quinta-feira, 28 de setembro de 2017

EXTRA ORDINÁRIO!



São aqueles momentos que cortam o usual, enfraquecem o comum e debilitam o previsto que tornam a vida tão dinâmica! E ninguém, melhor que o AUTOR, para estabelecer essas porções inesquecíveis.
Estando com milhares de pessoas a cada ano, ouço lamentos e triunfos, esperas e anseios... cada ser humano, um universo rico e singular. 
Em meio à multidão, Deus se encarrega de GRIFAR pessoas e inserí-las em nossa jornada.
Em meio ao corriqueiro sou tomada de sobressalto e espanto-me...
Deus soprando dinamica e inusitadamente, como é de Seu feitio e "BUM", o ordinário se desfaz ante aos meus olhos perplexos: ALGUÉM É COLOCADO EM EVIDÊNCIA e certamente vai marcar nossa peregrinação. 
Duas verdades se formam:
- Minha FASCINAÇÃO POR CRISTO é dilatada,
- Experimento o extra ordinário.
Encontrei no OUTRO partículas da manifestação Divina. ESTOU VIVA.





sábado, 29 de julho de 2017

O PODER DO COLETIVO



Coletivo: do latim collectivus, que abrange ou compreende muitas coisas ou pessoas.

Os bons observadores da natureza estão cônscios do fato de que os animais mais produtivos trabalham em conjunto. As abelhas, por exemplo, são insetos sociais, vivendo em colônias onde há divisão de trabalho. Uma família ou colônia pode abrigar até 80 mil abelhas e cada uma delas sabe o seu papel e serviço. 
Deus tem prazer no COLETIVO. Sendo UM, Ele é TRÊS e durante toda a criação, o tempo usado foi plural. Não é em vão que a PERICORESE nos quebrante tanto e esteja implícito em nossa natureza. FOMOS CRIADOS PARA O COLETIVO.
Quando o escritor de Hebreus nos exorta a "não deixarmos de congregar, como é costume de alguns...", o original refere-se a reunião, assembléia, ajuntamento, enfim, a prática da coletividade.
De novo às abelhas, elas desempenham um papel muito importante na natureza, polinizando as flores que virão a tornar-se frutos. Esse pequenos insetos estão diretamente relacionados ao processo de fecundidade da terra!
Que figura reflexiva.
No COLETIVO encontramos instrumentos de polinização. Ouvimos e falamos, somos exortados, encorajamos, suportamos e somos suportados, nossa natureza é confrontada (ferro com ferro se afia), encontramos espíritos-irmãos (como bem disse Henry Nouwen), comungamos, participamos da MESA, somos enviados... enfim, a partir da COLETIVIDADE, adquirimos força para a polinização dessa terra e  o cumprimento da TAREFA. O próprio Jesus conversando conosco disse: porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali Eu estou no meio deles.
A prática do coletivo é essencial para uma espiritualidade saudável e fecunda. Por mais desafiador que seja conviver com diferentes, estarmos juntos é o plano original da TRINDADE, mantendo em mente que: HÁ RESPOSTAS, DIREÇÕES, CLAREAR DE IDEIAS e MANIFESTAÇÕES DO CORAÇÃO DIVINO QUE SÓ OCORRERÃO NO COLETIVO. 

Sendo assim, permita-se COLETIVAR!





segunda-feira, 24 de julho de 2017

A EPIFANIA DO DESVINCULAR


Em sua busca cautelosa de ambientação, Ruana prosseguia lenta e desencorajadamente. Diferentes reações faziam parte de sua procura: barulhos excepcionais, risos altos, olhares afetuosos, dias cálidos, noites sombrias, desconfiança, medo, cautela...
As vezes tomada de êxtase e daquela antiga sensação de solo conhecido, recompunha-se e extenuava.
Tudo agora parecia oferecer um certo risco, até mesmo a CASA onde as paredes e assoalho deveriam exalar graça.
Como retomar? 
Sim, Dostoievski tinha razão quando afirmou: "...pessoas pareciam ter sido diluídas, correndo e passando por nós todos os dias, mas num estado de diluição".  
Ruana sentou-se à beira do caminho, sob o mito da sobrevivência, tomada de sentimentos insípidos. 
Perdida em seus devaneios, percebeu-se desinteressada por vidas anêmicas da verdade e possuídas pela religião.
Preferia o silêncio aos contos pessoais,
A superficialidade de histórias à narrativa de suas salas preciosas,
O olhar observador às explicativas.
Embriagou-se de epifania.
Naquele momento, exatamente naquele momento soube que ninguém, a não ser ELE poderia reativá-la. 
Resignou.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

TESOURO EM VASOS DE BARRO...


Inspira-me pensar num Cristo que reúne estranhos e diferentes em prol de Seu Reino e os faz avançar por um único senso, propósito e paixão… Esse é o Evangelho que amo, que proclamo e que me desfaz!
Foram dias de intensidade: Intensos no chorar, intensos no risos altos (grifando MIGUEL, O BELO aqui!), nas histórias, nos constrangimentos, na comida (ahhhh, calabresa e bacon que não desgrudam da nossa lembrança, rsrsr), no silêncio perante a fome, na disposição diante ao serviço. Intensos na riqueza de cada um de vocês, que vencendo seus medos e agonias, confiaram-se às mãos do AUTOR:

MAYARA, nossa “MELANCÓLICA PREFERIDA”, cujo coração quer abraçar todo o sofrimento de uma geração, e ela o fará, ahhh, o fará, pelo fato de que QUEM a inspira é perfeito em surpreender-nos sempre! Essa menina vai longe!!!

LETÍCIA: LELÊ, disperta, disposta, feliz! Eita menina da TERRA DA GAROA que se tornou necessária. Consegue ver ao longe e pensar em pontos que ninguém ainda pensou. Você se tornou uma coluna para nós!

MARCINHA, nossa doutora. A prontidão para curar é semelhante a de nos servir; tem seus próprios planos, mas os coloca à parte afim de que o CRISTO tenha prioridade. Não se entrega pela metade, sua palavra é INTEGRIDADE!

ADRIANO, NOSSO USSO, (esse menino é uma moça!!!rsrsr), força e sensibilidade, ternura e coragem, músculos e lágrimas - um paradoxo Divino que nos enriqueceu e encorajou. Amamos o seu coração!!!

DEBINHA, do USSO, quem a olha "sapeca" não imagina o tesouro que carrega em si. Sóbria, intensa, compadecida e presente - nos fez lembrar que o Cristo extrai força de corações quebrantados! Você é INSPIRADORA.

MARIVA, é forte vaso!!! Como pode um “bruta-montes” chorar feito criança diante da dor que não lhe pertence? Sim, um homem possuído pelos afetos de Cristo empresta os braços para o cimento e os oferece também para acalentar! Você é assim!

MARCINHA, MISS ITABIRITO, derrama alegria por onde passa, doa-se com intensidade, olha profundo na ausência e diz: FAREI ALGO! Esse seu coração ainda abraçará a muitos e Cristo será amado através de você. Sou sua fã!!!

EMÍLIA, ahhh, EMÍLIA, ora menina, ora mulher! Missão de vida: riscar qualquer tipo de monotonia presente, seja a monotonia de dias difíceis ou a monotonia de corações sem esperança! Essa é você, observando-a, aplaudo o sorriso, a beleza (você é linda!), mas sobretudo a humildade.

