram, nem quantos eram, apenas recorda-se dos risos nervosos e as palavras que insinuavam morte. 
Um rosto destacou-se.
Medo tornou-se pavor e ela soube que o pavor pode imobilizar!
Sem fugas ou proteção, sem defesas visíveis ou muros ao redor.
Lembra-se da luz forte em seu rosto e uma mão arrancando-a dali com firmeza e intrepidez.
Tudo o mais é uma cortina escura.
Na cena seguinte, ela está em casa, seu suposto lugar seguro, rosto entre as mãos, desespero silencioso.
Mais tarde ela saberia, ABA...



TSNBH (Ao que lê, entenda-se...)




Vida que não está solta,
Amarrada com firmeza a um feixe,
Frescor,
Reflorescimento,
Fonte de sustento e renovação.
Que o meu silêncio cheio de coisas que sei
Seja o carvão para o fogo ativar!



Por Ariadna de Oliveira

A PATOLOGIA DO FILHO MAIS VELHO



" A parte do filho mais velho (presente em todos nós), encontra-se perdido. Tornou-se um estranho em sua própria casa. Não há comunhão.
Todo relacionamento é permeado pela escuridão. Estar com medo ou mostrar desprezo, ter de submeter-se ou controlar, ser um opressor ou uma vítima: estas são as opções para aquele que fica fora da luz. 
Os pecados não podem ser confessados, o perdão não pode ser obtido, não pode haver reciprocidade do amor. A verdadeira comunhão tornou-se impossível.
Conheço a dor desta categoria.
Nela, tudo perde a sua espontaneidade.
Tudo se trona suspeito, constrangedor, calculado e cheio de segundas intenções.
Não há mais confiança.
Cada pequeno passo requer uma retribuição; cada pequena observação pede uma análise; o menor gesto tem de ser medido.
Esta é a patologia da escuridão.
Há uma maneira de escapar? Não creio que haja - não do meu lado, pelo menos. Parece que quanto mais tento me desvencilhar da escuridão, mais escuro fica. Não posso sair do terreno da minha raiva. Não posso caminhar para casa, nem por minha conta, entrar em comunhão.
Isso precisa me ser dado.
A história do Filho Pródigo é a de um Deus que me procura e não descansa até que me encontre.
Ele insiste e suplica.
Ele me pede que deixe de me apegar a estados de espírito que levem à morte e me deixe alcançar por braços que me carregarão para o lugar que encontrarei a VIDA que mais desejo".


À MEL, e a todos os outros que lutam contra essa patologia... por Nouwen.



sábado, 31 de outubro de 2015

GRITO

Pode ainda um coração golpeado ser tomado de compaixão?
Pode um caráter atacado decidir pelo silêncio acerca de tudo o que sabe?
Como não duvidar de todos, já que os de perto demonstram-se cruéis?
Como desejar relacionar-se, se já não se tem certeza de muita coisa?
É possível permanecer?
É possível acreditar?
E se de repente a Noiva começa a perder o brilho que um dia pareceu ter,
E a comunhão parece agora uma conto utópico.

Esse é o grito dos que foram feridos,
Os pensamentos secretos dos que confiaram,
O conflito dos que ouviram sobre GRAÇA toda uma vida e se acham perdidos e confusos nesse teatro chamado religião.
Ahhhh, o Cristo blasfemado entre os povos pela ausência que oferecemos nós.

HÁ UM CAMINHO:
- Use os golpes para se estender aos feridos,
- O silêncio para guardar a integridade de indivíduos e famílias.
- Coloque os olhos, ainda que devagar, sobre aqueles que Cristo lhe presentear.
- Orar GERA o permanecer,
- Constância na Palavra fortalece a fé,
- No final do LIVRO, a Noiva será gloriosa e a comunhão será fato.

E se hoje, tudo parece sem cor, certamente o amanhã será marcado pela promessa cumprida, então, que VENHA O AMANHÃ.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O Reino no vale

                              


Num longíquo vale nas encostas do centro-sul chinês pode-se ouvir canções,
É fevereiro. 
Todas as famílias daquele lugar celebram, o vale é banhado pela melodia e as montanhas, bosques, árvores e planícies aguardam com expectativa pela canção que os remeterá ao Eterno.
São os Dongs.
De longe, vê-se DONG ZÚ. Ele caminha entre o seu povo, um misto de cor, alegria e esperança parecem reacender o seu espírito. Há apenas alguns dias experimentou o Cristo em seu íntimo, e agora, o novo é desvendado. Um alegria inexplicável toma o seu coração e por alguma razão, ele sabe, que o tesouro recebido precisa ser repartido.
Em sua vila, é fim de colheita.
DONG ZÚ aproxima-se da torre de sua família, seus olhos quase não alcançam o topo daquela construção pelos últimos raios de sol que vibrantes anunciam o fim de mais um dia.
Numa espécie de convocação do futuro, DONG vê o Espírito de Deus sobre o vale.
As torres, outrora reverenciadas, são apenas marco de uma cultura,
O medo dos ancestrais deu lugar a uma confiança firme Naquele que Vive,
O vale continua repleto de canções, canções que exaltam a Cristo. A natureza pode enfim dançar!
Atônito, DONG cai de joelhos, rosto entre as mãos, choro quieto:
- Pai, venha o Teu reino nesse lugar!


domingo, 25 de outubro de 2015

Esquinas...