DEBORRAAAA, quem, senão você, é capaz de recompôr-se em 20 minutos?! Quem pode abraçar a meninada como uma mãe e oferecer colo a todo mundo? Quem observa frutas e verduras, bodes e cabras e no final do dia ainda sorri dizendo: Não vejo a hora de voltar!!! Mantenha esse interior simples e terno!!!

JORDANA: nossa mascoste!!! Pega menino no colo, empresta o cabelo a trançar, sorri, lacrimeja, guarda silêncio, mas sabe, que no fundo de seu mundo, há paixão, entrega e bondade. Você provoca alegria em Jesus!!!

RODOLFO: Quem disse que homem não chora? Escuta as histórias e inclina-se na lona da casa prestes a cair, lamenta pela ausência que não é sua, pela fome que não o consome; enxuga os olhos e torna-se filho, um filho que dá de si a um pai que acabou de conhecer! Nunca esqueceremos esse momento.

SÍLVIO: Servo, prestativo, quebrantado e entregue. Um homem que fez de seu interior um lugar de descanso ao cansado. Discípulo, ouvinte, amante do Cristo.

FIL: O melhor conceito entre performance e entrega, nossa casa é completamente apaixonada por voce! Não bastou oferecer-se somente a si mesmo a um povo, mas trouxe consigo outros corações. Esse é o papel do MOBILIZADOR! (Ez.40:4)

ANNA: O que falar de alguém que vi crescer em todos os aspectos?! Ocorre-me um pensamento: Deus, o nosso ABBA, não esquece de nossas conversas e sonhos, por isso, deu-me o presente de vê-la entregue às nações. Há muito ainda a ser extraído em sua jornada, filha.

BRUNO: Dois retratos seus: chorando e sorrindo, não o guardei de outra maneira. Só o Evangelho pode tomar um sobrevivente e fazê-lo caminhar em terras longínquas, dando clareza de sentido de vida e CAUSA! É SÓ O COMEÇO. 

ABRAÃO: Quem não sabe ouvir o barulho do silêncio, não afinou sua audição. Você fez barulho, muito barulho!!! Não no corte da madeira ou na condução do drone, mas o barulho que abraçou órfãos e beijou infantes, o barulho que não será esquecido.

VAL: A melodia que escapa de seus olhos é mais bela do que o seu canto, por isso voce se destaca. Toma a viola, toma o menino; abraça as notas, abraça a mulher; canta a canção, canta o CRISTO!

DI: “negla”, Obama, fortaleza e ternura. Um amontoado de adjetivos que sopram a criatividade do ABBA em nós. Sigamos pelos CAMPOS DO SENHOR…

BRUZACA: Sempre atento e disponível. Quantas vezes percebi seu coração quebrado por tudo que viu e ouviu… Acredito que essa marca deixada por Cristo em voce dará frutos, frutos que permanecerão! SEMPRE AVANTE!!!

JOÃO e ALÊ: A tampa e o balaio, rsrsrs. Tanta serenidade envolvida. Esses olhos atentos às histórias provadas e a calmaria de Alê em pontuar tudo com uma bondade extravasada, foram dias preciosos ao lado de vocês!!!

ANDERSON E RENATA: Quem foi que inventou gente “bunitaaaa” que decidiu se gastar pelo Eterno???!!! Vocês tornaram os dias mais leves, pelo sempre sorriso de Renata e as lentes intrusas de Anderson, nos motivando e me levando a pensar (pensamento meu…) que Deus também andou fotografando por lá!!!

OSÉIAS E ALICE: feijão com arroz, queijo com goiabada, arranca e coloca - vocês, conjunto maravilhoso de se ver e conviver. Pela entrega, pela renúncia, pela satisfação dos dentes tirados e colocados, até pela conjuntivite (casal que adoece juntos, permanecem juntos forever!!!) recebida com graça, nossa gratidão a vocês!

GUSTAVO E GABI: a prova perfeita de que opostos realmente se atraem! Silêncio e barulho, seriedade e bobeira, quietude e bagunçaaaaaa… Porém, algo em comum: um desejo ardente de fazer o Filho de Deus feliz!!!!

ANINHA do BRUZA: Ohhh M’irmã, tu é bela! Bela por fora (adooooro), bela por dentro (aplaudoooooo). Uma poliglota discreta e cheia de vida, alguém de pouca fala e atitudes coerentes, apaixonante, visionária, encorajadora. Ganhamos muito com voce!

FERNANDO: uma palavra: generosidade! Acho que se ficássemos mais 10 dias no Haiti, você empenharia seus rins…rsrssr Que cada semente plantada por você naquele país fecunde de forma abundante. Só mais uma coisinha: POR MAIS MULHERES NOS PÚLPITOS DAS IGREJAS!!!!!!!!!

ODETE, DEDÉ: Mulé, mulé, você ja perdoou??? rsrsrs Dedé, você nos conduz a lugares inexplorados com sua alegria, dinâmica e CRIATIVIDADE!!! Aplaudo o fato de usar tudo isso para marcar uma nação! AMO TUDO ISSOOOOO!!!

LETÍCIA, nossa maranhense linda: Sua decisão em vir e viver cada experiência promovida pelos TRÊS nos enche de novo fôlego. Sei que seu coração foi marcado e muitas decisões e valores serão revistos, obrigada por se permitir ao HAITI!

MIGUEL: O que dizer de MIGUEL??? Tão calmo, discreto e silencioso??? Hã???? Amigo, seu papel foi de extrema importância para o bom andamento da equipe, estar na logística nem sempre parece ser exultante (Claro que todos sabemos que você amou cada momento no CASSANDRA e seu amigo DAVI), mas lembre-se: um copo de água dado a um desses pequeninos em Meu Nome… Você nos permitiu muito mais que copos de águas!!! Obrigada de todo coração.

POLACO: O baixinho que todos nós amamos!!! Ligado no 220 V, meio ranzinza, meio feliz, um verdadeiro PERSONAGEM de histórias eternas que Deus inseriu em nossa vida!!!  Você faz o melhor berço do mundo!!!!

EDU: Sempre de bem com a vida, de palavra rica, de sorriso acolhedor. Um pai para as crianças, um encorajador para a equipe. Que DEUS o consuma a ponto de inflamar seu coração aos povos dessa terra!!!

E POR FIM…

O melhor de mim, o homem da minha vida, o SIM que desencadeou tudo isso, meu MARIDO, AMIGO e INSPIRAÇÃO: Amor, obrigada por sua obediência ao convite de Jesus em envolver-se com esse povo, você abriu o caminho para que muitos outros viessem e experimentassem mais de Cristo nesse lugar! Sou sua admiradora, sua companheira, lado a lado em seus sonhos e aspirações. Conte sempre comigo e nossos filhos, sabemos quem você é e o quão íntegra tem sido a sua jornada. Amo você, meu PRÍNCIPE HAITIANO.

Uma expressão resume todos vocês: AQUI TEM CORAGEM!!!!!!!!!





quarta-feira, 5 de abril de 2017

SOBRE O RESGUARDAR DE CORAÇÃO



Estou sempre surpresa com a atualidade das Escrituras. Escrita há tantos séculos e tão cortante, contemporânea, realista. Um livro para hoje de um AUTOR FORA DO TEMPO.
Estou pousada em SANSÃO (Juízes 13 a 16).
Os pais ouviram sobre o DESTINO EM DEUS do menino quando ainda no ventre: "porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar a Israel do poder dos filisteus."
Sansão, cujo nome significa COMO O SOL, cresce e tem um encontro com o seu DESTINO (Jz.13:25).
- À semelhança de Sansão, TODOS NÓS, sem exceção, fomos criados para um DESTINO EM DEUS. A nossa história, personalidade, temperamento e experiências fazem parte de um caminho construtivo para alcançarmos e conhecermos o que Deus planejou para nós.
- Em algum momento de nossa jornada, o nosso DESTINO EM DEUS se tornará claro e legível, seremos INCITADOS (impelidos, "perturbados"- os que me conhecem sabem o quanto gosto dessa palavra no sentido de espiritualidade!!!) pelo Espírito a fim de nos conscientizarmos da nossa TAREFA.

As próximas narrativas sobre Sansão são tristes e dignas de muita atenção:
Sansão, como cada um de nós, possuía fragilidades. A história parece apontar o fato de que suas fraquezas não lhe eram claras, ainda que as fossem para seus pais (Jz.14:1 a 3). Ele possuía uma VONTADE FORTE, INCLINAÇÕES para pecados repetitivos e não tratados (Jz.16:1, 4) e por ignorar isso, vivenciou um desfecho terrível. 
O que aprendemos com isso?
- Todos nós, sem exclusão, nascemos com um coração obstinado e precisamos ter NOSSAS VONTADES QUEBRADAS, aprendermos a ouvir NÃO, habituarmos ao caminho da entrega, rendição, morte diária... Os que, dentre nós, não foram ensinados por seus pais terrenos, devem se abrir imediatamente ao DIDAQUÊ vindo do ABA.
- A fraqueza não tratada de Sansão levou-o à ruína. Num primeiro momento, ele passeia entre uma situação e outra, dando sempre alimento a sua fome carnal; o cenário agrava-se, e aquilo que o satisfazia torna-se objeto de sua destruição. Não brinque ou trate com afetos fraquezas que lhe são existentes. Coloque-as honestamente diante do Pai, confesse-as, lute para que sejam tratadas e permita-se ser corrigido sempre que necessário!

- Para Dalila, Sansão DESCOBRE TODO O SEU CORAÇÃO. A expressão é de forte impacto, significando que ele não teve prudência e expôs, anunciou, tornou conhecido suas inclinações, resoluções, paixões e destino. Aquilo que de Deus ouvira, por intermédio de seus pais, compartilhou de forma leviana e descuidada. UM ERRO POSSÍVEL A TODOS NÓS!
TERESA D'ÁVILA escreveu que "dentro de nós há um santuário que não pode ser violado, no qual passam as coisas mui secretas entre Sua Majestade, o Rei e nós." Devemos ser prudentes no que compartilhamos, com quem compartilhamos e no tempo de compartilhar. Estou convicta que haverão momentos, palavras e experiências vividas em SOLITUDE que JAMAIS DEVERÃO SER REPARTIDAS, mas mantidas em secreto.
Eu fui vítima de mim mesma nesse aspecto e posso afirmar com vivência: todo o cuidado é pouco.
Temo quando observo em redes sociais, experiências profundas advindas de momentos com os TRÊS, escritas e abertas a todos, confesso que por opção pessoal, retenho-me de lê-las, por respeito ao LUGAR SECRETO daqueles que as viveram. 
Nosso CORAÇÃO DEVE SER RESGUARDADO, mas precisei sofrer uma terrível (e marcante) dor para aprender o caminho. 
- A expressão letal de toda a narrativa de Sansão está em Jz.16:20,  "porque ele não sabia ainda que já o Senhor se tinha retirado dele." Sinto uma fincada interior só de pensar nisso. A palavra hebraica correspondente ao verbo RETIRAR fala de AFASTAMENTO, SEPARAÇÃO, REMOÇÃO.
Com a retirada de Deus, todo o resto é fatalidade e a morte (seja física ou espiritual) é certa.

Que Deus nos ensine com suavidade o RESGUARDAR de nosso coração, que saibamos ser prudentes no que dividimos e aprendamos a manter em secreto o que deve ser preservado.










segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

LIMÍTROFE


Recordo-me do médico falando sobre as duas anestesias que seriam aplicadas ao meu caso: peridural e geral. Tenho firme na memória um enfermeira cantarolando no centro cirúrgico: "ALELÚIA, PODEROSO É O SENHOR NOSSO DEUS" e um líquido amarelo claro (mais uma razão para abominar essa cor!!!) descendo em minha veia... e PUFF... acordo 5 horas depois com três cortes no abdômen, uma crise fortíssima de vômitos e a terrível certeza da fragilidade humana.
Hoje, 06 dias depois, descubro uma crescente e quase indomável reação que vou chamar aqui de PARTICULARIDADE DE COMPORTAMENTO: uma impaciência com uma série de coisas que antes não provocariam tanto em mim. Como forma de alívio terapêutico, escrevo, para salvar a mim mesma do meu próprio ataque, e os agentes que me tornam reativa.
Escrevo com a esperança de não ofender a ninguém, até mesmo porque aqueles que lerem esse meu desabafo, o farão por mero acaso, visto que não pretendo divulgá-lo, como já fiz com outros textos.
Escrevo com a compreensão do risco de, mais tarde, sentir aversão a mim mesma, pelo que rascunhei aqui, mas não é o caso, nesse momento...
Vamos as minhas particularidades:

Estou completamente impaciente com pessoas que se auto-promovem. Explico. Pessoas que falam de si mesmas na terceira pessoa, promovendo seus atos, discursos e habilidades. Será que elas não percebem que seus leitores/ouvintes estão assustados com essa oratória de SAIBAM O QUANTO EU SOU BOM?! Irritada, pergunto a mim mesma se sou assim e oro, quase clamo, que não me torne!

Sinto-me irritada com falta de originalidade. Claro que todos nós nessa terra recebemos influência de outros, em todos os aspectos de vida, mas acredito que podemos desenvolver nossa própria forma, Deus nos deu inteligência para tal. Quando me deparo com essa ausência de identidade original, retraio. Pessoas que começam a falar exatamente como outros, escrevem numa arte copista, desenvolvem seus tiques corporais e de expressão imitando gente com quem convivem... Lembro-me de estar numa reunião em terras nordestinas e ouvir o preletor falar com sotaque nordeste-americano. Estranheza a parte, indaguei a nacionalidade e a resposta foi:
- Ele fala assim porque recebeu a imposição de mãos de um grande pastor americano e desde então, tem esse sotaque.
Sinto pasmar-me até hoje.
Gente, construam quem vocês são!!! Afirmem gostar de algo porque realmente provaram e é bom, não porque outras pessoas disseram ser.
Pelo amor aos outros mortais pensantes, adquiram sua própria forma de escrita e fala, ainda que o processo pareça longo e demorado, originalidade é sempre um fator saudável.

Estou mais questionadora que o normal. Há dois dias faço perguntas a mim mesma e aos TRÊS sobre assuntos que antes não me atiçavam. E como todo questionamento remete a mudança, estou sobre solo perigoso e junto com o meu pensar interrogativo, clamo por resgate.

Sinto-me desvinculando, lenta e diariamente, de opiniões, pessoas e ambientes que antes eram significativos. A princípio, essa afirmativa causa espanto, mas dissecando-a, percebo que nem tudo o que eu julgava ser, é de fato, então...

Não ando suportando diplomacia comportamental. Por favor, não falem comigo querendo usar de indiretas para chegarem a um objetivo, sejam claros e obtenham estrutura para ouvirem respostas mais claras ainda. 