                                    

A rua já dormia em seus comércios e lidas.
Pouca gente, pouca luz, hora avançada.
Um desfile do sofrer começa a surgir, mulheres de todas as idades, nudez quase exposta, maquiagens fortes para disfarçar a dor de mais uma noite...
Objetos numa vitrine de caos.
Posso ver uma jovem, em seus 20 e poucos anos, entorpecida, andando como alguém que há muito não sabe mais para onde ir, perdida em suas mazelas. Passo por ela, junto à pele morena e o rosto envelhecido, diminuta roupa acena uma crescente abdominal que grita a plenos pulmões:
- Em alguns dias serei mãe.
Mais adiante, numa esquina pálida, dois travestis. Nossos olhares se cruzam e por frações de segundo imagino "a história por trás da máscara", as dores que se amontoam dilacerantes no corpo já modificado, a fome, a ausência, a falta do que esperar.
Minha atenção cai sobre quatro meninas. 
Certamente, garotas que poderiam ser minhas filhas. Corpos ainda jovens, riso alto e aquela pitada de ousadia comum a essa idade. Uma delas, a líder, vestida de um vermelho vivo que acompanha a cor de seus cabelos pintados, levanta-se e põe-se a andar gritando palavrões e oferecendo sua raiva a qualquer um que se aproxime...
É seguida pelas outras, um mesmo caminho, um mesmo cansaço, o mesmo morrer.
Sou adoecida pela dor do ABA, num extravasar de lágrimas e preces percebo a GRAÇA em passos largos por essas esquinas. Vejo o Cristo caminhante, o mesmo que acolheu Madalena e iniciou a conversa com a samaritana, o Cristo que permitiu-se ser tocado pelas "mãos comprometidas" de uma conhecida pecadora.
O Cristo que ama,
O Cristo que busca,
O Cristo que inclui.
E eu? 
Como reagir a verdade de que TODOS NÓS, sem nenhuma exceção, já moramos em esquinas e que em algum momento da história o BANQUETE DA GRAÇA evidenciou-se, vitimando-nos, alcançando-nos, justificando-nos.
Um lamento verbalizado atravessa o meu baço. 
Eu sei exatamente o que fazer!
A gestante sucumbindo em desespero, o travesti que me olha com ausências, a jovem "ruiva" que faminta não sabe buscar, agora fazem parte de mim. 
Que Cristo, a GRAÇA ENCARNADA, tatue-os em mim, no exato lugar onde um dia o MEU BANQUETE ACONTECEU.




sexta-feira, 23 de outubro de 2015

AQUI.

                   
   
Encontro-me sobrevoando os céus, daqui posso ver acima de toda massa quente que provoca desconfortos e turbulências e vejo também além das densas nuvens de chuva. 
Aqui de cima minha visão é ampla e crescente.
Aqui de cima...
Esse é o lugar de permanência em nossa jornada com os Três.
Aqui vejo a vida num plano mais alto,
As urgências do coração Paterno,
Meu lugar na OPUS DEI.
Aqui percebo o que me engessa, comprometendo o avanço do Reino no que diz respeito à minha parcela de responsabilidade;
Aqui ouço com maior clareza a VOZ QUE COLOCA ORDEM ao caos;
Aqui encontro-me com o que é verdadeiro e todo o falso em mim torna-se latente podendo ser muito melhor tratado;
Aqui compreendo que o importante não é o que o homem diz, mas reina soberana a VOZ QUE TUDO CONHECE e SABE;
Aqui convoco o futuro e toco o eterno.
Aqui é o lugar de decidir,
O lugar de direcionar,
O lugar de descansar.
Aqui, onde nada pode afetar o meu espírito...
Nesse lugar, que na verdade é UMA PESSOA!






segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Escolho "ZOE"


     