É isso, pelo menos hoje. Despeço-me de mim mesma e de minha PARTICULARIDADE DE COMPORTAMENTO PÓS ANESTESIA (andei lendo sobre os afetamentos psíquicos da mesma) com uma suave sensação de que escrever já executa seus efeitos.







domingo, 12 de fevereiro de 2017

Dúvidas

                                       
  
As paredes tomadas de frio tom
Esmaecem os dias festivos vestidos de cor.
Pontos que interrogam, que finalizam ou exclamam
Rascunham buscas e decisões.
O palácio está em meia luz...
Sem música, sem flores, quase desnudo de esperança.
O silêncio está tão repleto de gritos que ensurdeceria o que de longe passa e atenta.
Não se vê o paterno em límpido som,
Nem as núpcias da filha do Rei;
Quem precisa convencer o amigo a falar?
Quem insiste com o mentor?
Na sombra, um vulto pequeno,
Sobrecarregado e confuso
Clama pelo resgatador.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

RAIZ DE VENTO (?)




Somos, por natureza, seres "APEGADORES". O seio materno, nossa mãe (que é só nossa, grita a primeira infância!), nossos brinquedos, nossos amiguinhos, nossa cama, nosso quarto... a lista vai amadurecendo com o tempo (não se anime, estou sendo sarcástica), nosso primeiro amor, nossas escolhas, nosso LIVROS (pisando em terreno sagrado), nossas relações, nossos, nossas, meus, minhas, eu... enfim, um oceano de propriedades que nos tornam possuídores de "gentes", objetos, projetos e anseios.
Mal sabíamos nós, que quando sorvemos os primeiros segundos de vida nessa terra de peregrinação, seríamos ensinados a ABRIR MÃO voluntária, forçosa, alegre ou dolorosamente. Nenhum de nós manterá consigo TUDO o que já chamou de SEU. Fato!
Se é assim, porque sofremos?
Numa geração de valores alterados, TER é sinônimo de SUCESSO; mas os caminhadores não funcionam nessa vibração. Aprendemos que DIVIDIR é nobre; que repartir é COMPAIXÃO e que DAR é MANDAMENTO.
Ter TUDO, estar preso a NADA.
Outro aspecto aflitivo ao aprendizado é que em nossas vidas, assim como no KRONOS, existem estações: as flores em perfume nas primaveras serão tomadas pelas folhas secas dos outonos, a leveza e o frescor dos verões vestir-se-ão das cinzas e gélidas manhãs dos invernos. 
É assim, desde o GÊNESIS.
Claro que há um ponto ressonante em nós, filhos do ABA: estamos sob um governo. O mesmo que deu ordem ao caos determina nossas estações, bem como o que fica e o que deve sair. Talvez meus turbilhões escritos soem frios (por influência do último inverno pessoal), mas acredito na canção profética do RAIZ DE VENTO (ha ha ha, quem vai tentar enraizar o vento, meu povo?!):

DE TANTA COISA QUE PASSA COM A GENTE
O QUE FICA MESMO 
É O QUE É!


Então, permita-se PERDER.


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

DIÁLOGOS COM BENTO E SUA REGRA



O simples fato de ter sido escrita no século sexto já exerce sobre mim um tipo de sedução literária.
A REGRA DE SÃO BENTO destinada a promover um impacto prático e profundo no aspecto de vivência comunitária trata do corriqueiro com uma força tão coloquial que tende a ser desprezada de início, contudo, em meio aos seus apontamentos, é possível ver emergir riquezas para esse nosso momento da história. Muito mais que profético, isso implica no fato de que, seja no século sexto, seja em nosso tempo, nós, humanos, continuamos nos esbarrando em problemas relacionais idênticos.
Logo no prólogo, Bento nos lembra:

"Qual é o homem que quer a vida e deseja ver dias felizes?" 
 Se, ouvindo, responderes: "Eu", dir-te-á Deus: "Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, guarda a tua língua de dizer o mal e que teus lábios não profiram a falsidade, afasta-te do mal e faze o bem, procura a paz e segue-a". 
E quando tiveres feito isso, estarão meus olhos sobre ti e meus ouvidos junto às tuas preces, e antes que me invoques dir-te-ei: "Eis-me aqui". 

E a língua está presente e, com ela, todas as suas nocivas possibilidades destrutivas. Usando-a, disse Tiago, bendizemos o Autor e caluniamos a obra criada à Sua imagem e semelhança.
Triste, de tom funesto.
Compreensível é o desespero silencioso dos "pais do deserto", que partiram, antes de qualquer coisa, para se livrarem de si mesmos, digo, de seus homens adâmicos.
Espero que, ao sair do prólogo, encontre esperança no humano, porque, aqui dentro, já não a posso ver.






sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

LECTIO DIVINA


                                   
   
Talvez concordem comigo acerca de uma necessidade quase visceral de nostalgia.
Sim, sou uma dependente sem negativas.
Exulto com discrição quando sou tomada de nostalgias e meu senso de estar aqui é dilatado, percebo uma sensação de destino.
Apesar do prazer do vício, ele não é de fácil encontro e quando o toco, todos os meus sentidos são aguçados e novamente percebo o quanto preciso "nostalgiar". O tempo para e tenho a exata impressão que mudei de lugar, datas e pessoas...  aquela deliciosa estranheza do dependente que pode suprir sua necessidade.
Nesses últimos dias, vi-me assim. Primeiro pelo olhar de Frank Laubach em suas tentativas de PRATICAR A PRESENÇA DE DEUS, mas o êxtase maior veio de Kathleen Norris em seu CAMINHO PARA O CLAUSTRO. No primeiro, vejo minha incansável (e às vezes frustrada) busca, no segundo, vejo o lugar onde meu coração anseia habitar; seja em ruas de Agostinho de Hipona ou em mosteiros de Gregório, o Grande.
Outros lugares, datas e pessoas. Estou no pico da minha anfetamina literária.
Percebo-me feliz. Não a felicidade descoberta, mas a íntima, que me impulsiona a escrever linhas que somente dependentes como eu compreenderão; e no cruzamento entre as batalhas aqui travadas e a LECTIO DIVINA, meu interior tem a plena convicção de liberdade.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

BENEFICIUM



De alguma forma sobrevivi à noite e ressurgi com o Dia...
(Emily Dickinson)


Estou lendo Kathleen Norris, minha leitura leve de férias. Leve no sentido de que, a cada linha, sinto-me envolvida por uma brisa literária de esperança e recomeço. Suavizou-me.
É aquela crescente sensação de que a NOITE tem em seu alforje uma lente de aumento e uma sovela sempre afiada, cortante e diretiva à nossa alma. Ela se veste assim, por isso é temida e sabe o que desperta. Pergunto-me (nauseada) se ela, a NOITE, regozija-se em suas canções entoadas?!
Suponho que sim.
O fato irrefutável e presente na NOITE é que ela sabe que não é permanente, ela sabe muito mais do que nós, suas vítimas recorrentes.
Então, abrigo meu esqueleto cansado na poltrona vermelha do meu lugar de pensar e entrego-me à descrição de Norris, que com excelente retórica (sim, eu posso vê-la falar...) descreve a mim mesma:

Não sei ao certo quando ou como a mudança se deu, mas agora, ao emergir da noite, tenho mais uma sensação de esperança do que de medo. Procuro sair o mais cedo possível e procurar pelos sinais da primeira luz do Dia, do vermelho pálido da aurora.

Ahhhh, os doces benefícios do claustro...




sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

PENSAMENTOS ERRADOS SOBRE "UNÇÃO"



Quem de nós nunca ouviu (ou pronunciou) sobre ter a unção que pousa sobre o outro?! Encontra-se entre os jargões mais usuais do  "glossário" evangélico. Alguns de nós até já oramos para recebermos esta ou aquela unção...
O fato é que um dos significados da palavra UNÇÃO (gr.CHRISMA) passa pelo aspecto de uma PORÇÃO SEPARADA de um TODO sendo repartida a outro com objetivos específicos. Ungir alguém é capacitá-lo para cumprir algo para o que foi chamado.
É o próprio DEUS repartindo-se  ao homem, o CRIADOR dando de Si mesmo a criatura (isso é graça em sua essência!)
Partindo desse ponto, nenhum de nós pode GERAR UNÇÃO, não temos nada de bom em nós mesmos, nenhum poder que nos capacite a fazer por nós mesmos (ainda que estejamos convencidos que possuamos...), ouso dizer (e penso assim) que não está em mim a decisão de impôr minhas mãos sobre alguém e ordenar qualquer tipo de unção, a menos que, de DEUS tenha partido essa resolução e Ele próprio tenha decidido doar-se a esse alguém, e eu, serei apenas um fator de instrumentalidade na oração. Só isso!

Tenho um sentimento nauseado que me persegue acerca da frase:
- Quero sua unção, fulano! Imponha sobre mim as mãos para que eu receba da sua unção, beltrano!

Sou conduzida a 1 João 2:27 em seu simplificado conteúdo de que Deus compartilhou de Si mesmo a nós, O que é TUDO em todos doando de Si para o homem, e essa parte de Deus a nós compartilhada, é sustentada e mantida por Ele mesmo (sim!!! não temos o poder de promoção ou sustentação). Essa UNÇÃO nos instrui acerca de todas as coisas, nos convida a maturidade sobre Seu Caráter, Reino e Vontade. Diante dessa dádiva, carecemos de uma firme resolução: PERMANECER, não nos mover de, não nos tornar outro, NAQUILO EM QUE FORMOS SENDO INSTRUÍDOS!

Da próxima vez que pensarmos (ou falarmos) sobre UNÇÃO, devemos nos lembrar que é algo muito maior que demonstrações de capacidade para pregar, curar, ensinar, evangelizar, cantar, escrever, etc, etc; trata-se do DEUS SEM AUSÊNCIAS repartindo a SI MESMO CONOSCO visando um FIM PROVEITOSO!





OPACIDADE



Há dias onde o sol parece ter se ocultado, não ansiando por raios ou calor. Dias de densas nuvens e céu sombrio, dias de grandes afetamentos.
Dias assim dilatam nossas deliquências e reações, nossas carências e resoluções...
Em dias nublados SOMOS MAIS QUEM DE FATO SOMOS e começamos a perceber - se dermos atenção - do que o nosso coração está cheio, porque fatalmente, nossos lábios o denunciará.
E o espelho que amávamos em dias de glórias e aplausos, surge opaco e ameaçador, apontando tudo o que não queremos ver!
São dias de luto, de convites desagradáveis para negarmos nossa forte vontade, dias de verdades absolutas apresentadas e as mentiras sustentadas (por nós mesmos) enfraquecidas!
Num primeiro momento, dias escuros são cruéis, e de fato o são, porque nos apontam os lugares mais escondidos em nós; enxergar isso é uma visita ao nosso próprio mercado adâmico.
A razão fica engessada e o íntimo dilatado, nada grita mais alto que a nossa alma em dias assim.
Dispômo-nos a fuga.
...
Deus não abre mão dos ventos congelantes e de espelhos postos. Ainda que fujamos, Ele nos encontrará. Porque em dias assim, somos convidados ao óbito, e apesar de não compreendermos, a LUZ está sendo posta.
Nenhum de nós, que anelamos por verdade, seriedade e comprometimento seremos poupados.
Esse é o caminho, andemos por ele.







terça-feira, 27 de setembro de 2016

FORA DE "SÉRIE"



Perturba-me esse mundo em série! Explico.
As vezes sou tomada da sensação de estar residindo num círculo de repeticões, um quase DÉJÀ-VU contínuo no que diz respeito a padrões, valores e pessoas!!! Sou remetida a uma grande fábrica de manufaturar e isso me deixa atônita.
Sabe aquela visão que soa exatamente igual com pessoas diferentes, em lugares e momentos diferentes?  O peso ideal, a cor do cabelo, o corte da barba, as gírias, o coloquial, o tipo de roupas, sapatos, valores??!!!Quase uma teoria da conspiração.
Há alguns dias estava sentada no aeroporto aguardando e comecei a observar que o estereótipo feminino funciona em série. Humanos diferentes com buscas físicas idênticas, cabelos do mesmo corte, da mesma cor, biotipo ideal, estilos de roupas e comportamento. Experimentei uma ligeira crise de topofobia.
Lembrei-me dos natais, onde nossa filha entrava no corredor de BARBIES e escolhia aquela, da caixa diferente, azul brilhante ou rosa choque, mas a boneca... em série!
De repente, nos pegamos acostumados e abominando a diferença, e o que não se enquadra é um sujeito "démodé".
O mais grave disso é quando a nossa espiritualidade começa a ser influenciada:
- Se voce não estiver nesse "mover"... Se não participar de... Se nunca ouviu o/a... Se não sabe o significado de... Se nunca foi a...
Somos todos nós vítimas em potencial dessa pesada e real atividade do universo em série.
Uiiiii, Deus nos livre!
E o DEUS DA DIVERSIDADE, como enxerga isso?
Podem até discordar de mim, mas quando leio o LIVRO encontro um amontoado de atípicos como Seus representantes, é impressão, ou Deus realmente ama a singularidade??? Ops, parece que veio Dele o conceito.
Então um VIVA aos que avançam lutando para se libertar dos padrões impostos por essa era! Vocês me inspiram!
Aos que não se importam de serem "ridos" e "caçoados" por razões que até Kurt Lewin coraria.
Aqueles que já compreenderam que individualidade é GRAÇA DIVINA e não deve ser negociada, a despeito da pressão.
Um saudável e exultante BRINDE DE LEGITIMIDADE aos FORA DE SÉRIE.





sexta-feira, 23 de setembro de 2016

44



São dias de avaliação.
Passando pela idade - em avarias e benefícios que traz consigo - encontrando escolhas, decisões e aprendizados.
Dos meus 44 tenho novas percepções:

- Vejo minha miséria de forma mais clara e quase sempre, desesperadora, tal ótica me remete à CRUZ e repentinamente, ouvindo Sua melodia, ponho-me a dançar.

- Exercito a SOLITUDE e o SILÊNCIO, não mais como disciplina, mas como nascente de vida e nutriente a sobriedade.

- Graduo-me no processo de que ninguém é para sempre, exceto os que de fato nos são dados pelo Eterno e resigno-me porque sei que também sou o "deixar" de muitos. 

- Regurgito em sinal de saúde. Saúde que compreende a mente, minha alma em estado de "obras" e a minha espiritualidade agonizante pelo LAR.

- Os sentimentos perdem a força lentamente e a Palavra toma a regência da orquestra. Orquestra de uma só canção.

- Dilato-me no DESTINO, agora mais madura, seletiva e atenta, características que só uma forte tempestade pode despertar num coração.