Fui tomada de uma "crise" de idade! 
Não a crise de ter chegado aos 43 anos, mas a crise do que fiz até o presente momento da minha vida.
Quando retomamos nossa vida no Brasil, eu estava com 25 anos, era o auge da juventude, da força e ousadia, coragem e intrepidez. Os 18 anos seguintes foram cumpridos unicamente em obediência ao nosso Dono. Os meus melhores anos de produtividade foram gastos por aqui.
Pego-me agora, olhando a longa jornada que trilhamos e uma dor vem povoar meu íntimo:
O que teria ocorrido se tivéssemos permanecido nas nações? 
Como nossos filhos teriam sido criados entre os povos?
Com o que os nossos corações estariam envolvidos hoje?
Sinto-me frustrada, mesmo diante de tudo o que Deus pôde construir através de nossa obediência em FICAR.
Hoje, retomamos ao ponto que estávamos há 18 anos atrás. 
Recomeço, novo ciclo, página virada... Independente do nome, o fato é que nossa força física já não é mais a mesma, nossa intrepidez foi vestida de uma certa prudência (que pode se tornar procrastinadora), nossa vida já chegou ao meio.
Cá estamos nós.
Olhando naturalmente, gostaria que tivesse sido diferente. Sinto que podíamos ter feito muito mais entre os povos, que poderíamos ser gastos com assuntos que realmente requerem atenção e disposição de vida. 
Acredito estar num momento de saudosismo pelo que não ocorreu. Nada pior!
Desabei meu interior ao meu ABA e com a nossa casa, fui lembrada da importância do OBEDECER por nosso filho; Paulo citou todas as obras de Deus, nas quais fomos inseridos nesses 18 anos; o doce olhar da nossa filha ansiou me consolar... Em vão. A crise está aqui, forte e destemida, corajosa e intrépida, exatamente como eu era nos meus melhores anos gastos por aqui.
Então, sinto-me gentilmente conduzida aos TRÊS e meus olhos passeiam por João 6, onde Jesus afirma:
- "se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes VIDA em vós mesmos".
Entendo que COMER A CARNE fala de  alimentar-me da natureza de Cristo, fazer dela o meu sustento e vitalidade; BEBER DO SANGUE é um apontamento para fortalecer-me e nutrir-me do Seu sacrifício. Isso implica em submeter a minha natureza delinquente e caída à NATUREZA SANTA E RETA do meu Cristo, escolhendo o Seu andar sacrificial ao meu desejo forte! Em suma, minha vontade não deve prevalecer. A partir daí, dessa forma de vida processual, eu TEREI VIDA, que no grego é ZOE: um estado de vitalidade, ânimo e plenitude, vigor e devoção a Deus. 
Enfim, não se trata da minha idade de agora ou de quantos anos eu tenha gasto com aquilo que não me parecia urgente, mas de viver o processo de santificação e morte diárias para a minha própria natureza e vontades.
Ainda não me sinto consolada, nem saiu do meu coração a angústia de "anos perdidos", mas certamente começo a ter mais luz acerca do que MEU ABA PENSA SOBRE TUDO ISSO.
E certamente é o que importa, apesar de mim.



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Diário da viagem a Ásia...

    
 

Passando os olhos hoje pelo meu diário de viagem à Ásia, encontro tais palavras escritas em contato com a igreja sofredora:

" Na ausência da dor, perde-se a intensidade da nossa devoção. 
O que fazem os servos não feridos? Tornam-se arrogantes, entregam-se a mediocridade ou tornam-se cristãos caçadores de raposas. Podem até inclinar-se para o liberalismo, pois o liberalismo sempre provêm de gente que tem pouca necessidade de Deus.
A dor é o ingrediente essencial da semelhança definitiva com Cristo".

Ouvimos as seguintes palavras de uma cristã sofredora:

"Nós nao precisamos de grandes pastores e pregadores aqui, precisamos apenas de pessoas que queiram servir. Se vocês vem até nós com uma mensagem teológica, mas a vida de vocês não mostra Jesus; se vocês não querem morrer por Cristo e não estão dispostos a servir, então não servem para nada".

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

VOCÊ JÁ DEIXOU O CÂNTARO?



O sol causticante anunciava o meio dia. O poço sempre disponível desconhecia multidões naquele horário, não era comum buscar água em meio a tanto calor.
Por isso, ela estava ali. Caminhando lentamente, o cântaro ainda vazio já pesava em seus ombros.
Calor, peso e um coração repleto em pensamentos... assim andava aquela mulher, aquela samaritana.
A dificuldade de buscar água naquele horário era suavizada com o não correr riscos de encontrar-se com outros. Tornava a sua busca isolada e livre dos olhares cruéis. Melhor assim, dizia ela.
Porém aquele dia seria diferente.
De longe, avistou o homem. Pele morena, cabelos sobre os ombros, seus olhos de um castanho forte e penetrante, olharam-na com uma ternura surpreendente. 
Ele iniciou uma conversa e seu coração em sobressalto não sabia decifrar:
- Ele judeu; eu, uma samaritana. Como pode dirigir-se a mim com tanto respeito?
Enquanto falavam da vida, percebeu seu interior investigado, sondando... um alívio inexplicável a possuía e só mais tarde ela compreenderia estar sendo abraçada pela graça.
Entre perguntas e respostas,
Olhares profundos de aceitação,
Sorrisos e pausas,
Ele, o CRISTO revela-se: - EU O SOU, Eu que falo contigo.
O tempo para. 
Ninguém ousou interromper.
A mulher deixa o seu cântaro.
Além do objeto, ela separava-se do peso que carregava sobre si, das angústias, do medo, do julgamento, da ausência, da profunda solidão, do cântico solitário, das lágrimas persistentes, da morte.
Ela deixou a si mesma sob os pés do Nazareno.
Ela deixou, e saiu para O REPARTIR!

Se mais tarde alguém a perguntasse COMO, ela apenas diria: 
- Conversando com Ele, encontrei a mim mesma!




sábado, 5 de setembro de 2015

INCOMPETENTES QUE SOMOS... (Por Max Lucado)


                                    
     
“Não somos apenas indignos; somos incompetentes. Não sabemos o bastante sobre a pessoa para julgá-la. Condenamos um homem por cambalear nesta manhã, mas não vimos a pancada que ele levou ontem. Julgamos uma mulher.por andar mancando, mas não podemos ver o prego em seu sapato. Zombamos do medo em seus olhos, mas não fazemos idéia de quantas pedras já tiveram de se desviar, ou de quantas flechas se esquivar.

Não ignoramos apenas o ontem, mas também o amanhã. Ousaríamos julgar um livro antes que seus capítulos fossem escritos? Podemos dar nossa opinião sobre um quadro, enquanto o artista ainda segura os pincéis? Como pode você repudiar uma alma, antes que o trabalho de Deus seja completado? “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6 NVI).

Cuidado! O Pedro que negou a Jesus na fogueira, esta noite, poderá proclamá-lo com fogo, amanhã, no Pentecostes. O Sansão que hoje está cego e fraco pode usar suas últimas forças para demolir os pilares do ateísmo. O pastor gago desta geração pode ser o poderoso Moisés da geração vindoura. Não chame Noé de louco; talvez você tenha de pedir-lhe uma carona. “Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que o Senhor venha” (1 Co 4.5).

Um criminoso foi condenado à morte por seu país. Em seu último momento, clamou por misericórdia. Houvesse ele pedido clemência ao povo, e ela lhe teria sido negada. Houvesse pedido ao governo, e não lha teriam concedido.

Houvesse pedido às suas vítimas, e elas ter-se-iam tornado surdas. Mas não assim com a graça. Ele virou-se para o vulto ensangüentado, pendurado na cruz próxima a dele, e apelou: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”. E Jesus respondeu-lhe dizendo: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”



quarta-feira, 2 de setembro de 2015

CONFISSÕES


                             

Durante os últimos 18 anos de minha vida, recebi em meu íntimo inúmeros filhos de Deus trazendo consigo a confissão de pecados. Ouvi todos os tipos de histórias: abusos ou vítimas deles, abortos, mentiras, sexo, pornografias, adultérios, indiferenças, mágoas, alianças rompidas, desesperos, etc... Um longa lista permeada de dores.
Sempre me ocorreram alguns pensamentos quando em frente às esses momentos:

1) Considero de muita coragem e dignidade cada um desses que vinham para abrirem seus corações, sob o meu ponto de vista, já estavam no "caminho de volta para Deus". Sempre os respeitei em suas dores e fragilidades porque sou exatamente o humano semelhante. Nenhum de nós está livre de nossas delinquências.

2) Percebo em todos nós que lidamos conosco mesmo que as vezes nos apegamos tão fortemente aos nossos pecados, que impedimos Deus de riscá-los e nos oferecer um recomeço inteiramente novo. Receber o perdão exige uma absoluta aceitação para deixar Deus ser Deus e fazer toda a cura, restauração e reparos. Enquanto nós, filhos do ABA tentarmos fazer isso por nós mesmos, obteremos soluções parciais.

3) Meus olhos assistiam a cada uma dessas histórias de confissões como o ESCÂNDALO DA GRAÇA e preciso admitir que isso me encorajou muito em minha jornada. Não há pecado maior que o sangue do Justo, não há como explicar essa dose de amor extravagante que anseia perdoar e aponta para um ABA profundamente AMANTE esperando o retorno do filho, e certamente vai vê-lo ao longe...
Essa graça que nós, o seu CORPO somos tão falhos em oferecer, afinal nos julgamos acima de deficiências, apesar do nosso discurso ser tão "religiosamente correto".

4) Admiro homens e mulheres que assumem sua humanidade, que não temem expor o seu verdadeiro SER e estão prontos para serem perdoados, se tornarem vítimas da MISERICÓRDIA e GRAÇA. Sou profundamente grata a todos os que confiaram a mim suas fragilidades, eles não têm dimensão do quanto me ensinaram com sua coragem e lágrimas sinceras de "quero ser diferente disso".

A todos estes, incluindo a MIM MESMA, um veredicto eterno: 
- MISERCÓRDIA é Deus não dando ao homem aquilo que ele merece e GRAÇA é Deus dando ao homem aquilo que ele não merece. 
Ninguém sabe do nosso íntimo ao não ser nosso ABA, ouçamos a Sua voz, sejamos abraçados por Ele, lembrando-nos sempre que contra o PERDÃO DIVINO NÃO HÁ ARGUMENTOS, afinal é somente isso que interessa. (Que me perdoem aqueles que se consideram aptos a julgar!)






segunda-feira, 31 de agosto de 2015

PRIMAVERA, lá vem ela!



Estações também marcam a nossa peregrinação, elas são a lembrança para um fim que chamaremos COMEÇO, onde tudo será claro e palpável.
Esse SETEMBRO vem com novo sabor, novas expectativas, uma liberdade que me impulsiona para os braços do ABA, sem medos, receios ou impasses.
Minha primavera está vindo...
Meu íntimo estremece ao recordar o JUBILEU, ahhh Jerusalém, se eu me esquecer de ti...
Um novo livro, novos rostos, coração amadurecido no legado do sofrer.
Liberdade!
Corro para o colo do meu ABA, ouço-O perguntar: Que desejas?
A resposta mudará o rumo, o traço, o destino!






domingo, 30 de agosto de 2015

O VENTO SOPROU MAIS FORTE NESSA MANHÃ...




Em meio as cinzas e o medo
Sinto Sua mão me levantar,
Forte e segura
Apontando o caminho!