- O "desaproximar" oferece novo conceito, e subitamente sou tomada de afetos pelos PAIS que saíram ao deserto, compactuo-me com eles.

- Os músculos de minhas buscas estão ofegantes por sapiência, ternura e verdade; verdades sobre mim mesma, sobre o Cristo e Sua querência, e os ESCRITOS DE MEU ABA são os meus halteres.

- O verbo ATIVAR entrou em minha história com uma nuance que eu jamais imaginaria.

- Admiro-me de iguais com semelhantes dores e ainda maiores, que não negociaram a lealdade, a nobreza e a humildade. Urgêncio-me em vê-los triunfar.

- Mudei de estação, de pessoas, de lugares e credos; porém, permanecem as folhas secas, a compaixão, algumas memórias e as certezas plantadas em mim pelo Espírito.

- Em meus diálogos com os TRÊS, peço o que nunca antes pedi, com outra intenção, que de infante que era, não o suportaria.

- Expando-me em criatividade.

- Alegro-me nos filhos que temos.

- Vejo o homem da minha juventude com um misto de admiração, gratidão e amor maduro que me faz sorrir ao pensar em nosso mútuo envelhecer.

- Não me atemorizo com as marcas na face, todas elas possuem uma história de dias de dores ou exultações. São as carquilhas de estações passadas.

- Celebro comigo as conquistas que me encorajam, consciente de QUEM são advindas; 
as intempéries da jornada, que Nele, o meu Cristo, tornaram-se em fotos sem filtro que gritaram a verdade; 
às lagrimas, 
ao silêncio decidido, 
a espera, 
ao desenrolar do pergaminho; e por fim,
a confiança de que QUEM ESCREVE O ROTEIRO, escreve assentado sobre um TRONO.

Chego aos 44 anos de idade com a grande convicção de uma só palavra: GRAÇA!






quinta-feira, 18 de agosto de 2016

ERGON

     

Entende-se por ERGON aquilo com o que alguém se manterá ocupado, requerendo suas energias, talentos, dons, tempo, família, orquestrando seu "modus vivendis".
No entanto, uma triste realidade nos circunda: Muitos de nós passaremos nossos dias aqui na terra envolvidos com algo que nos trará a recorrente sensação: - Não é assim que quero me gastar! 
Por isso, a descoberta de nosso ERGON é um presente Divino, digo Divino, no sentido literal da palavra, ninguém mais apto a nos levar a tal descoberta que Aquele que nos conheceu quando éramos informes, o Deus que desenhou nossa personalidade, temperamento, dando-nos capacidades naturais e espirituais, escrevendo um excelente e criativo roteiro de jornada para nós.
Em minha mente fértil toco a "expectativa do Aba" para o exato momento em que o nosso ERGON nos encontra! Tudo toma novo sentido.
As tempestades são melhores aceitas,
Ri-se das dores passadas e acolhe-se com maior maturidade as que ainda nos abraçarão.
Em nosso legítimo ERGON, a sensação de URGÊNCIA é aplacada pela TAREFA que executamos, o gastar-se torna-se leve e certeiro.
Fica mais fácil e sem culpa dizer NÃO, fica mais forte e acertivo o nosso SIM.
O medo do fim é diminuto, agora convictos de que ele virá no cumprimento da missão.
Olhar para trás aponta construções e desconstruções necessárias e objetivadas: estou na fôrma, sendo moldado para.
Assim, há quase 44 anos atrás, uma brava mulher, aguardava com expectativa e dores, muitas dores, o nascimento de sua primeira filha. Dois dias depois do esperado, a garotinha chega ao mundo arrancada com violência do ventre que a abrigou.
Sequelas eram esperadas.
A mãe, desesperada, a entrega ao Eterno. Oferta aceita! 
A garotinha cresce sitiada por histórias inusitadas, fragmentando o padrão de vida de uma criança comum.
Dores, ausências, vazio e enfim O ENCONTRO.
ELE verbalizou perdão, liberdade, esperança, vida, razão.

Hoje, me peguei olhando para o meu primeiro chinelo, aquele que envolveu meus pés infantes. 
Pensei na constante expectativa do Pai observando aqueles pezinhos e sorrindo:
- Eles pisarão povos!

Quando aos 17, Ele brada:
- Filha, ouve e dá atenção,
Esquece o teu povo e a casa de teu pai,
Então o Rei cobiçará a tua formosura.
Ele é o Teu SENHOR, inclina-te perante Ele.

Lá estava eu, sendo contornada por meu destino, minha causa, minha tarefa, MEU ERGON!





sexta-feira, 12 de agosto de 2016

BERSEBA



Em dias de confusos sons e de imagens aturdidas careço pensar no futuro.
Acometer-me de uma esperança apocalíptica de terras que almejo pisar.

Em meu agora, irrito-me com o outro que fala tanto de si, numa tentativa de se auto-afirmar;
Repetindo suas beldades e talentos, pintando um quadro de auto-impressionar,
Tela que a Monet e a Renoir causaria espasmos, ou talvez, só cause a mim...

Impaciento-me com a discussão vazia entre o que ter e ainda ter mais;

Desprezo, com todas as minhas energias, a diplomacia religiosa, essa que satisfaz a ambos, sorrateira, mentirosa, convenientemente aplaudida. Sedação e sedução ao coração medíocre.

Arrependo-me de minha entrega intensa, às vezes sacrificial, por gente que hoje não me diz nada, nada além do que eu não quero ser!

Avanço silenciosa naquilo que sei, porque não é de minha índole destruir o que parece estar de pé.

Compadeço-me pelo caminho de outros, caminho que já trilhei e que sei - trará dores.

Choro por desconhecidos e lugares que nunca estive, por gritos alheios e angústias verídicas.

Envergonho-me de mim. As batalhas que me fatigam não ocorrem lá fora, onde muitos buscam "sei lá o quê...", estão vívidas aqui dentro, dentro de um ambiente chamado EU. Em mim mora um "tatame funcional", que insiste em progredir!
E no auge de meu melhor rounde, aquieto-me. Sei com exatidão onde equilibrar-me.
NELE, letra e vida se liquefazem, o VERBO faz-se sussurrar.

Em terras de Gerar, vales e poços levam a Berseba, terra sem contendas.
Somente a Palavra,
A Promessa,
Um altar e uma tenda armada.





 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

SOPRO, LEVE SOPRO



Assemelha-se a uma brisa discreta, certamente desapercebida.
Não por mim.
Conheço a melodia e sou tomada pela presença.
Sobressalto e medo (?),
Não deveria, mas sinto,
Cascas de devaneios passados.

A crescente sensação de proximidade,
O coração envolvido por algo maior que eu,
O senso de ter sido chamada para,
A força, a ternura, o possuir, a imensa e indescritível paixão...
O canto da sulamita ressoa em minh'alma: "Não me desperte até que queiras."

Interiormente trêmula clamo por Sua custódia
E confio estar sob.
Repudio as misturas e a ilusão.
Anseio a VERDADE em sua mais genuína manifestação.

Conversas que evito tocar, por dor, por ausência, por saudade.
ELE se inclina e fala.

O cinto é delicado, de um tecido fino e adequado,
Tem em seu centro bordaduras de pedras em tons pastéis que apontam para um futuro que almejo vivenciar.