O Vento soprou mais forte nessa manhã
Levando minhas lágrimas e dúvidas,
O Vento soprou mais forte em meu coração
Cantando nova melodia!

A mesa é voluntária,
Como também o avançar,
Meu destino sorriu com intensidade
E me beijou, sim, me beijou!

O Vento soprou mais forte nessa manhã
Eu não vou resisití-lo,
O tempo corre, as horas gritam
E o Vento precisa de mim.

O vale está em movimento,
Ossos se encontram e se encorajam
Há vida surgindo da morte,
Há uma semente a ser guardada.

O Vento soprou mais forte nessa manhã
E tocou minha razão,
O sol está alto, quase meio dia
E eu posso sentir seu calor em mim...

Conhecer Sua mente,
Desvendar Seu conselho,
Eis a minha vocação...
Zelar pelo grão que vai morrer,
Chorar, abraçá-lo e então partir
O Vento soprou mais forte nessa manhã
E Ele disse:
" - Viva por isso, morra por Mim"!

Ariadna de Oliveira

Canto em DESencanto! (1* sinfonia)




É quando a casa, de tempos que tem,
Empurra a tinta da parede em cor,
Aponta o cimento, o duro concreto,
Levando a memória do exímio pintor.

Também o é no silêncio do instrumento
Deixado de lado em dias sem som,
Restando o metal, sem ter quem o toque,
Agora uma peça, sem graça e sem tom.

É a flor que partiu nos ventos do sul,
Voando sozinha na terra vagou,
Para enfim, em dias de morte,
Deitar-se aos pés de quem a plantou.

A terna criança, agora crescida,
Deixando a infância, adoecida...
Adoecida da vida, os males que a espera,
Abraçando seus dias de marca e mazela.

A borboleta que voa sem encontrar,
O pólen da vida para sugar. (A flor pereceu no terceiro verso...)

A chuva escassa que não quer cair,
Ressecando a terra para enfim a ferir!

É a eternidade outrora tocada,
Agora distante, desvinculada!
Sem o ardor, o brilho e a canção,
Só o humano, sem cor, sem paixão.

É a imagem de ontem,
Coberta num manto
Escrevendo meu canto
Em desencanto!


Por Ariadna de Oliveira

DIREÇÃO





Por muito tempo a cidade foi o lugar mais seguro da terra, ainda que todas as estações oferecessem suas secas e colheitas, era o melhor lugar para voltar...
Ali nasceram pessoas, as lágrimas e gargalhadas fundiam-se num impressionante balé de cores e músicas! Tudo parecia tão LAR.
Não se costurava em seu coração nenhum outro retalho, sentia-se vestida e desnuda com a mesma liberdade, podia falar da eternidade e de sua humanidade com as mesmas pessoas sem vê-las afetadas em admiração e escárnio (claro, com algumas pessoas...)
Era seu lugar!
Ninguém sabe ao certo quando o vento soprou para outra direção, mas ela soube com o passar dos dias...
Seu rosto ousou olhar para as bandas do azul em movimento e uma imagem turva foi alinhando-se devagar, entre ondas e barquinhos, a imagem foi ficando alta e cada vez mais próxima...
Sem dúvida, era hora de asas de pomba.
O terreno seguro de outrora tomou novos sabores e as histórias guardadas, trancadas em ética e compaixão vão sendo esquecidas por seus protagonistas!!! Como seria se a caixa se abrisse e jogasse fora tudo o que guarda??? Não será, por compromisso, por decisão, por seriedade!
Enfim...
Uma névoa atrativa, quase misteriosa e profundamente válida, por onde se mergulha e vai desaparecendo lentamente...
Um novo capítulo.


Por Ariadna de Oliveira

COMO EXPLICAR?




Como resolver essa saudade
De um lugar que eu nunca vi,
Dos olhos eternos que me contemplam,
O sorriso apaixonado que me cativou...
Sou como um peregrino em floresta densa
Procurando por um ponto de luz a me guiar,
Um vento, uma canção, uma forma de partir
Que complete o vazio em MEU coração.

Recorro às vozes que do passado ecoam,
Encontro Guyon em sua masmorra,
Nome do Amado costurado no peito
Profundo anseio a sucumbi-la...
Toco em Elisabete dos TRÊS e a escuto sussurrar:
"Ariadna, dentro de você há uma santuário que não pode ser violado, no qual se passam as coisas "mui secretas entre Sua Majestade, o REI e você".

Estou aqui, voltando lentamente
Um pouco tímida no meu "extravagar"
E avanço resoluta, perseguindo
Não uma história, mas AQUILO QUE SOU!


Por Ariadna de Oliveira

À BRENNAN MANNING...




A chuva caiu mais lenta naquela manhã,
Partia um miserável abraçado pela graça.
O IMPOSTOR foi então vencido,
Enfim tomado pelo ANSEIO FURIOSO DE DEUS...

Brennan de muitos tons,
Pensamentos,
Lágrimas
E paixões.

Manning de um só ABA,
Contemplativo,
Compadecido,
Contemporâneo.

Homem que beijou a Cruz,
Fez dela poesia e encanto
Sem deturpá-la,
Sem ofendê-la,
Sem teoria,
Andou em vida,
Amou a VIDA
E partiu ao SEU encontro.

Sua "nota" permanece,
No maltrapilho,
Na solitude,
Na colcha de retalhos.
Que os céus, agora em festa
Beijando o filho recém chegado
Destile sobre nós, ainda em terra,
De Brennan, o seu forte legado!


Ariadna de Oliveira

VESTIDO NOVO




É assim que se contam meus ciclos? 
Com novos vestidos a coser? 
Vivendo em diárias descobertas, 
O CRONOS no KAIROS, 
O dia no viver.  

Estou tão absorta em tempos, 
Sem meios, começos ou fim 
Que tudo me parece estranho 
Ainda que mais claro a mim! 

Praticando o JARDIM 
Na Palavra, em quietude e silêncio, 
Diante da MESA ouço-O falar 
Arrefeço-me em indagações, 
Persegue-me o medo de errar. 

Solitária de "gentes" 
Aproximo-me... 
Assinam-me filtros, 
Tranquilizo-me. 

Encorajada a avançar, 
Em canções, perfumes e madrugadas 
Rendida aos TRÊS, 
Estou fadada, 
No íntimo, exulto,
Na prática, entrego-me! 

Sorrio timidamente, 
Não sei o que me espera (ainda!) 
Mas vou... Ele é confiável 
Está chegando a PRIMAVERA!



terça-feira, 18 de agosto de 2015

CASA DO ACOLHIMENTO



Em dias de nuvens densas e escuras, onde o nosso coração batia em descompasso, em inconstantes movimentos de uma fé inabalável e dúvidas humanas, o ABA cuidou de formar um caminho para Si mesmo dentro de mim.
Como disse uma grande amiga: Na expressão Paterna de Deus, o Seu caráter é de acolher, e de fato o foi.
A casa tinha cheiro de afetos, de compaixão e de inclusão. Um lugar possuído pelo HOMEM DE DORES.
Não foi pela atenção, pelas comidas ou pelas "gentes maravilhosas" que passaram por lá, mas pela PRESENÇA PATERNA SUAVE E VIOLENTA (o paradoxo mais envolvente de toda a eternidade) que me visitou e me fez avançar.
Não pela efusão de alegria, mas pelo convite de aprofundar-me no ABA;
Não pela sensação de "EU SOU SEU PAI e ESTAREI LÁ", mas pelo caminho que começo a trilhar.
Qualquer verbalizar seria frágil para o que se forma e dentre todos os lugares onde o ABA poderia ter me levado para presentear-me, Ele escolheu VOCÊS: Valter e Marta, a casa onde o PAI ACOLHE.
Jamais esquecerei isso.



segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A SÓS...



Madrugada,
Silêncio das "gentes",
Coração disparado,
Um convite.
Aproximo-me,
Assento-me,
Ele está aqui, sempre esteve, sempre estará.
SEMPRE no sentido ETERNO da palavra.

ABBA...




sábado, 8 de agosto de 2015

MEU PAI TEM MÃOS FORTES!



Ao longo de nossas vidas, vamos armazenando imagens, sons, lembranças...
Hoje pensei nos dias da minha infância onde meu pai, Anivaldo, costumava caminhar comigo de mãos dadas. A recordação foi tão viva que pareço sentir a força de suas mãos agarradas às minhas enquanto andávamos pela nossa cidade conversando sobre muitas coisas... Engraçado, não me lembro do teor dos assuntos, mas a segurança de suas mãos apertando as minhas é uma imagem viva ainda hoje.
Naqueles momentos eu me sentia protegida, querida, guiada. Tinha a clara impressão de que nada poderia me acontecer, minhas pequenas mãos estavam enterradas naquelas mãos fortes e "grandonas".

Ontem (07.08.15) entrei no quarto de meu pai, lá estava ele, imóvel, de olhos cerrados, lutando com mais uma crise infecciosa que o manteve alguns dias no hospital. Aproximei-me, toquei o seu rosto, nenhuma reação... 
Pareço ter ouvido um suspiro mais forte, mas não sei dizer se realmente ocorreu ou se trata do meu anseio de vê-lo saudável, alegre, de pé... 
Retirei o lençol que o cobria e tomei a sua mão, a pele está fina, os dedos muito inchados pelo tempo passado no hospital, imóvel. 
Tomei-a e a fiz descansar sobre a cama.
As mesmas mãos que um dia encheram meu coração de tranquilidade...

Hoje (08.08.15), logo pela manhã, vou para o LUGAR SECRETO e encontro-me exposta à Palavra, meu sustento, alívio e vida. Começo a leitura de Josué e deparo-me com essa porção:
- A mão do Senhor é forte... (Js.4:24)
Essa pequenina frase tomou profundamente o meu interior. Fechei a Bíblia e O ouvi dizer:
- Ariadna, EU, o seu PAI tenho MÃOS FORTES!!!




quinta-feira, 6 de agosto de 2015

SILENCIAR



O chamado ao silêncio é uma decisão.
Silenciar para as distrações e praticar o LUGAR SECRETO.
Silenciar nos aproxima do SAGRADO,
Nos faz vencer nossa natureza e amar o não amável!
Silenciar nos acrescenta,
Faz-nos desejar o bem em toda a sua intensidade àqueles que nos espreitam,
Faz-nos olhar com os olhos ternos, ainda que tomados das águas da aflição.
Silenciar é um chamado:

GUARDA SILÊNCIO E OUÇA, Ó ISRAEL! Dt.27:9




sexta-feira, 24 de julho de 2015

Um SALMO pela manhã...