Em meio ao meu cenário, sinto o nublar, a recorrente guerra para barrar meu destino.
Entrego-me a ELE e suplico:
- A VERDADE, tão somente a VERDADE.





quarta-feira, 8 de junho de 2016

15 DIAS PARA O RESTO DE NOSSAS VIDAS...


      
   
Não poderíamos dimensionar o que nos esperava ali,
O novo e os desafios pareciam tão intensos e inusitados que convidavam nosso coração a repousar confiadamente naquele que os CONVOCARA!
Aos poucos tivemos a nítida sensação de que nosso Deus ama a diversidade e, sendo surpreendidos pelo povo de pele negra, também o fomos pela riqueza de cada um de nós...

BRUNA, nossa caçula, com "perguntas frequentes e engraçadas" mostrou ao nosso coração que nada pode impedir alguém que quer se render ao REI! Chorou, sorriu, perguntou, ensinou, abraçou, perguntou novamente e por fim, nos encorajou a acreditar que A NOVA GERAÇÃO BRASILEIRA é instrumento para a FORMAÇÃO DE UMA NOVA GERAÇÃO HAITIANA!

MAYARA, doce e silenciosa, sempre abraçada a Palavra, o que despertou em nós uma saudade nostálgica do Verbo Revelado. Forte e intensa, verbalizando apenas o necessário, mas verbalizando em autoridade e sabedoria, fruto de quem se alimenta do LOGOS!

KARLINHA, nossa sempre KARLINHA... Ora menina, ora mulher! A intensidade de seu choro discreto trouxe à tona o coração ferido de Deus, ferido por um povo doente, adoecido por um povo ferido! Entre as tranças negras em cabelos loiros, um olhar que nos dizia: - Não sei como fazer, mas farei por Ele! Sua melhor mensagem foi sem dúvida, sua corajosa disposição.

DIVA, coração em serviço, observadora, ruminando em si mesma a dor pela infância de outros! Em gestos de profunda compaixão, alimentou, abraçou, derramou lágrimas por filhos que não são de seu ventre mas que foram amarrados em seu coração. Em seu pouco falar, gritou com a alma: - Senhor, dá-me seus pequenos haitianos!

MEL, em busca de direção, afagou a dor de pequenos e viu seus próprios limites serem alargados. Viveu o fato e abandonou o romance descrito na história de outros, agora ela possui a sua própria narrativa! Tirou a beleza de si para abraçar a ausência do outro. Ao olhar para a TAREFA descobriu que seu coração está marcado e será trabalhado para cumprir o Destino que possui em Deus!

DI, nossa MICHELE OBAMA, serenidade que acalma e faz descansar, sorriso que surpreende (como alguém tão séria pode rir desse jeito, meu Pai?!) e nos levou a gargalhar dezenas de vezes em terras alheias! Criativa, rápida e perceptiva, alguém que não busca destaque, mas entendeu que SERVIR é fazer o que Cristo fez! Ganhei uma amiga! (Ahhhh, se precisar de tradução, podemos reescrever em inglês, hihihi...)

DEBORRRAAAA, essa haitiana branca que furtou o nosso coração! Daquelas pessoas que fazem a gente feliz na mesma intensidade que dorme, isso é mágico!!! O clima do seu íntimo é cheio de saúde, vendo o melhor de tudo e de todos, alguém que se tornou necessária em nossa jornada!

LELÊ, ahhhhhh ninguém segura essa garota!!! Visão clara, coração disponível, sorriso abrasador (o Fábio encontrou um tesouro...). Sua posição de vida e olhar forte tornou mais precioso o nosso tempo juntos e a preocupação com o depois nos remete à lembrança de que estamos apenas começando! Lê, obrigada por estar SEMPRE POR PERTO!

VAL, nossa HARPA e TAÇA... Voz e vida, tom e compaixão! Você resume o que queremos para o mundo: dom e caráter, talento e humildade, firmeza e sensibilidade! A sensação de ver Deus cantando toma o meu interior todas as vezes que a ouço e a graça de tê-la conosco foi um GRITO MARAVILHOSO DA TRINDADE nos impulsionando a avançar e crescer!

MARI BETINI, como alguém tão fina consegue ser tão completamente entregue a um povo que nunca vira antes?! Paixão e submissão definem você, suas lágrimas discretas encheram nossa equipe de riquezas e sua expressão respeitosa nos fez rever nossos limites em relação ao outro! Voce é singular, nem mesmo as baratas haitianas foram obstáculos para sua missão!!!! BAYGON NELAS, meu POVO!!!!

VANDINHA, a prova palpável que podemos ser úteis ainda quando nossas limitações começarem a gritar. Um apontamento de coragem e decisão, ora frágil como uma garotinha, ora forte como a mulher madura, mas sempre rendida ao Cristo por quem sofre de paixão!!! Entre "besame mucho" e "como te chamas", vimos surgir entre nós a  guerreira que não irá desistir de sonhar!!!

EMÍLIA, o que é isso, minha gente??? De que galáxia veio essa figura??? Linda, feliz, resolvida, engraçadíssima, alguém que descongestiona nosso dias nublados; consegue arrancar de nós risos presos há anos na mesma força que arranca nossa admiração enquanto a assistimos inserir nos infantes o Reino de Deus! Sem dúvida, essa garota foi feita à mão!!! Um diagnóstico só: VOCÊ NOS FAZ BEM!

MARI, nossa MARI, dentre as muitas cenas que insistem em morar em minhas lembranças, ali está você abraçando, cuidando, chorando, abraçando de novo, dando banho, alimentando, sorrindo, extravasando MATERNIDADE! Posso dizer sem recuar: "Você será chamada MÃE DE POVOS!" A minha sensação é que esses foram apenas os primeiros filhos, mas que Deus vai dilatar seu coração para inserir muitos outros que padecem de orfandade! Avance!!! Acreditamos em você!

ALICE, nossa noiva haitiana! Uma mistura de ternura e firmeza, se derramando em lágrimas pelas ruas da comunidade e ajudando a arrancar os dentes com bravura, rsrsr! Exatamente como a Noiva de Cristo deve ser: compadecida e desbravadora! Acredito que seus olhos molhados, suas tranças haitianas, seu vestido branco e seus pés descalços são a melhor tela que poderíamos guardar de você... 

DEDÉ, o conjunto perfeito de alegria e altruísmo! Seu humor é terapêutico, suas caras e bocas, inesquecíveis! Você é uma forte candidata a sequestro, todo mundo quer tê-la por perto, é claro que sabemos que seus amigos (os dois patetas) certamente estragariam o plano!!! Você é única JULIANA!!!

MARCINHA, nossa, só NOSSA médica plantonista!!! Você nos faz autenticar sua profissão como uma vocação, diferente de todas as possibilidades comuns, você cozinha com a mesma alegria e devoção que faz cirurgias (aliás, nem vou comentar nada sobre os assuntos cirúrgicos, né Miguel????), consegue sorrir e ser serena em todos os momentos críticos que vivenciamos como equipe e tem uma esperança tão deliciosa de que tudo vai dar certo que descobrimos uma coisa: ESTAMOS VICIADOS EM VOCÊ! E agora????

PR.JAIR, o terrível! Apesar de todos nós termos apanhado desse homem durante a viagem (pescoção, beliscão, dedos estralados, etc...), somos ganhos pelos olhares de profundo amor que ele expressa. Chora e sorri na mesma intensidade, fica sério e gargalha em questão de minutos e quando pensamos, lá vem coisa boa, surge ele com: Paulo, amo os que te amam... Esse é o homem que tem se dado a um povo que não é seu! Admiramos...