         
 

Meu Papai,
O meu silêncio está vestido de perplexidade,
Pela maldade do coração humano.
O meu silêncio está vestido de espanto,
Pela estranheza do coração humano,
De fato, todos nós assentamos à mesa, tomamos um pedaço do pão e saímos para fazer o que estava em nossos corações...
O meu silêncio está vestido de fraqueza,
Pelo inesperado daqueles a quem amamos,
As palavras que tentam nos matar,
A incredulidade que passeia por perto.

Então, procuro refúgio em Tua verdade,
E faço dançar minhas lágrimas por entre verbos,
Com a esperança, ainda que diminuta,
De que o VERBO me encontre e grite bem alto: EU SOU!

Socorra-nos Deus!




sábado, 18 de julho de 2015

PLEROO



O Convite é nobre e possível:
- Filha, não se intoxique ou embriague-se com o que pode deixá-la agitada, com pensamentos e sentimentos em fervura. O fruto disso é descontrole e desperdício de vida, energia e emoções.
Quero que seja cheia do Meu Espírito, vamos, experimente o PLEROO! Permita-se ser preenchida ao máximo, abundantemente, suprida liberalmente. 
Foque seu olhar e fala em Minha Palavra; exponha-se ao Vento e retire Dele sua inspiração para cantar e poetizar. Lembre-se: Seja grata por todas as coisas e em todos os momentos.
Ceda, coopere, assuma responsabilidades, leve cargas dos outros segundo a orientação do Seu Cristo.

Reflito um pouco, revejo tesouros, entro numa escala progressiva de canções e poemas que só Ele poderá compreender e isso é tão confortador.
Aliada a "estranheza do retorno" um discreto sentimento da SOBERANIA sobre o TRONO.

MEU PAI...




A dor que corta minh'alma é lida pelo AUTOR, aguda, profunda e contínua...
Seu sorriso secreto, seu olhar distante, lágrimas escassas que às vezes consigo perceber.
Sinto sua ausência PAI, sinto com a força que há em mim.
Quero te falar sobre a vida hoje, os cortes que sofri, o choro que derramo, os caminhos com flores e pedras, música e silêncio...
E ouvir seu coração pontuando-me e dizendo a verdade com a doçura que constrói.
Temo não poder fazê-lo mais nessa terra da nossa peregrinação.
Sigo com um aperto bem dentro,
Meio menina, sua menina...
Meio gente grande que você assistiu crescer.
Olho para ELE, o nosso primeiro AMOR e peço que na TRAVESSIA venha tomar-te, meu pai, pela mão.
E estou certa, ELE VIRÁ...





segunda-feira, 22 de junho de 2015

QUEM CONHECEU

       
   

Aspirantes que somos da varonilidade, em terras de dor iremos, sem dúvida, caminhar.
Nem sempre poupados das marcas profundas e dos contínuos conflitos da razão,
Assim vai sendo escrito a nossa jornada,
Idas e vindas no altar, nunca de mãos vazias, ainda que nao o saibamos,
Cada subida ao Moriá, há um menino a deixar...

Meus preciosos amigos, vocês subiram mais uma vez,
Ninguém dimensiona essa dor e o cântico sozinho que levarão consigo, o TEHILA único e singular, que ao entoar suas primeiras notas fez o nosso ABBA mover-se ao som de suas vozes...
Ainda que o choro, a incerteza, a frustração e o desalento façam parte da melodia agora,
Saibam, vocês estao mais parecidos com o LEÃO e O PAI foi entronizado...

(Aos Meus amigos Nery e Miguel, pela entrega do segundo filho a Deus...)

quarta-feira, 17 de junho de 2015

UMA ORAÇÃO


                                  
   

ABBA, o dia começa cheio de cuidados e demandas,
Mas encontro-me aqui, coração em lágrimas, rosto dobrado e espírito dependente,
Tu és meu lugar de esconder.
Falo sobre tudo o que me aflige, rasgo a minha alma já dilacerada e sossego para ouvir a Sua voz que coloca tudo sob nova perspectiva, que conduz meu coração para lugares elevados e ajeita meu pensar e sentir...
Sim, preciso do Seu olhar, de Sua compaixão, de Sua forma de enxergar o circunstancial.
Preciso compreender o que trará alegria ao NOSSO AMADO e ser levada a praticar.
Ajuda-me a amar com a força de Seu amor, um amor que guarda, que olha com ternura, que não amarga, que não se compromete.
Silêncio...
Meu interior começa a arder, um ardor leve e crescente.
Não estamos sós, o nosso PAPAI está aqui, Ele está atento, nos ensinando, aproximando-nos da proposta do VARÃO PERFEITO, Ele está aqui e sorri, o Seu sorriso diminui a dor, muda nosso olhar, muda a forma que oramos...
A Eternidade abraça uma miserável como eu...