THALLIS, disposto a tudo!!! De uma prontidão impressionante e uma espontaneidade que nos deixa felizes, gangorramos entre seus momentos de serviço e desatenção total, entre perguntas e respostas que nos matavam de rir!!! Um dos TRÊS, os TRÊS AMIGOS!!!

MIGUEL (vulgo MIC - entendedores, entenderão...), "coragem" inspiradora, líder da enfermaria, deixando a desejar no cabelo (sempre despenteado), o homem que insistiu tanto para pregar que não tivemos outra alternativa senão permiti-lo... Ahh esse Miguel, o verdadeiro CANDIDATO (entendedores continuarão entendendo...) que permeou a nossa vida de afetos, respeito e confiança no conceito de amizade!

FILIPE (Fil para nós), a cena que não quer calar é de um homem feito, marido e pai, pastor de um rebanho, em prantos, numa singela salinha, clamando a Deus por um povo que agora faz parte de sua jornada. Coração quebrantado e quase sempre SEM PALAVRAS, que chorou pelas baquetas de uma bateria e derramou-se pelo pastor da montanha. Esse é você e o Haiti é apenas a primeira tecla do processo de mudança que certamente já começou! Estamos TOGHEDINHOS com vocês! Fil, Fil, você está ouvindo??? Ahhhh, dormiu de novo...

ABNÉRIO: a voz de trovão que ressoa na formação da igreja. Um pai de muitos outros pais que emite uma só nota: o REINO! O formador e o roncador, barulhos que fazem diferença!!! Amamos você nosso amigo!!!

OSÉIAS, não sei se temíamos o alicate ou a câmera de vídeo, rsrsrs! Olhar atento para os momentos com o coração voltado para o futuro. O noivo apaixonado e marido convicto, o dentista, o trabalhador, o cameraman, o homem simples e obediente, o filho amado de Deus!

POLACOOOOO: pequenininho que faz uma festa sozinho! Valente, decidido, barulhento e trabalhador, o nosso marceneiro que submeteu sua profissão a serviço do Rei. Impossível tirar de nossas cabeças aqueles braços balançando para frente e para trás e as lágrimas derramadas por Jesus em nossas manhãs devocionais!

É por fim, meu grande AMOR, meu PRÍNCIPE HAITIANO, meu PAULO: amor, se todas essas histórias estão sendo escritas em nossa jornada, e se de alguma forma o Haiti passa a fazer parte de cada um de nós foi porque você OUVIU, não economizando a SI MESMO, dando-se de forma tão irrestrita (eu e nossos filhos podemos testemunhar disso) para que a dor do coração de DEUS seja aplacada! Meus olhares de paixão, respeito e admiração a você! Obrigada por me permitir em SUA MISSÃO!

À TRINDADE SANTA o nosso coração de joelhos e os nossos dias de vida! EIS-NOS AQUI SEMPRE para dizer SIM a tudo o que formos chamados!






quarta-feira, 30 de março de 2016

GAIOLAS EM DESCONSTRUÇÃO


                                       


Entende-se por paradigma um conjunto de padrões a ser seguido, um tipo de referência inicial que torna-se modelo nas diferentes áreas da nossa vida; métodos e valores concebidos como base para algo; uma matriz.
Todos nós somos cercados de paradigmas religiosos que nos foram impostos ou ensinados; o grande problema é que alguns deles não representam em nada a verdade sobre o nosso Deus! São fortes, aparentemente corretos, bem fixados em nosso íntimo, mas nos distanciam de uma vida genuína e produtiva com a Trindade.
Geralmente, quando a manifestação Divina confronta nossos paradigmas, um sentimento de desconstrução nos toma e a dúvida entre avançar ou permanecer no que parece ser o modelo nos assombra.
Paradigmas podem ser destrutivos se não estiverem pautados na revelação das Escrituras e em quem Deus realmente é!
Ao longo da história da igreja, Deus vem quebrando a matriz desenvolvida pelo homem acerca de Seu caráter e obra e, maravilhados diante dessas narrativas percebemos que, todas as vezes que o homem permite-se ser desconstruído em suas referências impostas, criadas ou adquiridas, abraçando o real, genuíno e fecundo avançar de Deus na história, fatos singulares ocorrem...
Temos um judeu faminto no eirado de uma casa, ele está orando e esperando para saciar sua fome física. É tomado de êxtase, o céu se abre e toda sorte de animais quadrúpedes, répteis e aves lhe são apresentados com o seguinte imperativo:
- Levanta-te, mata e come!

O nosso homem é rápido em retrucar:
- De forma nenhuma, JAMAIS comi coisa alguma comum e imunda.

A voz o intercepta:
- Não consideres COMUM aquilo que foi tocado por Deus!

Um forte costume estava sendo desafiado, e obviamente, todas as vezes que Deus surge em imperativos, algo extraordinário nos aguarda adiante!
Conhecemos o desfecho: um Pedro perplexo (nem sei se conseguiu descer para almoçar...), um grupo de homens enviados para convida-lo à casa de um gentio, o Cornélio que promoveu uma reunião entre parentes e amigos íntimos, uma exposição fantástica sobre o Cristo, a visitação do Espírito Santo e o batismo de não judeus.
Claro, paradigma quebrado, questionamentos levantados! Pedro é convidado por seus irmãos judeus e colegas de ministério:
- Tomamos conhecimento que você entrou em casa de incircuncisos e comeu com eles!?

Um Pedro desconstruído explica com propriedade e conclui com excelência:
- Se Deus concedeu a esses o mesmo dom que a nós nos foi outorgado quando cremos em Jesus, QUEM SOU EU PARA QUE POSSA RESISTIR A DEUS?
Houve silêncio, acordo e alegria!

Paradigma quebrado, convicção e direção claras, homem obediente, Evangelho chegando até nós!






terça-feira, 22 de março de 2016

EXPATRIADO



O sentimento de estar deslocada do meu local de origem envolve meu coração e lentamente faz-me ter esperanças em um futuro que almejo... Quase inexplicável (e humanamente incompreensível) sentir saudades de um lugar onde nunca estive, mas que me impulsiona convicta, de achar nele, o berço de quem eu sou. 
Estremeço.
Alimento-me da feliz expectativa de ver, ouvir e falar com meus heróis (todos, absolutamente todos estão em Casa), os que me conduzem a vislumbres de dias melhores:
Quero andar com Calvino e ouvir sobre suas internas lutas em se tornar um reformado legítimo;
Em Lutero, perceber o homem do CATECISMO MENOR encontrando-se com a FONTE DE TODAS AS COISAS;
Com Edwards, tricotar sobre as FIRMES RESOLUÇÕES,
Abraçar Guyon e ser consolada com o mesmo consolo que a envolveu quando de volta em casa;
Sorrir com as histórias de Brainerd, maravilhar-me com Farel (e contar a ele que inspirou o nome do nosso filho mais velho), sentar-me nos campos de trigo com Carey e olharmos literalmente para o que um dia nos foi figurado.
Embebedar-me com o Cristo presente de Elizabeth e atentar-me aos detalhes da pequena chama acesa no coração de Evan Roberts, ainda em uma mina de carvão...
A PÁTRIA abriga todas as riquezas que anseio,  fonte perfeita de inspiração.
Para um coração expatriado como o meu, cujos heróis já não mais caminham nessa terra do peregrinar, lateja uma esperança:

Estaremos TODOS JUNTOS, eternamente deslumbrados com a BELEZA e a DIGNIDADE Daquele que é o PRINCÍPIO E FIM.