Então em minha pequenez, canto para Ele essa canção:

"ABBA, Eu quero correr essa corrida,
Eu quero guardar a fé, ajude-me a receber a recompensa de conhecê-Lo.
Eu quero ser encontrada fiel, eu quero ser achada constante até o fim...
Eu não quero sentir vergonha no dia em que ver Seu Rosto,
Fortaleça minha forma de andar,
Abraça-me com Sua graça.
Eu quero viver diante de Seus olhos,
Eu quero ficar sob o Seu olhar fixo em mim,
Apenas me deixe ser constante aqui, nesse lugar por todos os dias da minha vida!"









terça-feira, 16 de junho de 2015

INFANTICIAR


                                              

Que olhar é esse que me consome a alma,
Me arrebata a calma dos dias comuns?
No profundo eu sei que sua infância avança
Em desafetos,
Na esperança,
De formar um verbo e tentar viver!

"Infanticiar" em atropelos,
Dias de fome, lágrimas e ausências,
Na poeira branca que te veste a pele,
Nos pés machucados de tanto correr,
Nos olhos cansados de assistir a tragédia,
No sorriso que insiste em meio ao sofrer.

Num primeiro momento, eu agonizo
Embriagada por sons, histórias e cheiro,
Então aquieto e posso ouví-LO:
Deixai-os a mim, não os impeça
Dos pequeninos é o meu Reino!

quinta-feira, 11 de junho de 2015

RUAS

         
       
   
Nessas ruas intensas 
Cheias de gente e de cor,
Encontro histórias imensas
De luta, de perdas, de amor.

Encontro a mulher que vagueia
Vendendo um pouco de pó,
O homem que a rodeia
Correndo do "estar só".

Vejo cenas diversas
Do lixo que alimenta,
Lama, gritos, silêncio,
A luta em vestimenta.

Se por RUAS assim 
Andou meu Cristo a falar 
Quem sou eu, Seu amante 
Para de tais me ausentar?

                               


Entre tantos rostos, esse me marcou profundamente. Estávamos numa região do Haiti chamada Ticaju, trabalhando com uma pequena igreja. 
Ao andar pelas redondezas deparei-me com esse  homem. Rosto marcado pelo sofrer, a fome dilatada em seus olhos, mal conseguia caminhar.
Conversamos um pouco, sorriu com dificuldade, olhou-me profundo e eu soube: Havia aflição no coração de Deus por ele...
Despedimo-nos, e lá se foi o homem, subindo a montanha em seu passo desigual, meu coração em pedaços, olhos em lágrimas, choro de Deus...

DONA MULHER



Ela cantou para mim a ausência,
Apontou em sua resignação como substituir UM alguém que já se foi...
Chorou quando a sua filha disse:
- Mamãe, eu quero um pai.
Respirou fundo e colocou-se em seus muitos papéis.
A mistura do calor, a casa de lona, as três filhas ao redor produziram aqui uma tatuagem.
Eu as vejo quando entro dentro de mim...
Os dias passaram e lá vem a mulher,
Quieta, pausada, serena...
Sobre suas pernas começa a lavar o pó dos nossos dias por lá.
Observo ao longe... É ela.
- Quer alguma coisa, Dona Mulher?
Sorri inteira e me quebra por dentro:
- Apenas serví-los para agradecer.




NÃO FOI...



Não foi entre os seguros que encontrei dependência exemplar,
Nem entre os saciados "aquele sorriso" de SIM, conhecemos o padecer.
Não foi entre os eruditos, o melhor conceito de adorar,
Nem entre os mestres, a força para permanecer!

Não foi nas belas casas que assisti a entrega,
Nem em palácios montados, o ajoelhar sem reservas.

Foi na FOME do homem, da mulher e da criança,
Na noite que abraça mais um dia sem pão,
Nas lágrimas discretas da viúva que sobrevive,
Na insistência dileta do querer continuar.

Volto a mim mesma, sem paciência, em vergonha
Consigo cada dia menos "enfeitar" o viver,
Entendo Tereza em seu grito de CAUSA, dizendo:
- Foi lá que descobri o que é SER!

Que me perdoem os satisfeitos e imunes (ou não perdoem...)
De vida breve e sem ter o que ensinar;
Volto meus olhos para um povo distinto
Que sem pretensão enobreceu meu destino
E avançam em silêncio ensinando-me a AMAR.

(Às negras e nobres "gentes" do HAITI, que me ensinaram em dias o que em anos não consegui aprender aqui!)



quinta-feira, 19 de março de 2015

DIA "D"



Há sempre o dia "D",
O 6 de junho de 1944,
Onde a força acontece e o dia parece mais límpido;
A visão é tomada de luz
E algo que parecia "sempre" perto nos abraça,
Tocamos em nosso destino!!!
É nesse dia que o Vento muda a direção
E o que parecia acinzentado toma nova cor,
Nosso coração encontra-se nas palavras da descendência de Wilberforce:

"Passado algum tempo, ele desistiu de preparar os seus discursos e passou a preparar-se a si mesmo..."

Em meio a imagens reais
E fatos que permeiam esse meu tempo
Percebi um cristianismo que anseio viver, caminhar, praticar
E que não está longe de mim,
Um povo do hoje, do agora,
O meu osso no Vale de Ezequiel;
Eu vou perseguí-lo,
Pois a imagem torna-se maior e posso ver-me dentro dela!